A crise envolvendo o Banco Master e o Supremo Tribunal Federal abriu uma disputa paralela entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para definir a quem o eleitor vai associar o escândalo.Enquanto Flávio tenta aproximar Lula de Alexandre de Moraes e do desgaste do STF, o PT trabalha no sentido contrário e busca recolocar o senador dentro do caso Master.Na avaliação de Bárbara Baião, analista política da XP, as duas estratégias partem da mesma lógica. Em uma eleição polarizada, não basta ampliar o próprio eleitorado. Aumentar a rejeição do adversário também pode ser decisivo.“O que me parece que é o antídoto à ideia que a campanha do Flávio tenta construir de que, se você vota no Lula, você vota no Moraes, é a campanha do Planalto indicar que, se você votar no Flávio, Flávio é Bolsa Master”, afirmou no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.Leia tambémFlávio deveria sair do STF e “voltar ao supermercado”, diz cientista políticoPara Leonardo Barreto, insistir na crise envolvendo Moraes pode trazer Banco Master de volta à campanhaBolsa Família, MEI, Monjaro e bets: as apostas de Lula na reta final da campanhaGoverno acelera medidas de forte alcance popular enquanto pesquisas mostram disputa apertada com Flávio Bolsonaro no segundo turnoLula tenta se separar de MoraesO desafio do Planalto é fazer uma distinção que pode não ser simples para o eleitor. Lula procura reconhecer a atuação institucional de Moraes após os ataques de 8 de Janeiro e na defesa do sistema eleitoral, mas, ao mesmo tempo, sustentar que eventuais relações do ministro com Daniel Vorcaro precisam ser apuradas.Segundo Bárbara, a percepção em Brasília é de que o governo sabe que dificilmente conseguirá transformar esse debate em terreno favorável.“O Planalto tem ciência de que essa crise cai no colo do governo e que é muito difícil o eleitor desassociar o ministro Alexandre do presidente Lula, em que pese o governo não estar diretamente atrelado às investigações”, afirmou.Por isso, a estratégia passa também por tentar virar a página e recolocar temas mais próximos do cotidiano no centro da campanha.PT tenta devolver o Master para FlávioAo mesmo tempo, a campanha petista procura impedir que o caso seja apresentado apenas como uma crise de Moraes e do STF.Bárbara lembra que episódios anteriores envolvendo o Master produziram desgaste para Flávio. Na avaliação dela, isso sugere que o eleitor atualmente inclinado ao senador pode ser mais sensível a notícias sobre corrupção do que a parcela mais consolidada do eleitorado petista.“Esse eleitor que hoje está com o senador do PL pode ser mais suscetível a esse noticiário de corrupção do que o do campo petista, de um presidente que já foi preso e voltou ainda assim ao poder”, afirmou.Quando serão os debates presidenciais de 2026? Veja o calendário completoA AtlasIntel/Bloomberg divulgada na semana passada mostra como a responsabilidade pelo caso está dividida na percepção do eleitorado. Segundo os dados apresentados no Mapa de Risco, 41,2% apontam aliados de Jair Bolsonaro como os mais envolvidos no esquema do Master, ante 40,2% que citam aliados de Lula.Desde junho, a parcela que aponta o grupo de Bolsonaro aumentou cinco pontos, enquanto a que responsabiliza aliados de Lula avançou 2,6 pontos.A disputa é pela rejeiçãoPara Bárbara, a tentativa de associar Flávio ao Master integra uma ofensiva mais ampla do PT para aumentar a rejeição ao adversário. A campanha também procura ligar o senador ao legado de Jair Bolsonaro, à atuação de Eduardo Bolsonaro e à proximidade política com figuras da direita internacional.“Há uma inflexão no governo também, mirando que, numa eleição de dois turnos muito polarizada, o governo não precisa ser quem melhor propõe, ele precisa ser menos rejeitado”, afirmou.Quem leva vantagem nos Estados? Quaest mostra cenário melhor para aliados de FlávioDo outro lado, Flávio encontra em Moraes um adversário conhecido de seu eleitorado e pode explorar a associação construída entre o ministro e o campo que se opôs ao bolsonarismo nos últimos anos.A estratégia, porém, também envolve riscos. O cientista político Leonardo Barreto avalia que prolongar o debate sobre o STF pode manter o Banco Master no noticiário e, consequentemente, devolver parte da pressão para o próprio Flávio.“Quando a questão é Vorcaro, as críticas a Flávio e Lula se equivalem nas redes. Quando não tem Master, o Lula tem muito mais criticado do que o Flávio”, afirmou Barreto, ao citar levantamento de redes sociais.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post “Lula é Moraes” x “Flávio é Master”: a nova guerra de associações da campanha appeared first on InfoMoney.
