Payroll abre o jogo, eleição fecha a semana: o último pregão antes das urnas

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O mercado brasileiro chega ao último pregão antes do primeiro turno, nesta sexta-feira (2), cercado por referências capazes de mexer com os preços em direções diferentes. De um lado, o cenário externo continua sensível aos juros americanos, ao dólar e ao petróleo. Do outro, a reta final da eleição concentra as atenções domésticas e aumenta a importância das posições que serão carregadas para o fim de semana.A primeira grande referência do dia virá dos Estados Unidos, às 9h30, com a divulgação do payroll, o relatório oficial sobre o mercado de trabalho americano. Acompanhado de perto pelos investidores, o indicador ajuda a medir a força da economia e a calibrar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve. Uma surpresa no dado pode mexer rapidamente com os Treasuries, o dólar e o apetite por risco ao redor do mundo.Depois, a atenção se volta também para o Brasil. O mercado terá de digerir as pesquisas da reta final, a repercussão do último debate presidencial e, principalmente, ajustar posições antes da votação de domingo (4). Quando a B3 fechar, não haverá outro pregão antes do primeiro turno — e o resultado das urnas já será conhecido quando os negócios reabrirem na segunda-feira.O comportamento do Ibovespa nesta quinta-feira (1º) deu uma amostra de como essas forças podem atuar na mesma sessão. O índice chegou a cair aos 184.767,78 pontos, recuperou terreno ao longo do dia e encerrou em alta de 0,46%, aos 187.197,46 pontos, perto da máxima. Petrobras (PETR4) ajudou a sustentar o índice em uma sessão de forte valorização do petróleo.Para Mário Machado, assessor de investimentos da InvestSmart, o pregão refletiu um “cabo de guerra” entre fatores externos e domésticos. Enquanto a alta do petróleo favoreceu Petrobras, bancos e Vale pressionaram em parte da sessão. Ao mesmo tempo, juros ainda elevados no exterior e a proximidade das eleições mantiveram a cautela. Leia tambémLula reeleito deve evitar ajuste fiscal, mas dólar não vai a R$ 6, diz gestorAlfredo Menezes, da Armor Capital, diz que já viu “várias vezes falarem que Brasil ia quebrar”, mas que “quando a coisa aperta o governo faz a lição de casa” – enquanto isso, espera alocar no exteriorPayroll pode dar o primeiro tom da sextaO relatório de emprego chega em um momento no qual investidores tentam medir quanto espaço o Fed ainda pode ter para manter uma política monetária mais apertada. Dados recentes mostraram uma economia americana resistente, enquanto a inflação continua no radar.Para Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, um payroll mais forte pode pressionar novamente os juros americanos e o dólar — movimento que tende a tornar o ambiente mais difícil para ativos de risco.“Se ele vier forte, a tendência é de juros americanos e dólar subindo, com pressão sobre a nossa Bolsa local”, afirma. A expectativa é pela criação de 89 mil vagas, em setembro, ante 162 mil do mês imediatamente anterior; a projeção é de estabilidade, em 4,1%, da taxa de desemprego.Mas essa pode ser apenas a primeira parte da história.Rafael Perretti, analista da Clear Corretora, avalia que o mercado brasileiro vem mostrando uma descorrelação parcial do cenário externo, com o chamado trade eleitoral ganhando espaço na formação dos preços.“Pode haver um impacto imediato e bem direcional, mas, ao longo do dia, fica mais difícil precificar”, diz.Na prática, a leitura de Perretti sugere que uma reação forte ao payroll na abertura não precisa necessariamente determinar o comportamento do Ibovespa até o fechamento. Setembro já trouxe sinais dessa dinâmica: o índice avançou cerca de 5% em um mês no qual o ambiente externo continuou desafiador.Eleição pode ganhar espaço ao longo do pregãoConforme a sessão avançar, o componente doméstico tende a dividir cada vez mais espaço com o exterior.Perretti atribui parte do comportamento recente do Ibovespa às expectativas em torno das eleições. Na leitura dele, pesquisas e novas informações políticas podem reforçar ou reduzir movimentos inicialmente provocados pelo cenário internacional.O mercado também vem trabalhando com a possibilidade de reações diferentes entre Bolsa, câmbio e renda fixa. Cenários traçados pelo Goldman Sachs para a eleição, por exemplo, destacam que juros, dólar e ações não precisam responder com a mesma intensidade.