Itaú: juro alto faz economia operar em duas velocidades; compare os setores

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Os juros em patamares restritivos estão forçando a economia brasileira a operar em duas velocidades distintas. Entre os dependentes de crédito, há repressão de investimentos e foco em automação, formação de caixa e corte de custos. Em outros, há um cenário mais favorável sustentado pelas exportações ou pelo aumento da renda, como óleo e gás, mineração, turismo, farmácia e serviços.As conclusões estão no “Orange Book” (Livro Laranja), do Itaú, relatório com avaliações sobre as dinâmicas setoriais. Os dados foram colhidos em agosto a partir de perguntas com respostas em escala de 0 a 10 sobre demanda, mercado de trabalho, custos, investimento e concorrência.Leia tambémOCDE eleva projeção para o PIB do Brasil em 2026 e rebaixa a de 2027Brasil deve fechar 2026 com crescimento de 2,0%, segundo relatório preliminar de projeções econômicas; estimativa em junho era de um crescimento de 1,6%Serviços lideram demanda e Indústria recuaOs 34 setores analisados pontuaram uma média de 6,3 na análise do aumento da demanda atual, sendo 0 uma piora forte e 10 uma melhora forte. Nove pontuaram sete ou mais. Entre eles, estão turismo (10); óleo e gás (9); varejo de vestuário e calçados (9); farmácias (9); hotéis e restaurantes (8,7); imóveis e construções comerciais (8,3); eletrônicos (8); indústria de vestuário (7,5); e metalurgia e siderurgia (7)Na outra ponta, oito obtiveram nota até 5: Aves e suínos (3); Saneamento (3);Açúcar e álcool (4,5); Residencial (4,7); Bens de capital (5); Química (5); Papel e celulose (5); e Mineração (5).SetorSubsetorDemanda atualAgroAçúcar e álcool4,5AgroQuímica5AgroAlimentos e bebidas5,7AgroDefensivos e fertilizantes5,8AgroFrigoríficos6AgroProdutor rural6,5AgroEducação6,8AgroHotéis8,7AutoPeças5,7AutoMontadoras6,7AutoConcessionárias6,9Imobiliário/ConstruçãoResidencial4,7Imobiliário/ConstruçãoShopping centers6Imobiliário/ConstruçãoComercial8,3IndústriaAves e suínos3IndústriaBens de capital5IndústriaPapel e celulose5IndústriaIndústria Geral5,5IndústriaEmbalagens5,6IndústriaLaticínios6IndústriaMateriais de construção6IndústriaBens de consumo6,3IndústriaMetalurgia e siderurgia7IndústriaVestuário/calçados7,5IndústriaEletrônicos8InfraSaneamento3InfraLogística5,8Recursos NaturaisMineração5Recursos NaturaisÓleo e gás9Varejo/ServiçosEletrônicos5,3Varejo/ServiçosSuper/hipermercados5,5Varejo/ServiçosFarmácias9Varejo/ServiçosVarejo de Vestuário/calçados9Varejo/ServiçosTurismo10 Média6,3Fonte: Orange Book / ItaúEconomia em duas velocidadesA economia está operando em duas velocidades, segundo o relatório, porque os diferentes negócios se financiam de formas distintas. Setores de capital intensivo, como construção civil, maquinário e bens de capital, estão com os freios puxados porque dependem de financiamento de longo prazo, o que está restrito pelo alto patamar da taxa Selic e, sem crédito acessível, não há expansão. Por outro lado, segmentos de giro rápido, como turismo, farmácias, educação e alimentação, não precisam de empréstimos para escoar sua oferta. Eles sobrevivem amparados no mercado de trabalho apertado e na resiliência da renda das famílias, que continuam consumindo serviços imediatamente, mantendo essas atividades imunes ao choque de juros que trava o restante da economia.Leia também: Queda no IBC-Br reforça tese de estagnação do PIB no 3º tri e de mais cortes de jurosFalta de mão de obra encarece produçãoA escassez de mão de obra qualificada é apontada no relatório como um forte gargalo estrutural. Perguntados sobre se sobra ou falta mão-de-obra para o setor ou cliente, sendo 0 uma sobra forte e 10 uma escassez forte, 18 dos 34 subsetores analisados pontuaram em 7 ou mais. A média geral ficou em 7.Açúcar e álcool; produtor rural; concessionárias; eletrônicos pontuaram em 7. Em seguida vem peças (7,3); logística (7,6); super/hipermercados (7,7). Mineração; materiais de construção; e óleo e gás pontuaram em 8. Imóveis residenciais ficou em 8,3 e, comerciais, 8,7. O setor de hotéis também pontuou em 8,7. Os setores mais críticos são indústria de vestuário (9,5); seguido por aves e suínos; frigoríficos; varejo de vestuário; e turismo em que todos apontaram escassez máxima (10).O resultado deste quadro é uma pressão maior nos custos operacionais