Presença militar dos EUA no Iraque termina após 23 anos; veja como foi o período

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Nesta quarta-feira (30) é a data final para a retirada completa da presença militar dos Estados Unidos no Iraque, um dos termos de um acordo de transição assinado em 2024. Embora os americanos estejam no país árabe desde 2023, não há combatentes lá desde 2021 – apenas um contingente de 2,5 mil soldados que cumprem missões de logística e treinamento.O cumprimento do acordo, portanto, vai colocar fim a 23 anos de atividades dos militares dos EUA no país, processo que começou como uma das respostas aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2021 em Nova York e Washington e que gerou cerca de 315 mil mortes diretas e custou US$ 1,79 trilhão aos cofres americanos (somados os gastos no Iraque e na Síria).Leia mais: EUA removem sanções de empresas do Iraque ligadas a Guarda Revolucionária do IrãCerca de 4,5 mil militares dos Estados Unidos morreram em combates ou ataques de insurgentes no país árabe desde 2003.O InfoMoney preparou uma síntese dos acontecimentos que levaram os Estados Unidos a invadir e permanecer no Iraque durante mais de duas décadas:Anos 1990 – Guerra e armas proibidasA invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990 terminou com a derrota do Iraque por uma coalizão liderada pelos EUA na Guerra do Golfo Pérsico (1990-1991). O ramo iraquiano do Partido Ba’ath, liderado por Saddam Hussein, se manteve no poder e passou a suprimir revoltas da minoria curda do país e da maioria árabe xiita. Os aliados criaram um área de exclusão aérea no norte do Iraque para evitar ataques a refugiados e a ONU passou a implementar sanções econômicas contra o país para dificultar o progresso de seus programas de armas nucleares, biológicas e químicas. Mas o Iraque manteve os programas, o que motivou em 1998 o bombardeio pelos EUA de várias instalações militares iraquianas (Operação Raposa do Deserto), durante o governo de Bill Clinton. O Iraque tornou cada vez mais difícil a entrada de inspetores internacionais.2001/2002 – Acusações de terrorismoApós os ataques nos EUA em 11 de setembro de 2001, a estratégia de combate global ao terrorismo implementada no governo de George W. Bush incluiu o Iraque de Saddam Hussein como potencial alvo. Os EUA argumentaram que o Iraque fabricava há anos armas de destruição em massa (a suposição foi desmentida anos depois) e que o apoio iraquiano a grupos terroristas, como a al-Qaeda, trazia riscos ao país. Em 17 de março de 2003, Bush declarou o fim da diplomacia e emitiu um ultimato a Saddam, dando ao presidente iraquiano 48 horas para deixar o Iraque. Os líderes da França, Alemanha, Rússia e outros países se opuseram a essa escalada em direção à guerra.2003 – GuerraUm soldado norte-americano observa enquanto uma estátua do presidente do Iraque, Saddam Hussein, cai na Praça Firdos, no centro de Bagdá – 09/04/2003 (Foto: REUTERS/Goran Tomasevic/Foto de arquivo)Saddam se recusou a deixar o Iraque e as forças dos EUA e aliadas lançaram um ataque na manhã de 20 de março de 2003. Primeiro, lançaram várias bombas de precisão sobre um complexo de bunkers onde se acreditava que o presidente iraquiano estivesse reunido com sua alta cúpula. Depois, foi feita uma série de ataques aéreos contra instalações governamentais e militares. Poucos dias depois, as forças dos EUA invadiram o Iraque a partir do Kuwait. Parte das tropas iraquianas optou por não resistir ao avanço das forças da coalizão. O governo de Saddam Hussein foi defendido ao sul por grupos irregulares de apoiadores do Partido Ba’ath, conhecidos como Fedayeen de Saddam. No centro do país, incluindo a capital Bagdá, as defesas ficaram sob a responsabilidade da Guarda Republicana — um grupo paramilitar fortemente armado. O Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA avançou para noroeste pelo vale dos rios Tigre-Eufrates e contornou muitas áreas povoadas onde a resistência dos Fedayeen era mais forte. Em 4 de abril, os americanos tomaram o controle do aeroporto internacional de Bagdá e, no dia 9, a defesa da capital entrou em colapso – os britânicos tomaram Basra no mesmo dia. A cidade natal de Saddam, Tikrit, ficou como o último grande reduto do regime, mas caiu com pouca resistência em 13 de abril. Saddam Hussein foi capturado em 13 de dezembro de 2003. Ele foi condenado por crimes contra a