O investidor que decide sair dos fundos imobiliários durante um período de incerteza pode até evitar parte das quedas, mas enfrenta outro problema: saber exatamente quando voltar. O levantamento foi elaborado por Marx Gonçalves, Head de Fundos Listados da XP, e Eduardo Bacelar, analista de Fundos Listados.O estudo do Research da XP mostra o comportamento do IFIX nos últimos dez anos, sinalizando que uma parcela pequena dos pregões foi responsável por uma fatia relevante do retorno acumulado do índice — e que ficar de fora justamente nesses momentos pode alterar significativamente o resultado de longo prazo.A análise parte de um exercício contrafactual: o que teria acontecido com o retorno do IFIX caso o investidor não estivesse posicionado nos dias de maiores altas? No período analisado, o índice acumulou 133,9%. Quando são retiradas as três maiores altas diárias, o retorno cai para 107%, uma diferença de 20,1%. No cenário mais extremo, sem as 30 maiores altas, o retorno acumulado recua para 41,7%, 68,8% abaixo do resultado original.O ponto central não é imaginar que um investidor conseguiria prever exatamente quais seriam esses pregões, mas mostrar o impacto potencial de uma estratégia que tenta acertar os momentos de entrada e saída. As três maiores altas representam apenas 0,12% dos pregões analisados, enquanto as 30 maiores correspondem a aproximadamente 1,21% do período. Ainda assim, a ausência nesses poucos dias teria provocado uma diferença expressiva no retorno acumulado ao longo de uma década.Leia Mais: “Novo Mercado” dos FIIs? B3 revela o que vem sendo feito para melhorar governançaNos FIIs de tijolo, o custo de ficar de fora é ainda maiorQuando o mesmo exercício é aplicado ao IFIX-Tijolo, o impacto aumenta. O índice acumulou 150,3% no período analisado, mas o retorno cairia para 113% caso as três maiores altas diárias fossem excluídas — uma redução de 24,8%. Se fossem retirados os 30 melhores pregões, o retorno acumulado seria de 33,3%, contra os 150,3% observados no cenário original.A diferença ajuda a dimensionar o peso de poucos movimentos sobre o desempenho de longo prazo dos fundos de tijolo. No cenário das três maiores altas, a perda relativa já seria superior à observada no IFIX como um todo. Com 30 pregões retirados, a distância aumenta ainda mais, chegando a 77,8%.Esses veículos são mais expostos às oscilações nas expectativas para juros, atividade econômica e mercado imobiliário e, por isso, podem apresentar movimentos mais intensos tanto nas quedas quanto nas recuperações.FIIs de recebíveis também dependem dos pregões de recuperaçãoNos fundos de recebíveis, o efeito é menor, mas continua relevante. O IFIX-Recebíveis acumulou 123,3% no período analisado. Sem as três maiores altas, o retorno cairia para 101,9%, uma redução de 17,3%. No cenário que exclui os 30 melhores pregões, o resultado seria de 39,1%, 68,3% abaixo do retorno integral.A diferença em relação aos fundos de tijolo é coerente com a menor volatilidade apresentada pelo segmento de recebíveis no estudo. Ainda assim, os números mostram que mesmo uma classe com comportamento relativamente mais defensivo não está imune ao impacto de perder alguns pregões importantes.Segundo o Research da XP, isso ajuda a explicar por que o dividend yield, sozinho, não conta toda a história do retorno de um FII. Além dos rendimentos distribuídos, a valorização ou desvalorização das cotas interfere no retorno total do investidor. Quando uma recuperação acontece em poucos pregões, estar posicionado nesses momentos pode fazer diferença relevante no resultado acumulado.Leia Mais: FII da Kinea aprova 13ª emissão e oferta pode somar até R$ 3,12 bi; veja detalhesThe post FIIs: quanto custa perder os melhores dias do mercado? XP mostra impacto appeared first on InfoMoney.
