Xi aproveita lua de mel com Trump para testar limites dos EUA sobre Taiwan

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A recepção luxuosa oferecida por Donald Trump a Xi Jinping nesta semana marcou um dos momentos mais estáveis da relação entre Estados Unidos e China nos últimos anos. Agora, o líder chinês tenta aproveitar esse período de aproximação para consolidar condições mais favoráveis em temas sensíveis como Taiwan e comércio.Xi pressionou Trump na quinta-feira a limitar o apoio americano a Taiwan, ao mesmo tempo em que indicou disposição para ampliar a distensão comercial entre as duas maiores economias do mundo.Os avanços potenciais para Pequim surgiram em meio a dois dias de trocas de afagos entre os líderes. O encontro incluiu até mesmo um passeio de Xi a bordo do helicóptero presidencial americano. Trump declarou que os dois “nunca se deram tão bem”, enquanto Xi celebrou a “agenda sem precedentes” de reuniões realizadas pelos dois neste ano.O próximo encontro ocorrerá em novembro, logo após as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, anunciou Trump.Os republicanos correm o risco de perder o controle do Congresso, segundo pesquisas que mostram a aprovação de Trump em níveis historicamente baixos. Uma mudança no equilíbrio político poderia fortalecer vozes favoráveis a medidas mais duras contra a China, incluindo maior apoio a Taiwan, controles mais rígidos de exportação e restrições adicionais a empresas chinesas.“Xi quer obter garantias de que Trump continuará tratando a questão de Taiwan com extrema cautela”, afirmou Wu Xinbo, diretor do Centro de Estudos Americanos da Universidade Fudan, em Xangai. “A dúvida para a China é se essa política poderá continuar depois das eleições de meio de mandato.”Até agora, Trump não respondeu publicamente ao pedido de Xi para que Washington adote explicitamente uma posição de oposição à independência de Taiwan.O embaixador dos EUA na China, David Perdue, disse à Fox News que a posição americana permanece inalterada.“Não apoiamos a independência”, afirmou. “Mas também não apoiamos coerção.”A China também ainda não confirmou oficialmente a extensão da trégua comercial anunciada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. Já o representante comercial americano, Jamieson Greer, disse à CNBC que novos detalhes podem ser divulgados já na segunda-feira.Qualquer acordo anunciado nos próximos dias ajudará a mostrar se Xi voltou para Pequim com algo mais valioso do que a estátua de águia-careca que recebeu de presente de Trump.“Talvez estejamos vivendo o momento de máxima distensão”, disse Rana Mitter, especialista em relações EUA-China da Universidade Harvard. “Mas, em termos de mudanças concretas de política, ainda não chegamos lá.”Diplomacia de jantarO principal jornal do Partido Comunista Chinês estampou em sua capa fotografias da recepção de Xi no aeroporto e do encontro no Salão Oval, dedicando três páginas à cúpula.Trump, de 80 anos, elogiou a saúde de Xi, de 73 anos, chamando-o de “forte, vibrante e em forma”. Também permitiu que o líder chinês destacasse a cooperação entre os dois países contra o Japão durante a Segunda Guerra Mundial e evitou abordar publicamente questões mais sensíveis, como direitos humanos.Antes do fim da visita, Trump presenteou Xi com um álbum de fotografias da viagem.Apesar da cordialidade, permaneceram sinais claros dos limites da aproximação.No jantar oficial, Xi sentou-se ao lado de Jensen Huang, CEO da Nvidia, cujos semicondutores mais avançados para inteligência artificial continuam proibidos para venda na China. A ausência de executivos chineses entre os cerca de 130 convidados também evidenciou a resistência americana a investimentos corporativos vindos de Pequim.Além disso, a extensão da trégua comercial por apenas dois meses ficou aquém dos seis meses que haviam sido discutidos anteriormente.A China continua sujeita à mais elevada tarifa efetiva aplicada pelos EUA entre seus principais parceiros comerciais, cerca de 23%, contra aproximadamente 7% para o restante do mundo, segundo cálculos do Barclays.Taiwan segue no centro da disputaA questão de Taiwan continua sendo o principal teste político da relação bilateral.Pequim quer que Washington abandone a formulação tradicional de que “não apoia” a independência de Taiwan e passe a declarar explicitamente que “se opõe” à independência da ilha.Uma mudança desse tipo provavelmente provocaria reação bipartidária no Congresso americano, tradicionalmente favorável ao fortalecimento militar de Taiwan.Para Jeremy Chan, analista da Eurasia Group, Trump dificilmente alterará a política dos EUA.“Os dois lados parecem razoavelmente satisfeitos em manter o status quo”, afirmou.Segundo ele, também é improvável que um pacote de US$ 14 bilhões em vendas de armas para Taiwan seja aprovado antes da cúpula do G20, em dezembro.Para a China, porém, o sucesso não depende necessariamente de uma mudança formal na política americana. Atrasos contínuos na venda de armamentos e a redução dos contatos de alto nível com Taipei já seriam suficientes para ampliar sua influência no longo prazo.Xi deixou claro que está pensando além do atual governo americano.Ao citar a expressão usada por Pequim para caracterizar a fase atual das relações bilaterais, afirmou que a “estabilidade estratégica construtiva” não deve ser encarada como uma solução temporária ou de curto prazo.A maior carta chinesa continua sendo seu domínio sobre a produção de terras raras, insumos essenciais para produtos como celulares, veículos elétricos, equipamentos industriais e mísseis.Segundo dados da Bloomberg Economics, os Estados Unidos e grande parte do mundo deverão continuar dependentes dos ímãs produzidos na China até pelo menos a próxima década.© 2026 Bloomberg L.P.The post Xi aproveita lua de mel com Trump para testar limites dos EUA sobre Taiwan appeared first on InfoMoney.

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