PCE de agosto e revisões trazem alívio e tese de manutenção de juros nos EUA cresce

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Os dados da inflação do consumo (PCE) dos Estados Unidos em agosto, divulgados nesta quarta-feira (30) trouxeram uma dose se alívio para quem temia uma nova alta nas taxas de juros na reunião do Fomc no final de outubro. Para economistas, mesmo com os preços dos serviços ainda aquecidos e com dados positivos de atividade e emprego, cresce a possibilidade de o Fed decidir pela manutenção dos juros.Leia tambémInflação nos EUA: núcleo do PCE sobe 0,2% em agosto, abaixo do esperadoO dado anualizado ficou em 3,0%, abaixo dos 3,3% projetados por economistas ouvidos pela LSEGA ferramenta FedWatch do CME Group mostra que os investidores estão precificando uma probabilidade de 62,9% de manutencão da taxa na atual faixa entre 3,75% e 4% ao ano, ante uma chance de 49,1% captada na terça-feira. Na semana passada, essa probabilidade estava em 29,1%. Já aposta de uma de 0,25 ponto percentual nos juros recuou de 70,9% há uma semana para 37,1% hoje.Leandro Padulla, economista do ASA, comenta que o PCE de agosto trouxe uma leitura mais favorável da inflação nos EUA, com o núcleo avançou 0,247% no mês, ligeiramente abaixo do esperado.Mas, para ele, a principal informação do indicador veio das revisões históricas, motivadas pela já anunciada alteração metodológica no cálculo do PCE.Mudanças metodológicas retiraram 34 pontos-base do índice cheio e 36 pontos-base do núcleo na leitura mais recente, impacto superior ao antecipado pelo mercado. Com isso, o núcleo de julho foi revisado de 3,34% para 2,98% em 12 meses, enquanto agosto ficou em 3,01%.As taxas anualizadas de três e seis meses recuaram para 2,05% e 2,74%, respectivamente. “Como as revisões se concentraram nos meses mais recentes, parte da aceleração da inflação em 2026 desapareceu”, analisa Padulla.Ainda assim, o economista pondera que a composição do PCE de agosto ainda recomenda cautela. “Os serviços excluindo habitação avançaram 0,36%, enquanto transportes subiram 1,44%, refletindo pressões do diesel e possíveis restrições na oferta de motoristas. Assim, a revisão tornou a trajetória recente menos preocupante, mas a inflação permanece resistente ao redor de 3%, ainda acima da meta”, diz.Para o Fed, Padulla avalia que o resultado joga a favor da manutenção dos juros em outubro, em linha com a sinalização recente do diretor John Williams. “Contudo, até a próxima reunião do Fomc, serão divulgados novos dados de inflação e do mercado de trabalho. Portanto, apesar da leitura mais benigna de hoje, ainda é cedo para descartar uma alta de juros já em outubro”, afirma.Duas forças opostasVitor Kayo, economista sênior da Nomad, diz que o PCE e a estimativa final do PIB do segundo trimestre, que foi revisada para cima (de 1,5% para 2,2% em ritmo anualizado, bem acima da previsão de 1,5%),  são dados que puxam as apostas de juros em direções opostas.“A revisão para cima do PIB reforça o diagnóstico de uma economia forte, sustentada pelo consumo e pelo investimento, e tende a aumentar a expectativa de juros mais altos à frente. Já a inflação abaixo do esperado joga no sentido contrário, reduzindo a urgência para novas altas”, compara.Para Kayo, um ponto a ser considerado é que o PCE segue bem acima da meta de 2% e o Fed tem deixado claro que o combate à inflação é prioridade, num cenário em que atividade e mercado de trabalho continuam resilientes. “Enquanto esse quadro se mantiver, uma leitura de inflação melhor na margem tende a pesar menos do que a força da economia na condução da política monetária.”Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercado da StoneX, coloca um dado do mercado de trabalho nessa conta e lembra que o relatório privado de empregos da ADP referente a setembro registrou 90 mil novas vagas, superando a estimativa mediana de 70 mil.“O resultado sugere que o mercado de trabalho mantém um desempenho resiliente. Adicionalmente, a terceira e última leitura do PIB americano do segundo trimestre foi revisada significativamente para cima, atingindo 2,2% na taxa anualizada”, comenta.Sobre o impacto das revisões d PCE, Matos ressaltar que, embora a alteração metodológica no cálculo tenha trazido impacto nos pesos de serviços legais, de software e de gestão de portfólio, essa mudança já era conhecida desde abril. Portanto, o mercado já deveria ter incorporado essas mudanças em suas projeções.“Ainda assim, a inflação surpreendeu positivamente ao registrar 0,2% em agosto, enquanto as despesas do consumidor apresentaram um avanço robusto de 0,9%.”Para ele, em suma, os dados reforçam que o mercado de trabalho permanece saudável, a atividade econômica está aquecida e o consumo se mantém resiliente. “Mesmo diante de um balanço de riscos inclinado à inflação, a leitura atual mostra-se benigna e condizente com o cenário de um ‘pouso suave’ da economia americana.”O analista da StoneX comenta que um único dado mensal não configura, por si só, uma tendência estrutural e não deve alterar imediatamente a postura do Federal Reserve em seu compromisso com a estabilização de preços e o ciclo de aperto monetário, o arrefecimento da inflação reduz as apostas de novas altas de juros no curto prazo.“Consequentemente, observa-se a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), o que desestimula a atração de capital externo para os EUA, enfraquece o dólar globalmente e exerce pressão baixista sobre a nossa taxa de câmbio.”The post PCE de agosto e revisões trazem alívio e tese de manutenção de juros nos EUA cresce appeared first on InfoMoney.

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