A eleição deste domingo entregou a Flávio Bolsonaro (PL), caso vença o segundo turno presidencial, um Congresso muito diferente daquele encontrado por Jair Bolsonaro quando chegou ao Planalto em 2019.O PL elegeu 121 deputados e será a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro de 2027. No Senado, conquistou 19 das 54 vagas em disputa e chegará à próxima legislatura com 28 senadores, também a maior bancada da Casa. O resultado amplia o espaço político para uma eventual gestão Flávio, principalmente no Senado. Dos eleitos, cerca de 49 dos 81 senadores da próxima legislatura são alinhados mais a direita, contra 27 mais à esquerda e cinco de centro. Esse número é relevante porque coincide com o quórum de 3/5 necessário para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição no Senado.Ainda assim, composição ideológica não significa bancada automática de governo. Parte dessa direita pertence ao centro e a partidos que negociam individualmente com o Executivo. As urnas vieram ao encontro do que havia de expectativa para a eleição na Câmara. A tendência era de crescimento da direita, mas com parcela importante dos senadores ligada à lógica de articulação do Centrão e distante de uma bancada inteiramente subordinada ao bolsonarismo.STF é onde a mudança pode aparecer primeiroO Senado será especialmente importante para a relação de um eventual governo Flávio com o Supremo Tribunal Federal.A Casa é responsável por sabatinar e aprovar as indicações presidenciais para o STF. São necessários 41 votos para confirmar um ministro. Com 49 senadores classificados à direita, um presidente desse campo teria, em tese, um ambiente político mais favorável para aprovar nomes alinhados às suas preferências — desde que consiga manter esse grupo unido.A composição da Corte já aparecia como um dos pontos centrais nas discussões nos últimos dias. A avaliação era de que o próximo presidente poderá fazer várias indicações ao Supremo ao longo do mandato, com potencial para alterar sua composição por muitos anos.A direita também saiu das urnas com força suficiente para tentar mudanças constitucionais sobre o funcionamento do Judiciário.Leia tambémMercado revisa apostas com Flávio à frente de Lula; veja as ações que ganham espaçoPetrobras e Cosan têm preço-alvo elevado, XP e Nubank viram as preferidas para juros em queda, e Axia e Itaú perdem pesoFlávio celebra vantagem sobre Lula: “Está decretado o fim da era do PT”Candidato do PL destacou desempenho acima do indicado pela maioria das pesquisas e afirmou que segundo turno será uma escolha por mudançaSegundo a Folha de S.Paulo, senadores desse campo discutem uma PEC para retirar do STF parte dos processos criminais envolvendo autoridades e reforçar seu papel como corte constitucional. Também estão no radar propostas sobre foro privilegiado, decisões monocráticas e regras envolvendo familiares de magistrados.Com 49 votos no Senado, esse bloco alcançaria exatamente o mínimo exigido para aprovar uma PEC em dois turnos. O obstáculo seguinte seria a Câmara, onde são necessários 308 votos.Impeachment de ministro ainda exigiria aliançasA eleição também fortaleceu candidatos que defenderam durante a campanha processos de impeachment contra ministros do Supremo. O resultado, entretanto, não entrega automaticamente os votos necessários.Para condenar um ministro do STF em processo de impeachment são necessários 54 senadores. Mesmo se os 49 parlamentares classificados como mais à direita votassem juntos, ainda faltariam cinco votos. A diferença é importante. O novo Senado pode aumentar a pressão política sobre o Supremo e facilitar a tramitação de propostas que limitem determinadas competências da Corte, mas uma destituição continuaria dependendo de apoio fora do bloco da direita.Câmara continua exigindo CentrãoNa Câmara, o crescimento do PL é expressivo, mas insuficiente para que Flávio governe apenas com seu partido. Os 121 deputados eleitos representam menos da metade dos 257 necessários para formar maioria absoluta. Para uma PEC, são necessários 308 votos. Na prática, um governo do PL ainda dependeria de Republicanos, PP, União Brasil, PSD, MDB e outras bancadas de centro e centro-direita para aprovar projetos relevantes.Esse desenho limita a ideia de que o resultado entregue um “Congresso de Flávio”. A direita cresceu, mas parte relevante do poder continuará nas mãos de partidos que negociam presidências de comissões, relatorias, espaço no governo e execução orçamentária.A força desse grupo aumentou nos últimos anos porque o Congresso também passou a controlar parcela maior do Orçamento. Estimativas apontavam mais de 92% das despesas primárias como obrigatórias e cerca de R$ 60 bilhões destinados a emendas parlamentares, reduzindo a margem do Executivo para administrar recursos livremente.Se Flávio vencer, encontrará um ambiente parlamentar mais próximo de sua agenda do que o Congresso atual. Isso pode facilitar indicações ao STF, projetos de segurança e parte das reformas institucionais. Para alterar a Constituição, enfrentar diretamente o Supremo ou conduzir uma agenda econômica ampla, porém, o resultado de domingo não elimina a necessidade do Planalto em articular para construir maioria voto a voto.The post O que Flávio poderia fazer com um Congresso mais à direita em 2027 appeared first on InfoMoney.