É por isso que dólar e juros serão dois termômetros importantes além do próprio Ibovespa.Nesta quinta, a moeda americana avançou 0,97%, para R$ 5,2239. Na curva de juros, o DI para janeiro de 2028 terminou praticamente estável, em 13,565%, enquanto o contrato para janeiro de 2035 subiu 13 pontos-base, para 14,11%. Machado chama atenção justamente para essa diferença. Na avaliação do assessor da InvestSmart, a ponta curta segue mais ancorada, enquanto os vencimentos longos carregam uma parcela maior do prêmio associado ao cenário externo e às incertezas domésticas.Leia tambémMGLU3 após o rali: gráfico indica até onde ação do Magazine Luiza pode irApós disparada em setembro, ação testa região importante no gráfico; resistências em R$ 7,75 e R$ 9,35 entram no radar, mas indicadores mostram movimento esticadoIbovespa ainda tenta sair da consolidaçãoNo gráfico, o mercado também chega à sexta sem uma direção técnica definida.Perretti observa que o Ibovespa começou setembro com forte avanço, mas passou boa parte do mês negociando dentro de uma faixa de consolidação de aproximadamente 7 mil pontos. Nas últimas sessões, houve tentativas de perda da região inferior, que não se sustentaram, seguidas por reação compradora.Com o fechamento acima dos 187 mil pontos, o índice voltou para dentro dessa faixa. A região próxima dos 189 mil pontos aparece como referência na parte superior, enquanto a área próxima dos 180 mil pontos permanece como referência mais abaixo.Ibovespa volta para dentro da faixa de consolidação após tentativas recentes de perda da região inferior; gráfico mostra as principais referências técnicas acompanhadas por Rafael Perretti, da Clear Corretora. Imagem: RocketTrader“Agora ele (Ibovespa) volta para dentro da área de consolidação (retângulo desenhado acima). Precisamos aguardar tanto o dado de amanhã quanto o primeiro turno para saber se rompe o topo dessa acumulação ou se permanece por mais tempo nessa faixa”, afirma Perretti.O petróleo acrescenta uma variável particular a essa leitura. O Brent encerrou a quinta em alta de 4,37%, a US$ 102,31 por barril. Preços elevados da commodity reforçam preocupações com inflação e juros no exterior, mas, ao mesmo tempo, deram suporte às ações da Petrobras, companhia de peso relevante no Ibovespa. Texto coladoO risco continua depois do fechamentoPara quem pretende operar na sexta-feira, existe ainda uma diferença fundamental em relação a uma sessão comum: quando a B3 fechar, não haverá outra oportunidade de ajustar posições antes das urnas.É nesse ponto que André Moraes concentra seu principal alerta.“O investidor precisa tomar cuidado com a alavancagem. É preciso se preparar para que, na segunda-feira, possa haver um ‘gap’ eventualmente a favor da operação ou contra”, afirma.Moraes usa como exercício de risco a possibilidade de um movimento de 5% para qualquer um dos lados. Não se trata de uma previsão para segunda-feira, mas de uma forma de testar se o tamanho da posição é compatível com uma abertura mais brusca.“A pergunta é: você está preparado para isso? Se não está, se o tamanho da posição está muito grande, precisa readequar.”Gass também chama atenção para a possibilidade de maior volatilidade na reabertura, quando o mercado começará a incorporar o resultado do primeiro turno e a composição eleita do Congresso.Assim, o último pregão antes das urnas terá dois momentos. O payroll pode dar o primeiro impulso. A eleição acompanha o mercado até o fechamento. E, no fim da sessão, a pergunta deixa de ser apenas para onde o Ibovespa pode ir na sexta: passa a ser quanto risco o investidor está disposto a carregar até a Bolsa voltar a abrir.The post Payroll abre o jogo, eleição fecha a semana: o último pregão antes das urnas appeared first on InfoMoney.

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