Os fundos imobiliários ganharam um novo ingrediente para sua reprecificação nesta segunda-feira (5). No primeiro pregão após o primeiro turno das eleições, a forte queda dos juros longos abriu espaço para uma recuperação das cotas de fundos imobiliários (FIIs), especialmente entre aqueles que ainda negociam com descontos elevados em relação ao valor patrimonial.O movimento veio na esteira da reação dos mercados ao resultado eleitoral. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Ao mesmo tempo, o avanço do PL, que terá 121 deputados e 28 senadores a partir de 2027, alterou a leitura dos investidores sobre o cenário político e fiscal.A resposta apareceu principalmente na curva de juros. O DI para janeiro de 2035 recuou de 14,131% para 13,16%, uma queda de 97 pontos-base. Nos títulos públicos indexados à inflação, os recuos ficaram entre 65 e 76 pontos-base, levando o juro real longo para perto de IPCA + 6,5%.Para os FIIs, a queda é especialmente relevante porque o setor compete diretamente com os títulos públicos na disputa pela renda do investidor. Com a redução do retorno oferecido pela NTN-B, os fundos imobiliários passam a parecer relativamente mais atrativos — e aqueles negociados muito abaixo do patrimônio podem ganhar ainda mais atenção.AtivoDataÚltimo (R$)Var. dia (%)BBIG1115h505,73+9,14%VGHF1115h505,25+5,63%ICRI1115h5089,68+4,88%TEPP1115h507,42+4,07%RBRR1115h5071,18+4,00%KORE1115h5068,53+3,82%JSRE1115h5064,14+3,29%CLIN1115h5087,10+3,20%JSAF1115h507,18+3,16%FATN1115h5086,52+3,12%Maiores Altas. Fonte InfoMoney “Primeiro que eles estão muito ligados a juros, né? Então, a curva de juros cedendo… dá bastante impulso ali para vários segmentos”, explica Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital. Segundo ele, a reação desta segunda-feira não representa uma surpresa, mas uma resposta direta à mudança nas expectativas para juros, política fiscal e composição do Congresso.Leia Mais: FIIs: quanto custa perder os melhores dias do mercado? XP mostra impactoQueda dos juros abre espaço para fundos descontadosO mecanismo por trás da alta é relativamente simples: quanto menor a taxa utilizada pelo mercado para descontar fluxos de renda futuros, maior tende a ser o valor presente dos ativos imobiliários. Ao mesmo tempo, a queda dos juros reais reduz a vantagem relativa dos títulos públicos frente aos FIIs.Na avaliação de Gabriel Pereira, head de fundos imobiliários da AVIN, o movimento é particularmente relevante porque muitos fundos ainda carregam descontos expressivos. Segundo ele, os FIIs analisados negociam, em média, cerca de 25% abaixo de seus valores patrimoniais.“Um fundo imobiliário é, no fim, um fluxo de renda de longo prazo trazido a valor presente, e o investidor compara o seu rendimento com o que a NTN-B paga sem risco de crédito. Quando o juro real longo cede quase 70 pontos-base em um dia, todo o setor é reprecificado ao mesmo tempo”, afirma Pereira.Para ele, a redução do prêmio exigido pelo mercado pode continuar favorecendo as cotas caso o movimento de fechamento dos juros seja sustentado. “A NTN-B fica menos atrativa em relação aos FIIs, o desconto exigido diminui e as cotas sobem”, explica.O gestor, porém, faz uma ressalva importante: o mercado está antecipando um cenário que ainda depende do resultado do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Por isso, na visão de Pereira, o fechamento dos descontos deve ser encarado como uma tese de médio prazo, e não simplesmente como uma aposta eleitoral de curto prazo.Leia Mais: FIIs populares caem até 47% em 2026; oportunidade para comprar barato ou armadilha?Lajes corporativas concentram alguns dos maiores descontosEntre os fundos destacados por Pereira estão alguns dos nomes mais descontados do segmento de lajes corporativas.O JSRE11 (JS Real Estate Multigestão) aparece como um dos principais exemplos. O fundo possui valor patrimonial de R$ 101,59 por cota, enquanto a cota é negociada perto de R$ 64, o que representa um P/VP de aproximadamente 0,63 vez. Segundo Pereira, o fundo é listado entre os favoritos do