das empresas. SetorSubsetorEscassez de mão de obraAgroAçúcar e álcool7AgroQuímica6,5AgroAlimentos e bebidas5,8AgroDefensivos e fertilizantes5,8AgroFrigoríficos10AgroProdutor rural7AgroEducação5,8AgroHotéis8,7AutoPeças7,3AutoMontadoras6AutoConcessionárias7Imobiliário/ConstruçãoResidencial8,3Imobiliário/ConstruçãoShopping centers5Imobiliário/ConstruçãoComercial8,7IndústriaAves e suínos10IndústriaBens de capital5,3IndústriaPapel e celulose5IndústriaIndústria Geral6,8IndústriaEmbalagens5,8IndústriaLaticínios5IndústriaMateriais de construção8IndústriaBens de consumo5,7IndústriaMetalurgia e siderurgia6,5IndústriaVestuário/calçados9,5IndústriaEletrônicos7InfraSaneamento5InfraLogística7,6Recursos NaturaisMineração8Recursos NaturaisÓleo e gás8Varejo/ServiçosEletrônicos5,3Varejo/ServiçosSuper/hipermercados7,7Varejo/ServiçosFarmácias3Varejo/ServiçosVarejo de Vestuário/calçados10Varejo/ServiçosTurismo10 Média7Fonte: Orange Book / ItaúMargens comprimidas e investimentos travadosO efeito contracionista da taxa Selic elevada é sentido em todo o empresariado, segundo o relatório. Sem espaço para repassar a inflação de insumos ao consumidor final — que está cada vez mais sensível a preços e endividado —, as companhias estão optando por reduzir custos e aumentar a produtividade, em vez de investir. “O investimento produtivo permanece limitado pela falta de visibilidade econômica, pelos juros elevados, pelas incertezas decorrentes da reforma tributária e pela concorrência crescente da indústria chinesa. Em vários segmentos, observa-se substituição gradual da produção local por importações como forma de preservar competitividade”, diz o documento.Na indústria tradicional, o compasso é de espera. Segmentos como bens de capital, metalurgia e embalagens estão restringindo aportes devido às incertezas da reforma tributária e ao crédito caro.Na cadeia automotiva, o avanço asiático vem tomando conta do setor com os carros elétricos. Em vestuário, calçados e eletrônicos, a disputa impede o crescimento e força investimentos em eficiência para tentar concorrer com os importados.“As empresas têm priorizado preservação de caixa, automação, ganhos de produtividade e disciplina de capital, em vez de projetos relevantes de ampliação de capacidade”, diz o relatório.Made in ChinaO aumento da concorrência chinesa apareceu no relatório pressionando a margem de repasses da indústria. Esses importados afetam a indústria, cadeia automotiva, bens de consumo, eletrônicos, vestuário e parte do agronegócio e limitam o teto de preços, em uma força desinflacionária.Mas entrada dos produtos chineses tem um efeito paradoxo na economia. Embora ela limite as margens da indústria nacional e interfira nos quadros produtivos, ela também atua como uma das principais forças desinflacionárias para bens industriais no Brasil. Essa barreira imposta aos preços impede que o custo doméstico mais alto seja repassado ao consumidor final, dificultando o controle inflacionário pelo Banco Central, mas comprimindo o caixa das empresas.Agro em alerta, Serviços em altaNem o agronegócio escapa da pressão. Mesmo com perspectivas favoráveis a médio prazo devido à competitividade em proteínas e laticínios, o produtor rural enfrenta atualmente custos altos, incertezas climáticas e dificuldade de repassar preços. O relatório indica que o crédito caro travou o apetite por investimentos na expansão das safras, deixando o setor na defensiva.Os dados apontam que os produtores de defensivos e fertilizantes estão sendo impactados pela queda nas commodities e pelo risco climático, enquanto enfrentam a concorrência chinesa. Já os frigoríficos aguardam a retomada de exportações para a China para voltar a contratar.Nos segmentos menos sensíveis ao crédito, o consumo segue resiliente, como é o caso de farmácias, educação, turismo e alimentação fora do lar.O setor de farmácias é impulsionado pelos medicamentos de emagrecimento. Turismo, hotéis e restaurantes operam sob uma recuperação que segue forte no pós-pandemia com a volta da demanda corporativa e do fluxo internacional. Educação segue resiliente por depender mais da renda, embora o ritmo de investimento esteja travado pelo custo de capital.The post Itaú: juro alto faz economia operar em duas velocidades; compare os setores appeared first on InfoMoney.

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