Os fundos imobiliários já funcionam como instrumento de geração de renda no longo prazo, mas ainda não estariam maduros o suficiente para atender a todos os perfis de investidores. Essa é a opinião de Marcelo Fayh, analista CNPI, que vê a indústria atravessando uma fase de consolidação marcada por crescimento acelerado, aumento da escala dos fundos e maior volatilidade.Para Fayh, o principal desafio está no processo de amadurecimento da própria indústria. “O fundo imobiliário como um instrumento previdenciário, ele já serve, já funciona”, afirmou. Mas, diante do atual estágio de desenvolvimento do mercado, “ele não serve para todo mundo”, principalmente pela volatilidade e pelas transformações pelas quais os fundos ainda passam.Essa busca por escala dos FIIs, porém, pode trazer efeitos colaterais. Fayh afirma que existe um dilema empresarial para os gestores: manter um crescimento mais controlado ou acelerar a expansão para não perder espaço em um eventual processo de consolidação.“Então, nessa busca por crescimento, às vezes acontecem atropelos”, disse. Segundo ele, em determinadas situações, o fundo pode assumir riscos maiores do que aqueles que o cotista estaria disposto a assumir, justamente para viabilizar o crescimento desejado pelo gestor.Para o investidor que utiliza os FIIs como fonte de renda recorrente, esse processo pode ser especialmente desconfortável. Uma mudança relevante na estratégia ou um episódio negativo envolvendo determinado fundo pode gerar insegurança e levar o cotista a tomar decisões em momentos de estresse. Leia Mais: Conheça os 5 shoppings que o FII do Pátria acaba de adicionar à carteiraMaturidade pode reduzir volatilidadeNa visão do analista, esse cenário tende a mudar conforme a indústria avance para uma fase mais madura. Fayh não espera que o crescimento acelerado continue indefinidamente e acredita que, em algum momento, o mercado encontrará um ritmo mais estável.“O crescimento não é acelerado para sempre, não existe isso. Não tem como. Em algum momento o mercado encontra o seu tamanho, a sua velocidade de cruzeiro.”Esse processo, segundo ele, pode levar vários anos. Com a maturação, a expectativa é de movimentos menos bruscos, estruturas mais conhecidas pelos investidores e maior previsibilidade.Nesse cenário, Fayh projeta um mercado imobiliário com ativos de maior escala, forte lastro em imóveis e menor volatilidade, características que poderiam ampliar o público interessado nos fundos. “Quando chegar nessa fase, o imobiliário vai ser extremamente confortável, com ativos gigantes, um lastro imobiliário fantástico, muito menos volatilidade e isso vai atrair cada vez mais investidores.”FIIs podem superar ações em número de investidoresFayh também projeta uma expansão expressiva da base de investidores em fundos imobiliários. Segundo ele, a combinação entre distribuição recorrente e renda mensal cria um apelo particularmente forte para quem busca construir uma carteira voltada à geração de renda no longo prazo.“Eu já falo isso há bastante tempo: terá mais investidor em fundo imobiliário do que se tem em ações”, afirmou.Ao falar sobre construção de portfólio, Fayh defende uma carteira relativamente concentrada, mas com diversificação suficiente para diluir riscos. Para ele, uma faixa entre 10 e 20 fundos é adequada na maioria dos casos.“Eu gosto de ter entre 10 e 20 ativos na carteira. Mais do que 20 eu não gosto. Pulveriza demais.” O argumento do analista é que, acima desse número, algumas posições podem se tornar pequenas demais para fazer diferença no resultado da carteira, enquanto continuam exigindo tempo de acompanhamento e análise.Leia Mais: FII logístico leva calote de empresa em RJ que responde por 5,8% da receitaConfira o episódio completo na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas. The post “Vai virar ativo previdenciário”: Analista prevê FIIs superando ações em investidores appeared first on InfoMoney.
