Eleições 2026: por que a volatilidade pode ser aliada do trader, segundo Rafi

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Conteúdo XPA volatilidade é um dos pontos que mais ganham atenção do mercado em períodos eleitorais. Para Raphael Figueredo, o Rafi, estrategista de ações da XP, porém, o caminho não é simplesmente fugir das oscilações, mas entender quando o ambiente oferece distorções compatíveis com o modelo operacional e o risco assumido.Rafi foi o convidado do episódio 261 do programa GainCast e apresentou uma leitura que contraria parte do receio comum em períodos eleitorais. Segundo ele, a volatilidade realizada segue abaixo da média histórica de outros anos de eleição, enquanto o fluxo estrangeiro continua relevante para explicar o comportamento recente dos preços.Volatilidade como aliadaPara Rafi, volatilidade não deve ser confundida automaticamente com um ambiente ruim para operar. Ao contrário, oscilações maiores podem revelar distorções que não aparecem em mercados mais estáveis, desde que o trader mantenha critérios objetivos de exposição. “A volatilidade é uma grande aliada. Ela não é e não deve ser tratada como um bicho papão”, afirma.Além disso, Rafi relaciona oscilações maiores a períodos de incerteza e, consequentemente, a movimentos capazes de abrir espaço para operações. No entanto, ele condiciona essa leitura ao controle de risco, evitando transformar volatilidade em justificativa para exposição excessiva. “Então, volatilidade alta é sinal de que tem uma grande oportunidade, distorções acontecendo”, explica.Nesse sentido, o desafio está em saber se aquele comportamento combina com a estratégia utilizada. Por isso, a volatilidade deveria servir como elemento de aproximação e análise, não como gatilho automático para abandonar o mercado. “A volatilidade tem que ser tratada sempre como algo para aproximar o trader do mercado e não afastá-lo do mercado”, sustenta.Segundo ele, aproximar-se do mercado não significa aumentar a frequência de operações. O estrategista diferencia observação de execução e reforça que a decisão depende do enquadramento do cenário ao método do trader, preservando disciplina mesmo em sessões mais intensas. “Se o cenário se enquadrar no teu jeito de operar, é hora de operar”, destaca.Leia também: De obra afetada pela Lava Jato a taxista e trader: a trajetória de Robert MachadoEleição do imponderávelRafi considera que o ano eleitoral de 2026 reúne um componente adicional de imprevisibilidade capaz de alterar rapidamente expectativas e preços. Para ele, eventos inesperados podem produzir choques de volatilidade mesmo quando o mercado estiver operando de maneira relativamente comportada. “Então o imponderável vai trazer volatilidade elevada. Ponto”, afirma.Ainda assim, o gráfico apresentado pelo estrategista aponta que as linhas de volatilidade do Ibovespa e de small caps permaneceram abaixo da referência histórica usada na comparação dos anos eleitorais desde 2002. Assim, percepção de risco e oscilação efetiva não necessariamente caminham juntas. “Ou seja, a volatilidade atual do mercado está abaixo da média histórica dos anos de eleição”, observa.Volatilidade do Ibovespa e do índice Small Caps (SMLL) em 2026 na comparação com a média histórica dos anos eleitorais desde 2002. A linha preta mostra a média histórica do Ibovespa; a roxa, o Ibovespa em 2026; e a amarela, o SMLL em 2026. A linha vertical marca o dia da eleição. Elaboração: Raphael Figueredo.Por isso, a leitura de Rafi combina duas forças aparentemente contraditórias: uma eleição sujeita a acontecimentos difíceis de antecipar e um mercado que ainda não reproduziu a intensidade observada em outros ciclos eleitorais. “Hoje nós temos uma volatilidade baixa contra a série histórica”, ressalta.Entretanto, o estrategista evita transformar o dado atual em uma projeção linear. Como acontecimentos políticos podem mudar expectativas rapidamente, o cenário exige revisão constante das premissas usadas pelo trader, sobretudo quando preço e volatilidade mudam de regime. “O noticiário corrente é um noticiário muito indefinido, que pouca coisa é previsível sobre aspecto de preço de mercado”, alerta.Leia também: Campeões do Arena Trader revelam estratégia usada para vencer a competiçãoEstrangeiro entra na contaNa avaliação de Rafi, o capital estrangeiro ajuda a explicar a volatilidade contida e deve entrar no radar do trader perto das eleições. “Então é o gringo que está fazendo o efeito, e essa entrada sistemática dele do dia a dia é que tem feito essa volatilidade ficar baixa referente à meta histórica”, afirma.Ao mesmo tempo, o estrategista trata esse comportamento como condição presente, não como garantia de repetição. Para quem opera, isso exige acompanhar mudanças de fluxo, preço e volatilidade antes de presumir que o padrão atual permanecerá até o pleito. “Será que dessa vez vai ser diferente contra as eleições passadas? Essa é a pergunta que a gente faz”, comenta.Já sob a ótica do investidor, Rafi argumenta que o calendário eleitoral, isoladamente, não deveria provocar mudanças bruscas de alocação. A leitura é que movimentos comparáveis de volatilidade surgem em outros momentos e precisam ser tratados dentro de uma estrutura mais ampla de risco. “A eleição não deveria ser motivo de mudança estrutural dos seus investimentos”, defende.Por fim, o estrategista amplia o foco para além da eleição e lembra que operar ativos brasileiros sempre envolveu juros elevados, custo de oportunidade e oscilações relevantes. Para ele, atribuir toda a dificuldade do mercado ao processo eleitoral simplifica um problema mais estrutural. “Operar Brasil sempre foi muito difícil. Não é fácil. Nunca foi simples”, conclui.Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. The post Eleições 2026: por que a volatilidade pode ser aliada do trader, segundo Rafi appeared first on InfoMoney.

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