Comprar hoje e pagar depois: entenda como funciona a operação a termo de FIIs pela B3

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A B3 vem ampliando o conjunto de ferramentas disponíveis para negociação de fundos imobiliários com o objetivo de fortalecer a liquidez e criar novas alternativas de estratégia para os investidores. Entre as iniciativas está a expansão dos FIIs aceitos em operações a termo, modalidade que permite ao investidor comprar um ativo hoje e deixar o pagamento para uma data futura.Em entrevista sobre a evolução da infraestrutura do mercado, Thalita Forne, superintendente de Produtos Listados da B3, explicou que essas ferramentas, apesar de tradicionalmente associadas a investidores institucionais, já são utilizadas em grande parte por pessoas físicas. “Esses mecanismos, ou seja, essa caixa de ferramentas que a gente coloca à disposição do mercado, a gente tem visto aqui que tem sido muito usado pelas pessoas físicas. Muito mais do que institucional”, afirmou Forne no Liga de FIIs.A expansão das operações a termo ocorre em paralelo a outras iniciativas da bolsa, como a aceitação de FIIs como garantia e o desenvolvimento de derivativos ligados aos fundos imobiliários. Para Forne, a combinação desses instrumentos pode contribuir para criar um mercado mais robusto, no qual diferentes perfis de investidores e produtos complementares ao mercado à vista tenham espaço.“Para um mercado ser saudável, a gente precisa de duas coisas importantes”, disse. Segundo ela, uma delas é garantir a presença de diferentes perfis de investidores nas negociações. Atualmente, cerca de 70% da posição em FIIs está nas mãos de pessoas físicas, enquanto os investidores institucionais respondem por aproximadamente 20%; os 10% restantes são divididos entre não residentes, instituições financeiras e outros participantes.A outra frente envolve justamente a criação de produtos que deem suporte ao mercado à vista. “Eu consegui ter produtos satélites que fortaleçam o mercado à vista. Qual que é o mercado à vista? É o mercado de fundos imobiliários listados“, comenta Forne. Nesse contexto, a operação a termo aparece como uma das ferramentas que podem ampliar as possibilidades de negociação e utilização dos FIIs.Leia Mais: “Novo Mercado” dos FIIs? B3 revela o que vem sendo feito para melhorar governançaComo funciona uma operação a termo com FIIs?Na explicação da executiva, a operação a termo pode ser entendida de maneira simples: uma compra a prazo. O investidor combina hoje a aquisição de determinado fundo imobiliário para uma data futura, estabelecendo previamente o preço da operação, acrescido dos custos financeiros correspondentes ao período.A possibilidade de utilizar os próprios FIIs da carteira como garantia amplia esse mecanismo. Forne exemplifica a situação com um investidor que possui R$ 300 mil em fundos imobiliários, mas não quer vender suas posições porque pretende continuar recebendo os proventos. Nesse caso, os ativos podem ser oferecidos como garantia para viabilizar uma nova operação.A partir daí, esse investidor poderia, por exemplo, contratar uma operação a termo de R$ 100 mil em um FII, mesmo sem ter o dinheiro disponível naquele momento. Os R$ 300 mil em FIIs que já estão na carteira entram como garantia, enquanto a compra é realizada hoje com o compromisso de pagamento em uma data futura. O preço será definido no momento da contratação, considerando a cotação do ativo e a taxa de juros correspondente ao prazo.Na prática, portanto, o preço final não será necessariamente igual à cotação observada na tela no momento da contratação. O investidor paga o preço do ativo naquele momento mais a taxa de juros referente ao período até o vencimento. “O preço que é agora, mais a taxa de juros do período, porque o dinheiro tem valor no tempo”, pontua a executiva. Se a cota subir durante o período, além de receber o eventual provento, o investidor poderá se beneficiar da valorização do ativo. No exemplo dado por ela, uma cota que estivesse na faixa de R$ 9 ou R$ 10 poderia chegar a R$ 13.O cenário contrário também é possível. Se a cota cair mais do que o valor correspondente ao provento recebido, a operação pode gerar prejuízo. “Você vai receber o valor do provento, porque isso é certo, está dado. Só que a cota se desvalorizou mais do que o desconto do valor do provento. Então você teve um prejuízo ali, mas é o risco que você está assumindo.”“A partir do momento que você compra o fundo imobiliário, é um cenário dicotômico. Ou vai subir ou vai cair, e você vai ter que levar em consideração o valor que você recebeu do provento para ver se a operação foi vantajosa ou não foi vantajosa”, acrescenta Forne.B3 já tem mais de 25 FIIs liberados para operações a termoA expansão da infraestrutura, no entanto, ainda não abrange todos os fundos imobiliários. Segundo Thalita, a B3 seleciona os ativos com base principalmente em critérios relacionados à liquidez.“A gente tem pouco mais de 25 de ativos liberados no termo. A gente faz um corte olhando aqui para a liquidez. Então, quais são aqueles ativos mais líquidos? A gente selecionou e liberou”, disse.A executiva também destacou que a bolsa já disponibiliza outras ferramentas, como o empréstimo de ativos e a utilização de FIIs como garantia. Em relação ao futuro de IFIX, porém, a adesão ainda é baixa. “Praticamente não tem negociação, tem pouquíssima liquidez”, afirmou.Para a B3, o desenvolvimento desses instrumentos faz parte de um processo que pode se retroalimentar: mais ferramentas podem contribuir para aumentar a liquidez e, com um mercado à vista mais desenvolvido, novos produtos podem ser incorporados à infraestrutura da bolsa“É um ciclo que se retroalimenta. Então, se eu tenho o mercado de derivativos mais forte, eu gero liquidez e assim por diante”, resumiu Forne. Leia Mais: FIIs populares caem até 47% em 2026; oportunidade para comprar barato ou armadilha?Confira o episódio completo na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas. The post Comprar hoje e pagar depois: entenda como funciona a operação a termo de FIIs pela B3 appeared first on InfoMoney.

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