Sua empresa usa IA, mas o conteúdo parece igual ao de todo mundo? Veja como evitar

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A inteligência artificial generativa reduziu o tempo necessário para criar textos, imagens, roteiros e campanhas. Mas também criou um novo problema para as marcas: quanto mais empresas usam as mesmas ferramentas, maior o risco de produzir conteúdos parecidos.Os consumidores já percebem esse movimento. Uma pesquisa da Gartner divulgada em junho de 2026 mostrou que 49% dos consumidores nos Estados Unidos consideram que a IA generativa piorou a qualidade do conteúdo disponível. Entre a geração Z e os millennials, o percentual chega a 57%.Outro levantamento, divulgado em setembro, mostrou que 65% dos consumidores acreditam que as marcas estão produzindo conteúdo demais com inteligência artificial. Para 57%, esse excesso reduziu a confiança nas mensagens das empresas.O desafio, portanto, não é apenas produzir mais rápido. É usar a velocidade da IA sem transformar a marca em mais uma fonte de conteúdo genérico.Esse foi um dos pontos discutidos por Fabio Ricotta, da Agência Mestre, durante a palestra “Como acelerar criação usando IA a serviço da marca”, no D2C Summit 2026, evento da Nuvemshop realizado em São Paulo.Para o especialista, a diferença não está necessariamente em encontrar o prompt perfeito. Está na quantidade e na qualidade das informações que a empresa fornece à ferramenta.Conheça o MBA em Inteligência Artificial e transforme tecnologia em estratégia, inovação e resultados para o seu negócio.O problema começa quando todas as marcas fazem o mesmo pedidoUm comando como “crie um post sobre determinado assunto” pode gerar um texto correto, bem estruturado e pronto para publicação. Mas, sem informações sobre a empresa, seu público, seus produtos e seus objetivos, a IA precisa completar as lacunas com padrões gerais.O resultado pode até funcionar. O problema é que poderia ter sido escrito para qualquer marca.Por isso, Ricotta defende que o processo comece pelo contexto. A empresa precisa apresentar à ferramenta informações sobre o negócio, o público, seus objetivos, seu repertório e a forma como costuma se comunicar.Na palestra, essa ideia apareceu no conceito de “clone digital”: um conjunto de informações que ajuda a IA a compreender melhor quem está por trás daquele conteúdo.Quanto mais específico é o contexto, menor a dependência de respostas genéricas.Leia também: “IA pode deixar sua empresa mais ocupada, não mais eficiente”, afirma especialistaNão basta pedir para a IA “escrever como a marca”Conhecer o negócio é apenas uma parte do processo. A ferramenta também precisa entender como aquela empresa fala. Para isso, materiais já produzidos podem funcionar como referência: e-mails, apresentações, textos institucionais, roteiros, transcrições de vídeos e outros conteúdos.A partir desses exemplos, é possível identificar padrões de linguagem, como vocabulário, ritmo, estrutura das frases, nível de formalidade, formas de apresentar opiniões e expressões que devem ser evitadas.Existe uma diferença importante entre dizer que uma marca tem um “tom profissional” e mostrar à IA o que significa ser profissional naquela empresa. Esse cuidado ganha importância à medida que a produção de conteúdo deixa de ser um recurso escasso.Com IA, uma empresa pode testar dezenas de títulos, formatos e abordagens em pouco tempo. Se todos os concorrentes têm acesso à mesma capacidade, porém, produzir mais deixa de ser suficiente.O diferencial passa a estar no repertório utilizado para orientar essa produção.Leia também: “É a coisa mais perigosa da qual humanos já chegaram perto”, diz Bill Gates sobre IAA IA pode tirar a empresa da “tela branca”Com contexto e identidade bem definidos, a inteligência artificial pode participar de outras etapas além da redação.Em vez de pedir apenas “dez ideias para posts”, uma empresa pode fornecer informações sobre seus produtos, clientes, canais e objetivos e usar a ferramenta para mapear dúvidas, temas e possibilidades de abordagem.Também pode testar diferentes títulos, formatos e argumentos antes de chegar à versão final.Nesse processo, a IA funciona menos como uma máquina de textos e mais como uma ferramenta para acelerar o trabalho editorial.Mas existe um limite importante: a ferramenta pode sugerir possibilidades; a empresa precisa decidir o que representa sua marca.A IA não conhece automaticamente a história, as escolhas e as particularidades de um negócio. Quando essas informações não são fornecidas, ela tende a preencher as lacunas com padrões presentes em seu repertório.