humanidade e executado em 30 de dezembro de 2006.OcupaçãoUm soldado norte-americano passa por um ônibus queimado no local de um atentado a bomba no norte de Bagdá, Iraque – 08/12/2009 (Foto: REUTERS/Thaier al-Sudani/Foto de arquivo)Com a queda do regime baathista, os EUA passaram a apoiar os xiitas, mas a violência sectária no Iraque deixou ao país numa condição de guerra civil, com ondas de saques a prédios governamentais e outras instituições públicas, além de surtos de violência em represália à antiga elite dominante. As tropas americanas e aliadas passaram a realizar operações para restaurar a ordem interna e, com isso, viraram alvos constantes de ataques de guerrilhas. As baixas de guerra, que foram de pouco mais de 100 combatentes na fase inicial do conflito, passaram para a conta dos milhares: chegaram a cerca de 1.000 na época da eleição presidencial americana em novembro de 2004, mas ultrapassaram 3.000 no início de 2007. Nesse período, a primeira e a segunda batalhas de Fallujah foram especialmente intensas. O número de iraquianos militares e civis que morreram durante o conflito é incerto – os números variam de 40 mil a cerca de 315 mil.Aumento de tropasEmbora aumentassem os debates internos nos EUA sobre a necessidade de os militares  permanecerem no Iraque, o presidente Bush anunciou em janeiro de 2007 um plano para aumentar temporariamente o número de tropas dos EUA no país em mais de 20.000, um esforço que ficou conhecido como “the surge” (aumento de tropas). Acredita-se que, no auge da ocupação, em 2007, os EUA tinham 505 bases e cerca de 170 mil soldados no Iraque. Enquanto o número de baixas americanas atingia seu auge, surgia no Iraque o movimento conhecido como “Despertar Sunita”, qual tribos sunitas que antes lutavam contra as tropas dos EUA eventualmente passaram a ajudar a combater outros insurgentes, em especial os ligados à al-Qaeda. No final da gestão Bush, foi assinado um acordo para que as tropas dos EUA se retirassem do país até 31 de dezembro de 2011. O recém-eleito presidente dos EUA, Barack Obama, antecipou o cronograma e ,em agosto de 2010, a última brigada de combate retirou-se do Iraque. No entanto, cerca de  50.000 soldados americanos permaneceram no Iraque para atuar como força de transição.Combate ao Estado IslâmicoEm 2014, o Estado Islâmico avançou para o Iraque a partir da Síria e tomou partes da província de Anbar, expandindo-se para o norte do país e capturando Mosul em junho de 2014. Naquele ano, o então presidente Barack Obama autorizou ataques aéreos direcionados contra militantes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, e os militares americanos voltaram ao Iraque para usar o país como base de ataques ao grupo islâmico na Síria, num coalizão internacional de quase oitenta países para combater o grupo terrorista. Forças regionais — incluindo cerca de trinta mil soldados iranianos — juntaram-se ao exército iraquiano, tribos locais e aos curdos Peshmerga em operações para retomar território do Estado Islâmico. Eles recapturaram Tikrit em abril de 2015, Ramadi em dezembro de 2015, Fallujah em junho de 2016 e Mosul em julho de 2017. O governo iraquiano declarou vitória sobre o grupo em dezembro daquele ano e as tropas estrangeira começaram a se retiram novamente. Desde 2018, os EUA mantêm cerca de 2.500 soldados no país, como parte de uma missão de treinar, aconselhar e auxiliar o exército iraquiano no combate ao terrorismo doméstico.Como está a situação local hoje?Os soldados americanos restantes no Iraque têm sido alvo de ataques consistentes em suas bases, como a Base Aérea de Al-Asad no oeste do Iraque. Sob o acordo com a retirada total dos militares dos EUA, o Iraque prometeu colocar as milícias iraquianas apoiadas pelo Irã sob a autoridade do Estado. Mas os grupos armados mais radicais até agora não deram indicação de que estão dispostos a entregar suas armas e se integrar às forças armadas do país. E o Iraque enfrenta um ambiente complexo de segurança e economia, equilibrando expectativas concorrentes de Washington e Teerã, enquanto continua a enfrentar a insurgência do ISIS e a gerenciar milhares de detentos afiliados ao Estado Islâmico.(Fontes: Global Conflict Tracker, Atlantic Council, Reuters, AP)The post Presença militar dos EUA no Iraque termina após 23 anos; veja como foi o período appeared first on InfoMoney.

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