Planalto tratou reajuste do Bolsa Família como “segredo” em meio à queda de Lula

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O Palácio do Planalto tratou como “segredo de Estado” as discussões finais e os preparativos para o anúncio desta quinta-feira do reajuste de 15% do valor do Bolsa Família. A medida ocorre num momento decisivo na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em que pesquisas de intenção de voto mostraram derretimento dele em sua base social, acendendo alerta na equipe do petista.O aumento amplia o valor mínimo do programa de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio subirá dos atuais R$ 675 para R$ 777. Até as primeiras horas da quinta-feira, o tema foi tratado em um círculo restrito do primeiro escalão com o gabinete presidencial, inclusive assessores próximos foram informados apenas instantes antes do conteúdo do anúncio. Leia tambémLula defende reajuste do salário mínimo para aposentados e critica ajuste fiscalPresidente também voltou a defender a manutenção dos benefícios sociais em um eventual 4º mandato e que não pretende “penalizar os pobres para beneficiar os ricos”Flávio diz que reajuste do Bolsa Família mostra desespero de Lula“Ele sabe que isso não pode, mas é o desespero, porque ele sabe que já ​perdeu”, destacou o também candidato à PresidênciaHá meses, Lula vinha pedindo a integrantes de sua equipe que encontrassem alternativas para ampliar o valor do Bolsa Família, considerada marca das gestões petistas e tema explorado pela campanha.A decisão, no entanto, esbarrava no espaço fiscal do Orçamento e no timing que a medida seria anunciada tendo em vista o período eleitoral. Trata-se do primeiro reajuste do piso do benefício na gestão Lula 3. O anúncio ocorre a 17 dias do primeiro turno e no momento mais delicado da campanha do petista. Pesquisas de intenção de voto mostram Lula empatado numericamente com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em cenários de segundo turno, seu principal adversário na disputa, e perdendo fôlego junto ao eleitorado mais cativo.  O levantamento da Quaest divulgado na segunda-feira mostrou queda de apoio a Lula entre quem ganha até dois salários-mínimos. Em cenário de primeiro turno, Lula caiu de 49% para 45% entre 7 e 14 de setembro, Flávio cresceu nesse público no mesmo período de 18% para 22%. Diante desse cenário, a campanha busca ampliar o debate sobre custo de vida, comparando a inflação dos preços de alimentos entre governo Lula e a gestão de Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que age para aumentar o poder de compra de famílias com renda mais baixa.  De acordo com um auxiliar do presidente que acompanhou as conversas, o sinal verde para o reajuste veio após dados preliminares da execução do Orçamento, relativos ao relatório bimestral que deve ser divulgado até dia 24, apontar um saldo positivo na previsão para a meta de zerar a fila da previdência. Desse valor, foram remanejados R$ 5,8 bilhões para ampliar o benefício a partir de outubro. Era a brecha que o governo precisava. A solução encontrada por uma restrita equipe de ministros que tratavam do tema foi levada ao presidente Lula nos últimos dias e os  trâmites finais foram acertados, incluindo consulta à Advocacia-Geral da União (AGU).O governo queria reunir informações para não sofrer um revés na Justiça Eleitoral. A justificativa que amparou a decisão do Planalto é que o aumento poderia ocorrer com ampliação da inflação. — A ordem era segredo de Estado, não tinha segurança exata do momento do anúncio — afirma o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, cuja pasta é responsável pelo Bolsa Família.  Integrantes do Planalto afirmam que um grupo restrito de ministros estavam a par das discussões, entre os quais Bruno Moretti (Planejamento), Miriam Belchior (Casa Civil) e Dario Durigan (Fazenda), além de Dias.  Apesar do sigilo em torno das negociações, de acordo com relatos, integrantes do Planalto procuraram a cúpula do Congresso para informar a decisão de editar o decreto antes de isso vir a público, num gesto de cortesia para evitar qualquer ruído com os parlamentares.  Um decreto presidencial não precisa ser aprovado pelo Legislativo, mas deputados e senadores podem apresentar projetos de decretos legislativos para sustar os efeitos da medida.A avaliação de governistas, no entanto, é que dificilmente uma proposta desse tipo avançaria no Congresso, justamente por ser uma medida popular e de grande alcance, ainda mais às vésperas das eleições. Apesar disso, integrantes do Centrão afirmam, sob reserva, enxergar na medida uma tentativa da campanha petista de ganhar fôlego num momento de pressão. Não está descartado levar esse reajuste ao horário eleitoral do petista, apesar de não haver uma decisão sobre isso neste momento.  A medida foi criticada por adversários de Lula nas eleições, mas celebrada por aliados do petista. A campanha do presidente está em seu momento mais crítico. Além das pesquisas de intenção de voto, a crise institucional sem precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF) tem contaminado o debate eleitoral, gerado prejuízo à imagem de Lula e incentivado o discurso antissistema e contra o Supremo adotado por Flávio e seus aliados.      Um integrante do Planalto reconhece que o anúncio, às vésperas do primeiro turno, pode gerar a ideia junto à opinião pública de que é uma medida eleitoreira, diante do cenário acirrado entre as candidaturas nas pesquisas de intenção de voto.  Apesar disso, diz, governistas deverão destacar que foram seguidas previsões legais e que há margem fiscal para o reajuste, algo que já era cobrado de Lula a seus auxiliares nos últimos meses. Wellington Dias rebate as críticas.  — Não (é eleitoreira). Mesmo sabendo que há os que são contra despesas para o Bolsa Família, há também por parte da ampla maioria da população a compreensão que dar a inflação para a renda de quem mais precisa é justo — diz o ministro.The post Planalto tratou reajuste do Bolsa Família como “segredo” em meio à queda de Lula appeared first on InfoMoney.

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