É aí que marcas diferentes começam a soar parecidas.Leia também: Agentes de IA tentaram invadir site do governo canadense, diz empresa de pesquisaAs perguntas dos clientes podem virar matéria-primaOutra fonte de contexto está mais perto do que muitas empresas imaginam: o próprio consumidor.Dúvidas recorrentes em atendimentos, comentários, avaliações, mensagens e conversas comerciais mostram quais informações o público realmente procura.Em vez de planejar conteúdo apenas a partir do que a empresa quer comunicar, as marcas podem observar o que os clientes estão tentando descobrir.O comportamento de busca também está mudando.Uma pesquisa da Gartner realizada em fevereiro de 2026 mostrou que 20% dos consumidores americanos passaram a formular buscas mais específicas por causa da inteligência artificial. Outros 19% disseram fazer perguntas com mais frequência nas pesquisas, enquanto 16% já utilizam chatbots para pesquisar novos produtos ou serviços.A mudança altera o tipo de informação que as empresas precisam oferecer. Em uma busca tradicional, o consumidor pode digitar algumas palavras-chave e receber uma lista de páginas. Em uma ferramenta de IA, pode explicar seu contexto, estabelecer restrições, comparar alternativas e fazer perguntas em sequência.Para as marcas, isso aumenta a importância de responder às dúvidas reais dos consumidores, e não apenas produzir conteúdo sobre os assuntos que desejam divulgar.Leia também: Como os assentos no almoço de Trump sobre IA revelam quem tem a atenção do presidenteO conteúdo também precisa ser entendido pela IAA mudança na busca cria outra frente para as empresas: o chamado GEO, sigla para Generative Engine Optimization.O conceito parte de uma lógica complementar ao SEO: além de tentar aparecer nos resultados tradicionais de busca, as empresas precisam considerar como seus conteúdos serão interpretados por sistemas de inteligência artificial.Os dados da Gartner mostram que esse comportamento já está acontecendo. Em levantamento divulgado em junho, 17% dos consumidores americanos disseram depender de resumos gerados por IA para obter informações sobre produtos ou serviços. Outros 16% afirmaram usar chatbots para pesquisar novos produtos ou serviços.Nesse cenário, informações claras sobre produtos, perguntas frequentes, conteúdo especializado, dados estruturados e sinais de autoridade podem ajudar os sistemas a compreender melhor uma empresa.Não se trata simplesmente de “escrever para o ChatGPT”. O ponto é oferecer informações específicas e consistentes para que a marca não seja reduzida a uma descrição genérica.Leia também: Qual a melhor IA para programação? Veja as opções para cada objetivoO desafio não termina quando o consumidor encontra a respostaA inteligência artificial também pode mudar a relação entre conteúdo, busca e tráfego.Em setembro de 2026, a Gartner chamou atenção para o crescimento das chamadas experiências “zero-click”, nas quais o consumidor recebe uma resposta diretamente de mecanismos baseados em IA sem necessariamente visitar o site da empresa.Isso coloca uma nova questão para as marcas: o que uma ferramenta de IA consegue dizer sobre sua empresa quando você não está presente para contar a história?Se a resposta for uma descrição genérica que poderia servir para vários concorrentes, a diferenciação fica comprometida.Quando a empresa possui informações próprias, conhecimento especializado, termos específicos e uma identidade consistente, existem mais elementos para serem associados àquela marca.Leia também: Gemini ou ChatGPT: qual vale mais a pena? Veja como escolherA questão agora é produzir com intençãoSe qualquer empresa consegue produzir dezenas de peças por dia e todas utilizam ferramentas semelhantes, quantidade deixa de ser uma vantagem suficiente. Para Ricotta, o caminho é usar a IA para ampliar a capacidade de criação sem entregar à ferramenta aquilo que diferencia a marca.Isso significa fornecer contexto, repertório e exemplos. Significa ouvir as dúvidas dos consumidores, organizar o conhecimento interno e definir o posicionamento antes de pedir que a ferramenta produza.Em um mercado em que praticamente qualquer marca pode produzir mais conteúdo, o diferencial pode estar justamente naquilo que a tecnologia não consegue inventar sozinha: a experiência, os dados, o conhecimento do cliente e a identidade que tornam aquela empresa diferente das outras.The post Sua empresa usa IA, mas o conteúdo parece igual ao de todo mundo? Veja como evitar appeared first on InfoMoney.

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