O segmento de materiais de construção costuma ter na resiliência uma poderosa arma para atenuar as consequências de períodos adversos. Como nem sempre é possível adiar o fim de uma obra ou a manutenção da casa, a demanda pelos produtos do setor tende a se manter permanente. A característica, no entanto, não foi suficiente — por enquanto — para frear a desaceleração das vendas na Argentina.“Nós tivemos uma redução — não em faturamento, mas em [número de] unidades — entre 18% e 20% desde que medidas mais restritivas foram adotadas”, revela Juan Nazabal, presidente da Bulonfer, empresa com 40 anos de história e considerada uma das principais do setor de ferragens no país vizinho.O executivo está entre os mais de 600 empresários do mercado de materiais de construção de 28 países reunidos no Summit Americas e ExpoShow, evento internacional realizado pela Atlas, no Panamá.Apesar da desaceleração nos negócios, Nazabal manifesta otimismo e acredita que, em breve, haverá uma inversão da tendência.Leia também: IA e varejo entram no debate sobre futuro do setor de materiais de construçãoPior já passou?De acordo com especialistas, a economia da Argentina segue apresentando sinais mistos de recuperação, combinando a melhora recente de alguns indicadores com fraqueza persistente na demanda doméstica, no mercado de trabalho e no consumo.Leia mais: O que falta para crescimento da Argentina? Para analistas, recuperação segue frágil“A retração do consumo era uma consequência da tentativa de controlar a inflação com uma política monetária um pouco restritiva que foi levada adiante [pelo governo de Javier Milei]”, explica o empresário argentino.De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec), o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da Argentina teve alta de 1,7% em agosto ante julho. O resultado sinaliza desaceleração após a alta mensal de 2,1% em julho. Na comparação anual, o indicador avançou 33,5%.“As medidas mais drásticas já foram tomadas ao longo destes anos. Alguns indicadores se normalizaram, e isso é muito bom em termos macroeconômicos”, reflete Nazabal. “Os números, felizmente, estão se ajustando, e o que resta agora é que o consumo se reative um pouco, o que, para nós e para nossas empresas, é vital”, projeta o empresário, que faz questão de demonstrar otimismo com o futuro.Leia também: Panamá-Mercosul: acordo pode ampliar mercado para brasileiros, diz embaixadorSegundo o Itaú BBA, a atividade econômica argentina registrou alta de 0,8% em junho ante maio, considerando dados com ajuste sazonal. O resultado medido pelo EMAE, indicador mensal que funciona como uma prévia do PIB, interrompeu duas quedas consecutivas observadas anteriormente.Apesar do avanço mensal, a economia encolheu 0,9% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre imediatamente anterior. O resultado representa uma reversão da expansão de 0,7% registrada nos três primeiros meses do ano.* O repórter Wellington Carvalho viajou para o evento Summit Américas a convite dos organizadores.The post Argentina: vendas de materiais de construção recuam até 20%; pior já passou? appeared first on InfoMoney.
