Os três maiores colégios eleitorais do país chegam à reta final da eleição com desenhos bastante diferentes nas disputas estaduais. São Paulo tem Tarcísio de Freitas (Republicanos) acima dos 50% dos votos totais; no Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) mantém a dianteira, mas Douglas Ruas (PL) se aproxima; e, em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera uma corrida em que Patrus Ananias (PT) consolidou a segunda colocação.Juntos, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram quase 40% do eleitorado brasileiro em 2026, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. São 34,1 milhões de eleitores em São Paulo, 16,4 milhões em Minas e 12,9 milhões no Rio.A nova rodada AtlasIntel/Estadão, divulgada nesta terça-feira (29), mostra também um ponto comum entre os três estados: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é desaprovado pela maioria dos entrevistados em todos eles. A rejeição à gestão federal chega a 56% em São Paulo e no Rio e a 53% em Minas.Leia tambémAtlasIntel: Lula lidera por 3 pontos no 1º turno; Flávio fica 0,1% à frente no 2ºPresidente mantém vantagem numérica na primeira etapa, mas ambos os candidatos recuam em relação à rodada anteriorLula resiste a ir a debate da Globo e quer adiar confronto com Flávio para 2º turnoCandidato do PL confirmou que vai participar de encontro independetemente da presença de petistaO efeito desse ambiente, porém, não se reproduz de maneira automática nas disputas locais. Enquanto Fernando Haddad (PT) aparece atrás de Tarcísio em São Paulo, Paes lidera no Rio mesmo mantendo aliança com Lula. Em Minas, Patrus ocupa a segunda posição, atrás de Cleitinho.São Paulo: Tarcísio acima dos 50%São Paulo apresenta a maior vantagem entre os líderes dos três estados. Tarcísio registra 53,3% das intenções de voto, contra 40,1% de Haddad. Os demais candidatos somam apenas 1,8%, enquanto brancos e nulos são 3,1% e 1,7% não souberam responder.A distância entre os dois é de 13,2 pontos percentuais. O levantamento mostra ainda uma correspondência numérica entre o desempenho eleitoral de Tarcísio e sua avaliação. O governador é aprovado por 53% dos paulistas, praticamente o mesmo percentual dos 53,3% que declaram voto nele. Outros 39% desaprovam sua gestão.A situação de Lula no estado é inversa. O presidente tem aprovação de 42% e desaprovação de 56%.Essa combinação ajuda a dimensionar o ambiente em que Haddad disputa a eleição. O petista enfrenta um governador aprovado por pouco mais da metade dos entrevistados e, ao mesmo tempo, carrega a vinculação com um governo federal que tem saldo negativo de avaliação entre os paulistas.Rio: Paes lidera, mas Ruas reduz espaçoNo Rio de Janeiro, a configuração é diferente. Eduardo Paes aparece com 44,1%, contra 35,7% de Douglas Ruas. Anthony Garotinho (Republicanos) registra 6,3%, André Marinho (Novo), 3,8%, William Siri (PSOL), 3%, Juliete (UP), 1,3%, e Cyro Garcia (PSTU), 0,7%.A diferença entre Paes e Ruas é de 8,4 pontos percentuais, menor do que a registrada entre Tarcísio e Haddad em São Paulo.O movimento de aproximação do candidato do PL já vinha aparecendo em levantamentos anteriores. Na Atlas divulgada em 23 de setembro, Paes tinha 45,7% e Ruas, 32,4%. Em pesquisas do Datafolha, Ruas também avançou de 19% em agosto para 30% no fim de setembro.Mesmo com esse crescimento do adversário, Paes continua numericamente à frente também no segundo turno. A Atlas mostra o ex-prefeito com 51,1%, contra 42,1% de Ruas.O Rio também ilustra os limites de interpretar a disputa estadual apenas pela aprovação presidencial. Lula tem 43% de aprovação no estado e é desaprovado por 56%, mas Paes, que conta com o apoio do presidente, mantém a primeira colocação.A campanha de Paes tem administrado essa associação de maneira seletiva. O ex-prefeito participa de agendas com Lula, mas também busca preservar uma identidade própria, enquanto Ruas tenta consolidar o eleitorado ligado ao bolsonarismo.Minas: Cleitinho lidera, mas Patrus ocupa espaço maiorMinas Gerais apresenta uma terceira configuração. Cleitinho tem 41,8% das intenções de voto, enquanto Patrus Ananias chega a 33,6%. Mateus Simões (PSD) aparece com 6,2%, seguido por Alexandre Kalil (PDT), com 5%, Flávio Roscoe (PL), com 4,9%, Gabriel Azevedo, com 2,1%, e Ben Mendes, com 2%.A diferença entre os dois primeiros é de 8,2 pontos percentuais.A comparação com levantamentos anteriores da própria Atlas mostra estabilidade de Cleitinho acompanhada por uma consolidação de Patrus como principal adversário. Cleitinho também aparece numericamente à frente nos cenários de segundo turno. Contra Patrus, tem 53,5% ante 40,3%. Diante de Kalil, o senador registra 51,6% contra 35,2%.Entre os três estados, Minas é onde Lula registra sua melhor avaliação, embora ela continue negativa. O presidente é aprovado por 46% dos mineiros e desaprovado por 53%.Essa diferença em relação a São Paulo e Rio coincide com um desempenho mais forte do candidato petista ao governo. Três estados, três lógicas eleitoraisA rodada mostra que a polarização presidencial se combina de formas diferentes com as disputas locais.Em São Paulo, a vantagem de Tarcísio coincide com aprovação majoritária de seu governo e rejeição elevada à administração Lula. No Rio, Paes preserva a liderança mesmo em um estado onde a avaliação do presidente também é majoritariamente negativa. Em Minas, Cleitinho mantém a primeira posição, mas Patrus aparece mais competitivo na Atlas do que em outros institutos.O ponto comum é que nenhum dos três cenários estaduais pode ser explicado apenas pela popularidade de Lula. O peso dos governadores, a força individual dos candidatos e as alianças locais produzem resultados distintos mesmo dentro de uma região que concentra cerca de quatro em cada dez eleitores brasileiros.The post SP, RJ e MG entram na reta final com disputas bem diferentes e ligam alerta de Lula appeared first on InfoMoney.
