Caged mostra mercado de trabalho ainda aquecido e desafiando mais cortes na Selic

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O Brasil criou, em agosto, 168,5 mil novos postos de trabalho, resultado acima das projeções dos economistas, que na mediana do mercado apontam um aumento de 106,9 mil vagas. Ao todo, foram 2.294.563 admissões e 2.128.736 desligamentos no período. No acumulado do ano, de janeiro a agosto, o saldo chega a 1.134.033 empregos, alta de 2,41%. O estoque total de vagas formais bateu o recorde de 48,2 milhões de vínculos. Nos últimos 12 meses, o crescimento é de 1,87%, acumulando 887.708 novos postos de trabalho.Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram divulgados nesta terça-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.Fazendo uma análise em conjunto com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, também divulgados nesta terça, os economistas avaliam que o espaço para a continuidade de cortes na taxa básica de juros está cada vez mais desafiador para o Banco Central, que já apontava riscos altistas para a inflação quando decidiu fazer o corte mais recente, levando a Selic a 13,75%.Leia também: Pnad: Ocupação e massa de renda recordes com desemprego a 5,3% pressionam inflação e SelicServiços lideram avanço setorialOs cinco grandes setores da economia tiveram criação de vagas, na comparação mensal, com liderança em Serviços, que abriu 110.346 novos postos de trabalho.Na sequência vieram a Construção (+20.848 vagas), Indústria (+16.613 vagas), Comércio (+16.565 vagas) e Agropecuária (+1.452 vagas). Na análise da 4Intelligence, o acumulado do ano até agosto mostra um saldo total de 24,6% abaixo do saldo de 2025. “Apenas a Construção Civil apresenta crescimento (+2,0%) no acumulado de 2026 em relação ao acumulado do ano passado, muito devido ao ano de eleições, quando há mais contratações destinadas para obras de infraestrutura”, avaliam os economistas.A leitura da 4Intelligence também aponta que o setor de Comércio teve o pior desempenho no acumulado de 2026 em relação ao acumulado de 2025 (-98,5%). “Com juros elevados, o financiamento ao consumo ficou ainda mais caro, e isso pesa nas contratações de setores de bens duráveis, como eletroeletrônicos e móveis, que dependem muito de parcelamento”, dizem, em relatório. Outros pontos destacados pela casa de análises são as questões estruturais como o e-commerce, que transfere vagas para subsetores de Serviços como armazenagem, logística, e transporte. Isso além do avanço das bets até o mês de setembro — já que estudos mostram que os apostadores deixam de consumir vestuário — e do fim da “taxa das blusinhas”, que podem inibir o avanço de vagas formais do setor.Avanço regional e rendaSob a perspectiva regional, a criação de vagas alcançou todas as regiões do país e 24 estados. Em termos absolutos, lideram São Paulo (+42.533), Rio de Janeiro (+20.886) e Pernambuco (+13.428). No acumulado do ano, São Paulo lidera o ranking nacional com 306.883 postos criados, seguido por Minas Gerais (+123.176) e Rio de Janeiro (+77.670).Em relação à renda, o salário médio real de admissão situou-se em R$ 2.410,74 em agosto, mostrando estabilidade em comparação a julho (R$ 2.411,48) e um avanço real de 1,02% (R$ 24,31) ante agosto de 2025.ModeraçãoPara Leonardo Costa, economista do ASA, apesar do número forte em agosto, a leitura dessazonalizada mostra um avanço mais moderado, com geração de 78,9 mil vagas.“O resultado sugere uma leve recuperação na margem da geração de empregos, refletida na melhora da média móvel trimestral. Ainda assim, o ritmo de criação de vagas permanece relativamente fraco quando comparado aos padrões observados ao longo de 2024 e início de 2025”, afirma.Já Antonio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, a leitura mostra “dados fracos”. “Quando a gente olha a média móvel trimestral dessa série de saldo de vagas, ela ainda está abaixo das 100 mil vagas, isso na série com ajuste sazonal, mostrando a fraqueza do mercado formal”, afirma.Desaceleração lentaAriane Benedito, economista-chefe do PicPay, avalia que o mercado formal segue resiliente, mas atravessa uma fase de expansão mais seletiva e menos uniforme.O ritmo médio mensal de criação de empregos deve cair de aproximadamente 110 mil em 2025 para 75 mil em 2026, na avaliação de Rodolfo Margato, economista da XP. Ele atribui o crescimento moderado a um “arrefecimento da demanda e restrições de oferta”, incluindo a escassez de mão de obra na construção e em serviços.Ricciardi reforça a avaliação de uma desaceleração gradual na criação de vagas até o fim do ano. “O mercado de trabalho não mostra ter uma queda abrupta, pelo menos no terceiro trimestre, e tende a ter uma desaceleração gradual até o final do ano”, afirma.Para Costa, a leitura dos dados é compatível com a expectativa de um Produto Interno Bruto (PIB) perto da estabilidade no terceiro trimestre deste ano. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, destaca que o Caged corrobora o diagnóstico de um mercado aquecido, o que contribui para manter a inflação em alta e distante da meta. Esse cenário, combinado à taxa de desocupação na mínima histórica, “reduz o espaço para novos cortes da Selic, em um momento no qual o BC já mantém assimetria altista no balanço de riscos para a inflação”, afirma Kayo.  A projeção do Daycoval é de desemprego em 5,2% (o dado da Pnad apontou 5,3% atualmente) e saldo de vagas no Caged de 900 mil no ano, abaixo do registrado no ano anterior, mas ainda positivo e mostrando a resiliência da atividade econômica, na avaliação do economista da instituição. A projeção da XP também é de saldo de 900 mil ocupações formais em 2026.The post Caged mostra mercado de trabalho ainda aquecido e desafiando mais cortes na Selic appeared first on InfoMoney.

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