Faltando poucos dias para as eleições presidenciais, o JPMorgan avalia que o setor financeiro brasileiro já começou a precificar um cenário político mais equilibrado, mas ainda longe de um otimismo pleno.Segundo relatório divulgado nesta semana, a instituição continua enxergando as empresas ligadas ao mercado de capitais como a melhor forma de capturar uma eventual melhora do ambiente macroeconômico após a eleição. A preferência continua concentrada em BTG Pactual (BPAC11), XP (BDR: XPBR31) e B3 (B3SA3), que foram os grandes destaques do setor nas últimas semanas.O banco observa que XP, BTG e B3 avançaram cerca de 26%, 24% e 23%, respectivamente, no último mês, superando com folga o desempenho do Ibovespa. Para os analistas, o movimento sugere que o mercado passou a atribuir maior probabilidade a um cenário de redução do custo de capital e de retomada gradual da atividade econômica.Na visão do JPMorgan, as ações de mercado de capitais aparecem como as maiores beneficiárias de um eventual cenário mais favorável ao mercado.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa volta para queda, em dia de oscilaçãoBolsas dos EUA oscilam após Nasdaq registrar novo recorde ontem O banco destaca que BTG Pactual segue sendo sua principal escolha no setor financeiro por apresentar capacidade de execução em diferentes cenários macroeconômicos, enquanto XP e B3 continuam sendo os ativos mais diretamente expostos a uma retomada dos mercados de capitais e a um ambiente de juros mais baixos.A avaliação da equipe é que esses ativos já embutem um cenário intermediário, próximo de uma probabilidade de 50% para cada direção do resultado eleitoral, mas ainda não refletem plenamente uma melhora estrutural da percepção sobre o Brasil.Itaú segue sendo o favorito entre os bancosOlhando para os bancos tradicionais, o JPMorgan continua vendo Itaú Unibanco (ITUB4) como o nome mais bem posicionado. O argumento é que a instituição combina resiliência em um cenário mais desafiador com capacidade de capturar ganhos em um ambiente mais benigno. Segundo o JPMorgan, a diversificação das receitas, a disciplina na concessão de crédito e a qualidade dos ativos fazem do Itaú a melhor combinação entre defesa e potencial de valorização dentro do setor.Bradesco (BBDC4) também aparece relativamente bem posicionado na análise, embora o JPMorgan destaque que a ação continua ficando atrás dos papéis mais ligados ao mercado de capitais mesmo sendo uma das alternativas para investidores que buscam exposição ao debate sobre queda de juros.Crédito ainda impede maior entusiasmoApesar da melhora recente das ações, o setor bancário continua convivendo com dúvidas importantes.Segundo o JPMorgan, o principal freio para uma recuperação mais forte continua sendo o ciclo de crédito. O banco afirma que muitos investidores seguem preocupados com uma possível desaceleração da concessão de empréstimos, aumento das provisões e riscos relacionados à qualidade dos ativos.Além disso, medidas macroprudenciais discutidas pelo Banco Central também aparecem frequentemente nas conversas com investidores, especialmente por causa do potencial impacto sobre linhas de crédito sem garantia.Essa combinação ajuda a explicar por que os grandes bancos ficaram atrás de XP, B3 e BTG na recente recuperação do setor.Leia também: Itaú e Bradesco são favoritos do BofA entre bancos brasileiros; BB fica para trásO JPMorgan também chama atenção para o desempenho mais fraco dos bancos digitais. Tanto Nubank quanto Inter ficaram para trás no rali recente, apesar de negociarem abaixo de máximas históricas de valuation. O banco reconhece que os múltiplos parecem atrativos, mas observa que o interesse marginal dos investidores continua limitado.Entre as principais preocupações estão justamente os riscos ligados ao ciclo de crédito e às possíveis mudanças regulatórias que poderiam afetar a rentabilidade de produtos de crédito sem garantia.Seguradoras e pagamentos em segundo planoEm contraste com o otimismo em relação às corretoras e à cautela seletiva com os bancos, o JPMorgan mantém uma visão mais reservada para seguradoras e empresas de pagamentos.Segundo o banco, papéis como BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3) já tiveram forte desempenho ao longo do ano e oferecem uma assimetria menos favorável neste momento. A avaliação é que essas ações tenderiam a ficar para trás em um cenário de mercado mais otimista, sem oferecer uma proteção tão diferenciada em um cenário adverso.No segmento de pagamentos, o JPMorgan reconhece que empresas como Stone e PagSeguro parecem baratas em relação ao histórico, mas argumenta que o ambiente operacional continua difícil, com crescimento mais fraco e dúvidas sobre a evolução da atividade econômica.Para o JPMorgan, o mercado financeiro brasileiro vive atualmente uma situação intermediária.As ações ligadas ao mercado de capitais já refletem parte de um cenário de melhora de expectativas, mas ainda não precificam totalmente um ambiente de juros mais baixos e crescimento mais forte. Por outro lado, os bancos continuam limitados pelos riscos de crédito e pelas incertezas regulatórias.The post Bancos entram na reta final da eleição divididos entre “alívio” e riscos de crédito appeared first on InfoMoney.
