Num mundo em que a insegurança energética foi explicitada pelo choque do petróleo com o fechamento do Estreito de Ormuz e de expectativa de demanda crescente por energia fruto da projeção do crescimento populacional para até 10 bilhões de pessoas em 20250, o desenvolvimento da bionergia no Brasil pode ser não só uma garantia de soberania futura, mas também de o país se tornar um grande player global da transição energética.O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania – SP), que presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde da Câmara dos Deputados, disse que já há R$ 289 bilhões em investimentos cadastrados a partir da Lei do Combustível do Futuro, o novo marco regulatório do setor.Leia tambémDestacar agro sustentável é uma das alavancas para adicionar valor às exportaçõesPressão internacional por descarbonização e pela transição energética trazem potencial para produtos como carnes e setor sucroenergético, dizem executivos da ABIEC e da UNICAAderir ou não à nova tributação? Produtor agrícola enfrenta dilema, diz CNAAgricultores com receita anual inferior a R$ 3,6 milhões anuais via precisar fazer contas para saber se vale a pena aderir à tributação pelo consumo aprovada na Reforma TributáriaDurante o painel “Biocombustíveis e Transição Energética”, realizado durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), evento que acontece em São Paulo, Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial, cunhou a expressão “Opep da energia verde” ao se referir ao potencial do país.Para chegar nisso, porém , ele recomentou que o biocombustível nacional seja encarado como “uma política de Estado” e não apenas como uma lei a cumprir. “ O Brasil precisa garantir a soberania da sua matriz energética, não pode depender de produto [importado]. Temos o DNA para a produção de energia verde”, disse.Ele sugeriu que agora, com a crise de combustíveis no exterior, seria um momento oportuno para o Brasil antecipar a mistura de 20% do biodiesel no diesel, estipulada para 2030. “O momento é emergencial. Em alguns lugares no Brasil tem falta de diesel hoje”.Hammerschmidt destacou que as 60 indústrias de biodiesel do Brasil têm hoje uma capacidade instalada de 17 bilhões de litros e uma produção de 10 bilhões de litros, que mostra um excedente de 7 bilhões.Ele lembrou ainda que a escassez do diesel deve permanecer por um bom tempo, visto que parte do parque de refinaras da Rússia foi destruído por ataques da Ucrânia, com uma recuperação ainda incerta por conta da continuidade da guerra. Plinio Nastari, Presidente da DATAGRO, completou o cenários ao destacar as eventuais proibições de exportação do combustível pelos Estados Unidos.Adição e não substituição Os participantes do painel reformaram a visão de que a transição energética não pode ser tratada como uma substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis. “É uma adição energética. O aumento do consumo com a transição abre uma oportunidade para os biocombustíveis. E chegou num ponto que dá ára ver além do nosso mercado interno”, disse Mário Campos, presidente Executivo da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (SIAMIG Bioenergia).Campos destacou que há grandes oportunidade para o país em áreas como o Combustível de Aviação Sustentável (SAF, na sigla em inglês) e na substituição do bunker marítimo por um derivado do etanol. Mas citou ainda o uso de biometano no transporte terrestre.Ele enalteceu o fato de 1/3 da matriz brasileira estra ligada às bioenergia. “Criamos uma forma de fazer a transição sem depender da China”, comentou, ao lembrar que o gigante asiático domina a transição energética no mundo, criando outra fonte de dependência para outros países.Roberto Ardenghy, Presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), também presente no debate disse que o mundo passa por um momento de “evolução energética” e que o setor de petróleo também tem cumprido um importante papel na descarbonização, destacando a tecnologia criada pela Petrobras de reinjetar CO2 na reserva após a extração de óleo e gás.Segundo suas contas, desde o início da exploração do pré-sal, em 2006, a Petrobras impediu que o equivalente a 88 milhões de toneladas de CO2 fossem para a atmosfera.Ele defendeu que o Brasil olhe para sua vocação, que é de ser uma potência não só de produção de alimentos, mas também de energia e que é preciso dar foco à competição e tornar a busca da qualidade num obsessão.The post Setor de biocombustíveis pode tornar o Brasil na “Opep da energia verde”? appeared first on InfoMoney.
