AtlasIntel: Master divide eleitor, mas crise do STF pesa mais sobre presidente

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A crise em torno do Banco Master se espalhou por diferentes campos políticos e pelo Supremo Tribunal Federal, mas o impacto eleitoral percebido pelos eleitores não se distribui da mesma forma. A última rodada da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quinta-feira (17), mostra que a responsabilização política pelo caso está praticamente dividida, enquanto o desgaste provocado pela crise no STF é associado com mais frequência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Quando serão os debates presidenciais de 2026? Veja o calendário completoSegundo o levantamento, 41,2% dos entrevistados dizem que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estão mais envolvidos no esquema de fraudes financeiras do Master. Outros 40,2% atribuem maior envolvimento a aliados de Lula. Para 13,8%, os dois grupos estão igualmente implicados. A diferença de apenas um ponto percentual entre os dois campos contrasta com a percepção sobre os efeitos eleitorais da crise instalada no Supremo. Questionados sobre qual candidatura é mais prejudicada pela turbulência envolvendo ministros da Corte, 49,5% apontam Lula. Flávio Bolsonaro (PL) é citado por 20,9%, enquanto 14,4% avaliam que os dois são afetados na mesma medida. Os resultados aparecem em um momento em que o caso Master deixou de se concentrar apenas nas relações de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes e passou a alcançar pessoas ligadas a outros ministros do Supremo.Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-controlador do banco, reveladas nesta semana, citaram André Mendonça e relações de Vorcaro com Rodrigo Fux e Kevin Marques, filhos dos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.Os diálogos incluem referências a encontros, pedidos de contato e pagamentos discutidos por interlocutores do banqueiro. Os citados apresentaram versões ou negativas sobre parte das informações divulgadas.Leia tambémMinistro de Lula mira ‘desconstruir imagem de Flávio’ após adiamento no STFGuimarães evitou dizer se esse tipo de declaração aumenta a percepção de proximidade de Lula com MoraesNo caso de Kevin Marques, mensagens atribuídas ao então diretor jurídico do Master mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil ligados à Consult Inteligência Tributária. Kevin afirmou ter recebido R$ 281,6 mil por serviços prestados à empresa, mas negou ligação direta com Vorcaro. Já a assessoria de Rodrigo Fux afirmou que não houve transação financeira com o ex-banqueiro.As revelações aumentaram a pressão sobre o Supremo justamente quando a Corte discutia como tratar o relatório da PF envolvendo Moraes. Nesta terça-feira (15), um pedido de vista do ministro Flávio Dino interrompeu a análise de uma questão de ordem sobre a possibilidade de julgamento conjunto de duas petições relacionadas ao caso Master. O mérito do processo não chegou a ser examinado.A disputa interna no STF já havia levado o presidente da Corte, Edson Fachin, a intervir. Na semana passada, ele suspendeu decisões conflitantes tomadas por ministros em investigações ligadas ao caso e retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, em meio à escalada das tensões entre alas do tribunal.Moraes também passou a questionar publicamente a condução do caso. Em ofício enviado a Fachin, acusou André Mendonça de promover uma divulgação seletiva de documentos e pediu a retirada integral do sigilo das investigações derivadas da Operação Compliance Zero.Percepção sobre aliados de Bolsonaro cresceA série histórica da AtlasIntel mostra uma mudança importante desde o início do ano. Em março, 39,5% dos entrevistados diziam que aliados de Lula estavam mais envolvidos com as fraudes do Master, contra 28,3% que apontavam aliados de Bolsonaro. Em junho, a distância diminuiu: 37,6% citavam o campo lulista e 36% o bolsonarista.Na nova rodada, a ordem se inverte numericamente. Os aliados de Bolsonaro passam a ser citados por 41,2%, enquanto os de Lula aparecem com 40,2%. Desde março, portanto, a parcela que associa o caso principalmente ao grupo bolsonarista cresceu 12,9 pontos percentuais.A pesquisa não identifica quais episódios específicos produziram essa mudança, mas o período coincide com a ampliação das investigações e com a divulgação de relações de Vorcaro com personagens ligados a diferentes grupos políticos e integrantes do Judiciário.Custo eleitoral mais concentrado em LulaApesar do equilíbrio sobre quem estaria mais envolvido no caso Master, a crise institucional do Supremo é percebida de forma diferente quando a pergunta trata diretamente da eleição.Quase metade dos entrevistados, 49,5%, considera que a turbulência na Corte prejudica mais Lula. O percentual é mais que o dobro dos 20,9% que apontam maior dano para Flávio Bolsonaro. O resultado não significa que os entrevistados atribuam responsabilidade direta do presidente pelos episódios investigados. A pergunta do instituto mede a percepção sobre o impacto eleitoral da crise, e não envolvimento pessoal dos candidatos nos fatos.A diferença ajuda, porém, a mostrar como um escândalo que alcançou personagens de diferentes campos políticos pode produzir efeitos eleitorais percebidos de forma desigual.A AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.018 pessoas entre 11 e 16 de setembro. A pesquisa foi realizada por recrutamento digital aleatório, tem margem de erro de um ponto percentual, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06221/2026.The post AtlasIntel: Master divide eleitor, mas crise do STF pesa mais sobre presidente appeared first on InfoMoney.

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