China ajuda o minério, e VALE3 fecha em alta, mas longe da máxima: o que pesou?

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A Vale (VALE3) fechou em alta nesta quarta-feira (30), em uma sessão marcada pela reação do minério de ferro após novos dados da economia chinesa. O avanço das ações, porém, perdeu força ao longo do pregão.VALE3 subiu 0,43%, a R$ 69,91, depois de abrir a R$ 70,53 e alcançar R$ 70,88 na máxima, quando chegou a avançar 1,82% sobre o fechamento anterior. Na mínima, tocou R$ 69,49.Com o resultado, a ação encerrou setembro com queda de 10,20% e passou a acumular recuo de 0,45% em 2026. Em 12 meses, ainda registra valorização de 31,16%.Leia tambémEm 7 pontos, entenda por que VALE3 apagou os ganhos de 2026 — e o que vem agoraAção cai 10,58% em setembro e volta ao negativo no ano; minério segue pressionado, gráfico testa região importante e bancos divergem sobre o valor da companhiaChina melhora e minério sobeO minério ganhou suporte com notícias vindas da China.A atividade industrial chinesa voltou a crescer em setembro, segundo pesquisas oficiais e privadas divulgadas nesta quarta-feira. A redução das interrupções provocadas pelo clima permitiu a retomada das operações de fábricas, enquanto segmentos ligados a tecnologia e inteligência artificial também contribuíram para o resultado.Pequim havia anunciado na terça-feira novas medidas para direcionar crédito mais barato a setores como infraestrutura e tecnologia e ampliar o apoio aos compradores de imóveis.O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian subiu 0,14%, para 702,5 yuans por tonelada, equivalentes a US$ 104,79, segundo a Reuters.Nesse caso, trata-se do contrato futuro negociado em Dalian e originalmente cotado em yuans. A cotação não deve ser comparada diretamente com preços físicos de minério de 61% ou 62% Fe usados por bancos em análises e projeções.Siderúrgicas chinesas ainda operam com margens negativasApesar da melhora dos dados econômicos, os indicadores mais recentes da indústria siderúrgica mostram pressão sobre as margens das usinas.No relatório mais recente do Bradesco BBI, o minério de ferro de 61% Fe estava em US$ 94 por tonelada, após queda de US$ 3 na semana.As margens domésticas calculadas pela Platts estavam negativas em US$ 47 por tonelada para HRC, ou bobina laminada a quente, e em US$ 61 por tonelada para vergalhão.A utilização da capacidade dos altos-fornos das 247 siderúrgicas acompanhadas pela Mysteel caiu 0,7 ponto percentual, para 88,5%, enquanto a produção de gusa recuou 0,8% na semana, para 2,36 milhões de toneladas por dia.A combinação entre preços mais baixos do minério, margens negativas no aço e fretes elevados já vinha pressionando produtores e mineradoras nas últimas semanas.Os estoques de minério nos principais portos chineses chegaram a 152,2 milhões de toneladas, alta de 15% em um ano. Nas siderúrgicas, os estoques avançaram para 27 dias de consumo, acima da média de cinco anos, de 21 dias.Segundo o BBI, parte desse aumento refletiu a recomposição de estoques antes dos feriados chineses.VALE3 volta a perder os R$ 69,90A ação da Vale começou o pregão acima de R$ 70 e atingiu R$ 70,88 pela manhã, mas reduziu os ganhos durante o restante da sessão.O fechamento em R$ 69,91 colocou o papel praticamente sobre uma região destacada pelo Itaú BBA em sua análise técnica.Segundo o banco, VALE3 perdeu o suporte de R$ 69,90 e entrou em tendência de baixa. As próximas referências de suporte indicadas são R$ 67,60 e R$ 64,20.Gráfico diário de VALE3, com histórico desde agosto de 2025, mostra a ação abaixo da média móvel de 200 períodos e após a perda do suporte de R$ 69,90. O Itaú BBA aponta R$ 67,60 e R$ 64,20 como próximas referências de suporte e R$ 76,90 como nível relevante em eventual recuperação. Gráfico criado em 29/09/2026. Fonte: Itaú BBA e Broadcast.O fechamento um centavo acima dos R$ 69,90 deixa VALE3 praticamente sobre essa referência. O movimento, isoladamente, não caracteriza a recuperação do suporte apontado pelo banco.Na direção de alta, o Itaú BBA indica R$ 76,90 como nível que precisaria ser superado para a ação sair da atual tendência de baixa.Minério segue relevante para os números da ValeUma análise de sensibilidade publicada pelo Itaú BBA em 17 de agosto mostra o impacto de diferentes preços do minério sobre as projeções da companhia.O exercício considera o preço médio do minério de ferro de 61% Fe em 2027 e mantém as demais premissas constantes.Com o minério a US$ 90 por tonelada, o Ebitda projetado pelo banco ficava próximo de US$ 15,1 bilhões. A US$ 95, passava para cerca de US$ 16,4 bilhões. Com a commodity a US$ 100, chegava a aproximadamente US$ 17,6 bilhões.Na mesma simulação, o fluxo de caixa livre variava de cerca de US$ 3,4 bilhões a US$ 5,4 bilhões entre os cenários de US$ 90 e US$ 100, antes dos desembolsos relacionados a Brumadinho e Samarco.O exercício é de agosto e não representa uma atualização das projeções nesta quarta-feira. Ele mostra apenas a sensibilidade das estimativas do banco às mudanças no preço da commodity.Outras variáveis também entram nas projeções da Vale, entre elas custos, volumes, cobre, investimentos e frete. Neste último caso, a companhia tem parte importante de sua exposição protegida, em contraste com produtores mais dependentes do mercado à vista. O impacto da alta dos fretes sobre Vale e outras mineradoras ganhou relevância nas últimas semanas.Leia tambémVale pode captar até US$ 522 mi na China com emissão de “panda bonds”, dizem fontesMineradora planeja emitir até 3,5 bilhões de yuans em títulos da China já em novembroO que o mercado acompanhaAlém dos novos dados de atividade da China, investidores acompanham a evolução das margens das siderúrgicas, produção de aço, estoques de minério e medidas de estímulo anunciadas por Pequim.Do lado da oferta, preços mais baixos também aumentam a pressão sobre produtores de maior custo.Para VALE3, o mercado também monitora a região de R$ 69,90, perdida recentemente segundo o Itaú BBA, e os suportes seguintes apontados pelo banco em R$ 67,60 e R$ 64,20.The post China ajuda o minério, e VALE3 fecha em alta, mas longe da máxima: o que pesou? appeared first on InfoMoney.

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