A Record cancelou o debate presidencial previsto para domingo (27) depois que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) decidiram não participar. A ausência dos dois líderes das pesquisas reforça uma estratégia recorrente entre candidatos de evitar confrontos quando o risco de desgaste parece maior que o ganho de exposição.Como a participação não é obrigatória, as campanhas fazem uma conta simples de risco. Quem já tem eleitorado consolidado pode preferir preservar a vantagem, enquanto candidatos menores usam o debate para ganhar visibilidade e atacar os favoritos.A história eleitoral brasileira mostra que essa estratégia não é nova. Fernando Collor faltou a debates no primeiro turno em 1989. Fernando Henrique Cardoso evitou confrontos em 1998. Lula fez o mesmo em 2006, quando sua ausência no debate da Globo virou um dos principais assuntos da campanha.Leia tambémAtlasIntel: Flávio ou Lula, quem leva vantagem nos 3 maiores colégios eleitoraisLula lidera numericamente em Minas e no Rio; Flávio abre vantagem em São Paulo, enquanto disputas estaduais ajudam a explicar diferenças regionaisPreocupado com eleição, Lula antagonizou com Trump na ONU, avaliam especialistasSem citar Trump, Lula afirmou em discurso que o momento pede que optemos por “soberania ou subordinação”O cálculo de Lula e FlávioOs dois chegam ao debate com riscos diferentes. Lula é presidente e tende a ser cobrado pela economia, pelo governo e por crises recentes, como o caso Banco Master e os embates no STF. Flávio, por sua vez, ainda precisa ampliar conhecimento e consolidar sua imagem fora do eleitorado bolsonarista, mas também pode virar alvo de candidatos da própria direita.No debate da Band, em agosto, os dois faltaram e continuaram no centro dos ataques. Renan Santos, Ronaldo Caiado e outros participantes concentraram críticas justamente em Lula e Flávio.Flávio também passou a condicionar sua presença à participação de Lula, reduzindo o incentivo para comparecer sozinho a um palco em que seria o principal alvo.Para quem lidera, o debate pode custar maisO debate oferece pouco controle sobre o ambiente. Uma resposta ruim, uma acusação inesperada ou uma gafe pode virar o principal assunto da campanha e circular por dias nas redes sociais. Para candidatos já conhecidos e bem posicionados, esse risco pode superar o benefício de algumas horas de exposição na TV.Para nomes menores, ocorre o contrário. O debate oferece uma das poucas oportunidades de falar para o eleitorado dos adversários e gerar cortes com grande circulação digital.Esse efeito ficou mais forte com as redes sociais. Hoje, um momento de poucos segundos pode alcançar milhões de pessoas que nem assistiram ao programa completo.A ausência também tem custoFaltar, porém, não elimina o desgaste. Em 2006, Lula deixou de ir ao debate da Globo e teve sua cadeira mantida no cenário. Geraldo Alckmin, então adversário, passou a chamá-lo de “fujão”.A diferença é que campanhas líderes costumam considerar esse custo administrável quando comparado à possibilidade de sofrer danos ao vivo.Em 2026, Lula e Flávio também contam com alternativas para falar diretamente ao eleitor. Redes sociais, entrevistas, podcasts, comícios e vídeos próprios permitem escolher ambiente, duração e interlocutor sem dividir o espaço com adversários.A decisão da Record não foi isolada. Outros debates deste ciclo já foram cancelados ou esvaziados após desistências dos principais candidatos.O movimento também apareceu nas disputas estaduais. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas deixou de participar de um debate da Record contra Fernando Haddad, e a emissora transformou o espaço em entrevista com o petista.A estratégia é semelhante. Candidatos em posição confortável têm menos incentivo para entrar em situações imprevisíveis.The post Lula e Flávio evitam debates: o que explica a estratégia dos líderes appeared first on InfoMoney.
