Tenda (TEND3): bancos veem 3T mais fraco após maior rigor da Caixa e ações caem forte

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A construtora Tenda (TEND3), cujas ações acumulam queda de 19% nos últimos 30 dias, deve registrar um terceiro trimestre mais fraco, em meio à deterioração das perspectivas operacionais da companhia, especialmente diante do maior rigor da Caixa Econômica Federal na concessão de crédito, do aumento dos cancelamentos e dos efeitos da greve do banco sobre as transferências de contratos. Com isso, às 12h07 (horário de Brasília), os papéis TEND3 caíam 3,95%, a R$ 26,25, liderando as perdas do Ibovespa. Relatórios do Goldman Sachs, JPMorgan e Itaú BBA, elaborados após visita ao empreendimento Città Vila Prudente, do programa Pode Entrar, reforçaram as preocupações com o desempenho no período e apontaram riscos maiores para as projeções de resultados da companhia em 2027.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe após dados de inflação dos EUA abaixo do esperadoBolsas dos EUA avançam com dados de inflação e PIB GPA, Brava, BrasilAgro, Azul, Alupar e mais ações para acompanhar nesta quarta-feiraVeja os principais destaques do noticiário corporativo desta quarta-feira (30)O Goldman Sachs avaliou que a combinação entre a paralisação da Caixa e critérios de crédito mais restritivos pode afetar lançamentos, preços, margens e velocidade de vendas da Tenda no curto e médio prazo.A greve, que teve início em 10 de setembro, prejudicou principalmente a transferência dos compradores para a Caixa, etapa necessária para concluir as pré-vendas e liberar os financiamentos, além de poder atrasar novos financiamentos para projetos da companhia.O banco também destacou o endurecimento da análise de crédito, especialmente entre clientes de menor renda do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Segundo o Goldman, a maior restrição pode elevar os cancelamentos e reduzir a velocidade das vendas, além de pressionar preços e margens. A Tenda trabalha para reduzir a participação do Grupo 1 do MCMV, que representou cerca de 50% das vendas entre 2022 e 2025, para aproximadamente 35% até 2027.Na mesma linha, o JPMorgan afirmou que o terceiro trimestre deve ser mais desafiador para a companhia. A Tenda informou que as vendas brutas sobre oferta ficaram fracas em julho e agosto e voltaram para cerca de 25% em setembro. Com isso, o banco estima crescimento das vendas abaixo de 25% no trimestre, próximo de sua projeção de 24,3%. Os cancelamentos também devem superar os registrados no segundo trimestre, quando representaram 13% das pré-vendas brutas.Leia mais: Caixa aperta crédito e derruba construtoras na B3; problema temporário ou estrutural?Para o JPMorgan, o principal problema é o aumento do rigor da Caixa na análise de crédito, sobretudo pela maior dificuldade de considerar renda informal. A greve também contribui para atrasos nas transferências dos contratos, embora os pagamentos referentes às obras em andamento estejam ocorrendo normalmente.Tenda: de olho nas margens O impacto sobre as margens é outro ponto de atenção. Goldman Sachs, JPMorgan e Itaú BBA destacaram a redução do uso do Pro-Soluto, mecanismo de financiamento próprio utilizado pela Tenda para complementar o crédito imobiliário. A companhia reduziu o limite para 7% do valor potencial das vendas nas demais cidades e 5% no Rio de Janeiro. O Itaú BBA estima que a menor utilização do mecanismo após a entrega das chaves pode pressionar as margens brutas das novas vendas em 1 a 2 pontos percentuais.O Itaú BBA também considera que o maior rigor da Caixa pode resultar em mais cancelamentos no terceiro trimestre e em uma velocidade de vendas estruturalmente menor. Para o banco, o cenário para o Minha Casa, Minha Vida está menos favorável do que anteriormente, representando um risco para suas projeções de resultados da Tenda em 2027. A instituição também considera mais prudente trabalhar com premissas conservadoras diante do novo ambiente de crédito.Pode EntrarOutro ponto de pressão está no programa Pode Entrar. O JPMorgan informou que a Tenda acumula cerca de R$ 75 milhões em pagamentos atrasados desde maio, sendo R$ 52,7 milhões em pagamentos e R$ 21,8 milhões em taxas e juros. A companhia ainda tem aproximadamente R$ 170 milhões a receber do programa, embora tenha indicado que os atrasos não devem afetar o resultado do terceiro trimestre neste momento.Apesar do quadro operacional mais fraco, os bancos também destacaram pontos positivos. O Città Vila Prudente, com 1.984 unidades, teve sua estrutura executada em 9,5 meses e está previsto para ser concluído em novembro, dentro do prazo de 24 meses. O Goldman estima que o projeto gere R$ 127 milhões para a Tenda, com impacto positivo sobre o caixa e margem líquida esperada de aproximadamente 20%.O JPMorgan também ressaltou a melhora do perfil de crédito dos clientes da companhia. A participação de compradores classificados nas categorias A e B do Serasa passou de 26% para 44%, enquanto a fatia das categorias E e F caiu de 19% para 8%. A evolução reduz a dependência do Pro-Soluto e está alinhada à estratégia da Tenda de diminuir a exposição às faixas de menor renda do MCMV.Ainda assim, a combinação de vendas mais fracas, maior cancelamento de contratos, crédito mais restritivo e pressão sobre margens ajuda a explicar o desempenho negativo das ações no período. A Tenda não vê necessidade de revisar sua projeção para 2026, mas reconheceu que o crescimento dos lançamentos em 2027 pode ficar abaixo do esperado anteriormente.Avaliação e recomendaçãoEm relação à avaliação dos papéis, o JPMorgan calcula que a Tenda é negociada a 4,1 vezes o lucro estimado para 2027, enquanto o Itaú BBA aponta múltiplo de 3,5 a 4 vezes o lucro ajustado projetado para o mesmo ano. O Goldman Sachs, JPMorgan e Itaú BBA reiteraram recomendação de compra, com preço-alvo de, respectivemente, R$ 37, R$ 52,50 e R$ 58.The post Tenda (TEND3): bancos veem 3T mais fraco após maior rigor da Caixa e ações caem forte appeared first on InfoMoney.

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