BTG no segmento, combinando liquidez, desconto relevante e imóveis com valores por metro quadrado abaixo de algumas referências do mercado privado.Outro destaque é o HGRE11 (Pátria Escritórios), negociado em torno de 0,80 vez o patrimônio. O fundo está realizando uma oferta para captar até R$ 700 milhões, com preço de emissão de R$ 146,64 por cota, enquanto o valor patrimonial é de R$ 150,56. A diferença chama atenção porque o mercado secundário oferece uma alternativa de entrada abaixo do preço da própria emissão.Já o TEPP11 (Tellus Properties) apresenta P/VP próximo de 0,79. Neste caso, Pereira ressalta que o desconto não pode ser atribuído exclusivamente aos juros. A redução do valor patrimonial por cota e do rendimento distribuído, que passou para R$ 0,07, também ajudam a explicar parte da diferença.Na outra ponta, o FATN11 (BRC Renda Corporativa) é o menos descontado entre os fundos de lajes citados, com P/VP ao redor de 0,89. O fundo possui imóveis entregues no modelo “plug and play” e contratos atípicos, incluindo operações built to suit, características que dão maior previsibilidade à receita.Para Pereira, a localização e os níveis de vacância são pontos importantes para a eventual recuperação das cotas. “Uma semelhança entre os ativos de lajes corporativas são boas localizações, principalmente no setor que hoje tem mais desconto em relação ao valor patrimonial”, afirma.Shoppings, renda urbana e logística também entram no movimentoFora das lajes corporativas, o BBIG11 (BB Premium Malls) aparece entre os fundos com maior desconto, negociado a aproximadamente 0,59 vez o valor patrimonial, de R$ 9,79 por cota. Além da melhora generalizada provocada pela queda dos juros, o fundo possui um catalisador específico: a aprovação, em assembleia, da venda do Pátio Paulista para o Iguatemi, consultor imobiliário do fundo.O HGRU11 (Pátria Renda Urbana), por outro lado, representa uma tese mais defensiva. O fundo negocia perto de 0,92 vez o valor patrimonial, de R$ 128,20 por cota, e manteve distribuição de R$ 0,95 por cota ao longo de 2026. Na logística, o destaque é o LVBI11 (VBI Logístico), com P/VP de aproximadamente 0,83. O fundo tem valor patrimonial de R$ 120,39 por cota, distribuiu R$ 0,80 no último relatório e apresenta vacância de apenas 0,1%.Crédito e híbridos: desconto maior, mas com riscos diferentesNos fundos de papel e híbridos, o movimento dos juros também aparece, mas a leitura exige atenção adicional aos riscos de crédito e à composição das carteiras.O KORE11 (Kinea Oportunidades Real Estate)negocia a cerca de 0,64 vez seu valor patrimonial de R$ 107,16 por cota. O último rendimento foi de R$ 0,60. O fundo também aprovou recentemente um programa de recompra de cotas quando os papéis estiverem negociados abaixo do valor patrimonial, mecanismo que pode funcionar como suporte adicional para a cotação no mercado secundário.O OUJP11 (Ourinvest JPP) apresenta P/VP próximo de 0,71, abaixo de sua média histórica de aproximadamente 0,86 vez nos últimos 36 meses.Já o MCRE11 (Mauá Capital Real Estate) negocia a cerca de 0,79 vez o patrimônio, de R$ 9,98 por cota. O fundo distribuiu R$ 0,10 por cota referente a agosto e trabalha com expectativa de manutenção desse valor até dezembro. Apesar da redução dos rendimentos em um ambiente de juros mais baixos, a exposição relevante à inflação pode favorecer a marcação de determinados ativos da carteira.O VGHF11 (Valora Hedge Fund), por sua vez, está entre os maiores descontos da lista, com P/VP próximo de 0,64. O valor patrimonial é de R$ 8,22 por cota. Para Pereira, porém, o desconto não representa apenas uma oportunidade decorrente da queda dos juros.“Por ser mid risk, o desconto reflete juros e risco de crédito além de outros eventos na carteira, sendo um dos hedge funds mais descontados no mercado. Deveríamos ver alguma adequação no secundário”, diz Pereira.Leia Mais: Conheça os 5 shoppings que o FII do Pátria acaba de adicionar à carteiraThe post FIIs sobem forte após 1º turno da eleição presidencial; veja maiores altas appeared first on InfoMoney.
