Suposto vazamento expõe agentes do FBI ligados a China, Rússia e terrorismo

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Dados do FBI supostamente roubados pelo grupo de hackers ShinyHunters contêm detalhes minuciosos sobre as atribuições de dezenas de funcionários do órgão, incluindo trabalhos sensíveis relacionados a espiões chineses, serviços de inteligência russos, cartéis de drogas e outras frentes de atuação, segundo apurou a Reuters.A planilha de 5 mil linhas — que, segundo os hackers, representa apenas uma pequena parte do acervo de dois a três terabytes que alegam possuir — inclui nomes, endereços, números de telefone, datas de nascimento, números de previdência social e contatos de emergência do que afirmam ser milhares de funcionários do FBI. O material também reúne informações sobre lotações em escritórios regionais específicos e, em alguns casos, em unidades responsáveis por atividades de inteligência, segurança e contraespionagem.Em comunicado, o FBI afirmou estar ciente de “um grupo criminoso cibernético que alega ter invadido o portal FBIJobs.gov e de um suposto impacto sobre as informações de identificação pessoal dos funcionários do FBI”. O órgão acrescentou que a causa da violação ainda não foi determinada, mas que está “investigando o caso de forma ativa e agressiva”.Os hackers afirmaram na terça-feira ter invadido o FBI e roubado dados de um grande número de funcionários e ex-funcionários da agência. O grupo ShinyHunters disse estar mantendo os dados como reféns até que o FBI retire uma declaração desfavorável sobre o grupo emitida em maio.O ex-agente de contraespionagem do FBI Eric O’Neill afirmou que os dados supostamente roubados seriam “uma mina de ouro para serviços de inteligência estrangeiros”.“A China teria enorme interesse em saber quem são as pessoas que estão trabalhando contra ela”, disse O’Neill, fundador da empresa de cibersegurança Nexasure AI após sua passagem pelo FBI. Segundo ele, outros serviços de inteligência hostis e até extremistas insatisfeitos nos Estados Unidos também estariam interessados em obter as informações.“Se eu estivesse nessa lista, ficaria muito preocupado”, afirmou.O ShinyHunters declarou, em comunicado divulgado nesta quarta-feira, que tenta impedir que as informações pessoais circulem amplamente.“Se os 5.000 registros da amostra vazarem, não será por nossa culpa”, disse o grupo.Embora a Reuters não tenha conseguido autenticar toda a planilha, a agência verificou individualmente os dados de mais de 22 pessoas, cruzando as informações vazadas com registros de crédito e outros vazamentos divulgados anteriormente pela plataforma de inteligência da dark web District 4 Labs.Combate ao terrorismo, contraespionagem e vigilânciaParte das atribuições citadas nos dados do ShinyHunters corresponde a atividades que os próprios funcionários poderiam mencionar publicamente, como atuação em escritórios regionais do FBI em Baltimore ou Newark, no estado de Nova Jersey. Outros registros se referem a áreas amplamente conhecidas, como o Centro de Denúncias de Crimes na Internet e a academia do FBI em Quantico, na Virgínia.Em alguns casos, porém, os dados fazem referência a unidades ou iniciativas do FBI que eram confidenciais ou cuja existência não havia sido divulgada anteriormente.Os registros citam 14 funcionários dedicados a temas relacionados à China, incluindo integrantes da “Unidade de Organizações Criminosas da China”, da “Unidade de Análise de Transferência de Tecnologia da China” e da “Seção de Inteligência da China”.Outros nove aparecem em funções relacionadas à Rússia, incluindo dois integrantes da “Seção de Operações da Rússia” e um profissional que trabalha com “Ameaças à Infraestrutura Crítica e à Tecnologia da Rússia”. Três pessoas são descritas como atuando em atividades de inteligência voltadas ao Irã ou ao Hezbollah.Outros 18 funcionários aparecem ligados a tecnologias de “interceptação de dados” ou “interceptação de telecomunicações”, à unidade de “operações técnicas clandestinas” do FBI, à “seção de acesso secreto” ou a atividades de vigilância por vídeo, áudio e meios eletrônicos.Mais 11 funcionários estão associados a funções de HUMINT, sigla para inteligência humana, incluindo profissionais vinculados à “Seção de Gestão de Programas de Humint”.Trevor Hilligoss, ex-investigador do Exército que trabalhou com o FBI, disse que as informações que ligam pessoas identificadas nominalmente a operações de inteligência humana são particularmente preocupantes.“Não é preciso procurar muito para encontrar exemplos de agentes infiltrados que sofreram consequências depois que sua identidade foi descoberta”, afirmou.Hilligoss, atualmente diretor de inteligência da empresa de cibersegurança SpyCloud, disse que suas preocupações aumentam pela presença de contatos de emergência — muitas vezes cônjuges ou filhos — que podem ter menos conhecimento sobre procedimentos de segurança operacional do que familiares envolvidos em atividades sensíveis.A Reuters não conseguiu confirmar se todas as atribuições de cargo eram autênticas ou estavam atualizadas. Ainda assim, comparou informações profissionais de oito pessoas citadas no vazamento com documentos judiciais, reportagens, perfis públicos no LinkedIn e publicações em redes sociais, como o Instagram.The post Suposto vazamento expõe agentes do FBI ligados a China, Rússia e terrorismo appeared first on InfoMoney.

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