Afya e Yduqs unem forças e criam gigante da educação: o que muda para ações e setor?

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A anunciada – e tão esperada – combinação de negócios entre Afya e Yduqs (YDUQ3) tem potencial para remodelar o setor brasileiro de educação superior ao criar a maior plataforma do segmento no país, combinando a liderança da Afya em medicina com a escala e a diversificação da Yduqs.Para analistas, o racional estratégico da operação, além dos ganhos financeiros imediatos, surge em um momento de maior pressão regulatória no ensino à distância (EAD), aumento da competição em medicina e crescente demanda dos investidores por empresas maiores e mais líquidas.Pelos termos anunciados, os acionistas da Yduqs ficarão com 31% da companhia combinada e os da Afya com 69%. A operação será feita por troca de ações e inclui ainda a distribuição de R$ 750 milhões em dividendos aos acionistas da Yduqs antes do fechamento. A empresa resultante teria valor de mercado implícito próximo de R$ 9,5 bilhões e cerca de 5,9 mil vagas de medicina aprovadas, o equivalente a aproximadamente 12% da capacidade nacional e 16,6% das vagas privadas do país.Segundo a XP, a transação tem potencial para gerar R$ 2,1 bilhões em valor presente líquido (VPL) em sinergias, valor equivalente a cerca de 20% do valor de mercado da empresa combinada. O Itaú BBA chegou à mesma estimativa de valor, enquanto o JPMorgan calculou um valor mais conservador, de R$ 1,7 bilhão a R$ 1,8 bilhão. Em todos os casos, porém, os analistas concordam que os ganhos de eficiência devem ser uma das principais teses da fusão.Uma nova líder da educaçãoA principal lógica estratégica da transação é a complementaridade dos negócios. Na sua história, a Afya construiu uma plataforma voltada para cursos de medicina e educação continuada para médicos, enquanto a Yduqs reúne marcas conhecidas no ensino superior, como Estácio, Wyden, Ibmec e a própria rede de medicina IDOMED. A combinação cria uma empresa mais diversificada e menos dependente de um único segmento educacional.O JPMorgan destaca que a nova companhia passará a ter uma mistura de negócios considerada mais premium, com cerca de dois terços do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) vindo de medicina e educação médica continuada, áreas que costumam apresentar margens mais elevadas e menor volatilidade do que o ensino superior tradicional. O banco também avalia que a empresa ganhará liquidez e relevância para investidores institucionais, um fator importante em um setor que perdeu atratividade na bolsa nos últimos anos.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quintaÍndices futuros dos EUA recuam com Treasuries ampliando ganhos Já a XP avalia que a operação fortalece o setor justamente em um momento de incertezas regulatórias para o EAD. Na visão da corretora, a maior escala pode ajudar a companhia combinada a navegar mudanças regulatórias e enfrentar a concorrência crescente no segmento de medicina.O que a fusão significa para as açõesEntre os analistas, a visão é de que a combinação tem valor estratégico relevante, mas há divergências sobre quem captura a maior parte dos benefícios econômicos.A XP estima que os termos do acordo implicam potencial de valorização próximo de 20% para a Yduqs em relação ao fechamento anterior ao anúncio. Já o Itaú BBA calcula que, mesmo antes das sinergias, a participação de 31% negociada para os acionistas da Yduqs representa um prêmio de cerca de 6% em relação ao valor de mercado das companhias. Quando incorporadas as sinergias estimadas de R$ 2,1 bilhões, o potencial de valorização poderia chegar a aproximadamente 30% para os acionistas da Yduqs e 20% para os da Afya.O JPMorgan também vê uma assimetria favorável para a Yduqs, estimando potencial de alta de cerca de 6,4% apenas para que os papéis atinjam paridade com os termos da transação.Já o Bradesco BBI tem uma leitura um pouco diferente. Embora classifique o negócio como positivo para ambas as empresas, citando a forte lógica estratégica, o potencial de sinergias, os dividendos extraordinários e o aumento de liquidez das ações, o banco entende que a Afya foi a principal beneficiada pela relação de troca acordada. Segundo seus cálculos, uma divisão baseada em valor justo resultaria em uma participação de 64% para os acionistas da Afya e 36% para os da Yduqs, e não os 69% e 31% acordados. Na avaliação dos analistas, os ganhos de sinergia acabam compensando esse efeito para os acionistas da Yduqs, tornando o impacto mais equilibrado para a companhia brasileira.O BBI chegou a elevar a recomendação da Afya para equivalente à compra (Outperform), afirmando que a transação poderia elevar seu preço-alvo de US$ 17 para US$ 21. Para a Yduqs, porém, o banco considera que o impacto é mais neutro, já que um potencial preço-alvo pós-fusão de R$ 17 ficaria alinhado ao objetivo atual para os papéis.As sinergias no centro da teseParte do valor da operação depende da captura das sinergias. A XP estima que a maior fatia dos ganhos virá da redução de 10% das despesas administrativas e corporativas, o que sozinho representaria R$ 2,4 bilhões em valor presente líquido. O JPMorgan também vê o corte de custos corporativos como a principal fonte de criação de valor, estimando economia anual próxima de R$ 200 milhões.O Bradesco BBI destaca que as sinergias anunciadas entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões representam cerca de 22% a 24% da soma dos valores de mercado das duas empresas, magnitude considerada expressiva para uma operação de consolidação no setor educacional.Impacto para o setorA operação, apontam os analistas, sinaliza uma nova fase de consolidação na educação brasileira. A avaliação é de que criar um líder nacional com forte presença em medicina reforça a percepção de que os ativos ligados à educação médica se tornaram os mais valiosos do setor, graças às maiores margens, barreiras regulatórias e menor exposição às pressões enfrentadas pelo ensino superior tradicional.A combinação também cria uma empresa com perfil mais próximo de plataformas globais de educação premium. Para a XP, a nova companhia ganha escala para enfrentar as incertezas regulatórias do ensino à distância e o aumento da concorrência em medicina. Já o Itaú BBA destaca que a união fortalece uma plataforma mais diversificada, combinando a liderança da Afya em medicina com o amplo portfólio de ensino superior da Yduqs.O Bradesco BBI, por sua vez, destaca que um dos efeitos mais importantes para o mercado pode ser o aumento da liquidez das ações. Segundo o banco, o volume médio diário negociado da empresa combinada poderia alcançar cerca de R$ 70 milhões, ante aproximadamente R$ 36 milhões da Yduqs e apenas R$ 7 milhões da Afya atualmente. Para os investidores, isso tende a tornar a ação mais atrativa para fundos institucionais e estrangeiros.Além disso, os analistas do banco projetam que a nova companhia poderá oferecer remuneração relevante aos acionistas. Considerando uma política de distribuição equivalente a 50% do lucro, o dividend yield poderia chegar a aproximadamente 8% em 2028, sem considerar os ganhos adicionais de sinergia.The post Afya e Yduqs unem forças e criam gigante da educação: o que muda para ações e setor? appeared first on InfoMoney.

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