Um novo estudo da Universidade de Yale sobre endometriose descobriu por que algumas pacientes com um pequeno número de lesões causadas pela doença apresentam dores debilitantes. De acordo com os pesquisadores, níveis elevados de uma molécula chamada IL-16 estavam associados à intensidade da dor. A IL-16 é uma citocina inflamatória, uma pequena proteína que atua como mensageira química para regular a inflamação.“Isso nos dá uma janela para potencialmente entender por que alguns casos de endometriose causam dor, e será o ponto de partida para investigações que nos ajudarão a tratar essa dor de uma maneira melhor”, diz o professor Hugh Taylor, da Universidade de Yale e pesquisador principal do estudo.A endometriose ocorre quando o tecido especializado que reveste a parte interna do útero, o endométrio, começa a aparecer em outras regiões do corpo, principalmente na região pélvica, como bexiga, rins e ovários. Esse contato, junto a alterações nas taxas de estrogênio, pode levar a inflamações, cólicas menstruais intensas e sangramentos.“A IL16 pode estar recrutando células imunes para as lesões endometrióticas e promovendo a produção de mais citocinas inflamatórias. Essa cascata pode intensificar a dor e a inflamação”, explica diz Ramanaiah Mamillapalli, pesquisador científico em obstetrícia, ginecologia e ciências reprodutivas e primeiro autor do estudo.Leia mais: Carolana, do vôlei, revela que teve câncer do colo do útero; entenda a doençaGel, antitranspirante e produto de limpeza: veja produtos proibidos pela Anvisa na 6ªPara chegar a esse resultado, a equipe utilizou o sequenciamento de RNA para analisar as amostras de tecido e determinar como a expressão gênica diferia entre os dois grupos. Suas análises revelaram quase 900 genes que apresentavam expressão diferencial em casos sintomáticos e assintomáticos da doença. Muitas dessas diferenças envolviam genes que desempenham papéis importantes na inflamação.Além disso, também realizara medições dos níveis de proteína nas biópsias e confirmaram que as alterações na expressão gênica correspondiam ao aumento de moléculas inflamatórias que podem contribuir para a dor.O trabalho foi publicado pelos cientistas na revista cientifica Molecular Human Reproduction.“Serão necessárias mais pesquisas para determinar se a IL16 é de fato um fator determinante dos sintomas dolorosos”, afirma Mamillapalli. “Planejamos estudar se o uso de medicamentos que bloqueiam essa proteína pode reduzir a dor associada à endometriose.”The post Estudo de Yale descobre molécula ligada à dor intensa na endometriose appeared first on InfoMoney.
