Rússia tenta conter especulações sobre suposto caso de peste na Sibéria

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Há dias os rumores circulam. Uma jovem funcionária de laboratório teria morrido de uma suspeita de peste na Sibéria. Autoridades temeriam a disseminação de uma epidemia e teriam colocado centenas de pessoas em quarentena.Embora as informações concretas sejam escassas, não faltam relatos conflitantes. Há divergências sobre o nome da funcionária, sua idade e até mesmo sobre se ela realmente morreu e qual teria sido a causa da morte.A agência russa de defesa do consumidor, responsável pelo controle de doenças, afirmou apenas que “uma funcionária de um instituto antipeste da região de Irkutsk” foi “diagnosticada com pneumonia” de origem desconhecida.Isso não impediu a proliferação dos rumores. Alimentadas em parte por declarações contraditórias de autoridades locais e pela ampla desconfiança em relação ao governo russo, que no passado ocultou emergências como o surto de AIDS nos anos 1980, as especulações ganharam manchetes internacionais.Com o Kremlin pedindo na segunda-feira que a população ignore as especulações, veja o que se sabe até agora.Leia tambémOTAN prepara plano para derrotar rapidamente eventual ataque da RússiaEstratégia aposta em drones, inteligência artificial e forças de reação rápida para conter invasões ao flanco leste da aliança e reforçar a dissuasão contra MoscouQuase 200 pessoas são hospitalizadas na Rússia, com suspeita de infecção por pesteA medida foi tomada após a morte de uma funcionária de um instituto russo de pesquisa sobre peste na remota região siberiana; algumas das 189 pessoas apresentam sintomas da doençaA versão oficialA agência de defesa do consumidor da Rússia não identificou a funcionária. Em comunicado divulgado por veículos estatais, informou que “nenhum microrganismo ligado à sua atividade profissional foi identificado nas amostras da paciente” e que “não foram observadas alterações de saúde relacionadas a patologias infecciosas” entre as pessoas que tiveram contato com ela.A agência também afirmou que uma comissão inspecionou o instituto antipeste de Irkutsk para verificar o cumprimento das normas de biossegurança e que “nenhuma situação de emergência envolvendo microrganismos patogênicos foi identificada”.O instituto de Irkutsk realiza pesquisas sobre diversas doenças infecciosas, incluindo a peste, causada por uma bactéria. Embora ocorram algumas centenas de casos por ano no mundo, principalmente na África, a doença pode ser tratada facilmente com antibióticos quando diagnosticada precocemente.No comunicado, a agência acrescentou que a situação sanitária e epidemiológica na região de Irkutsk permanece “estável”.A declaração foi divulgada no domingo, dois dias após surgirem os primeiros relatos de que algo mais preocupante poderia estar ocorrendo na região, localizada a cerca de 4.200 quilômetros a leste de Moscou.Declarações contraditóriasOs primeiros sinais de um possível problema apareceram na sexta-feira, quando o governador da região de Irkutsk informou ter realizado uma “reunião extraordinária” com a principal autoridade sanitária da Rússia para discutir “um caso suspeito de infecção particularmente perigosa em um morador”.“Todos os contatos identificados” da pessoa foram colocados sob observação médica, escreveu o governador Igor Kobzev em uma rede social.No mesmo dia, o prefeito de Shelekhov, cidade próxima a Irkutsk, informou ter recebido “muitas perguntas” dos moradores e confirmou que o setor de internação do hospital local havia sido fechado para quarentena. O prefeito, Maksim Modin, acrescentou que o laboratório da unidade também havia suspendido suas atividades e pediu para que os moradores “não espalhassem rumores”.O governador da vizinha Buriátia, Aleksei Tsydenov, foi o primeiro a mencionar oficialmente a possibilidade de peste. Na sexta-feira, escreveu que “a mulher que morreu de peste na região de Irkutsk” não havia visitado Buriátia. Posteriormente, a mensagem foi editada para afirmar que ela “possivelmente morreu de peste”.No dia seguinte, autoridades de Baikalsk, cidade a cerca de 80 quilômetros de Irkutsk, citaram “informações não oficiais” sobre “um caso de peste” ao aconselhar a população a evitar viagens para Shelekhov. A publicação no Telegram acabou sendo apagada.Também foram removidas pelo menos três publicações da rede de televisão Ren-TV, incluindo uma que identificava a funcionária morta e afirmava que ela pesquisava a peste.Na segunda-feira, Modin afirmou que a situação estava “sob rígido controle” da agência sanitária russa e que “um conjunto de medidas antiepidêmicas está sendo executado”.Teorias e especulaçõesVeículos locais apresentaram um cenário mais preocupante. O portal regional Lyudi Baikala informou que, além do hospital de Shelekhov, outras clínicas e até uma maternidade em Irkutsk haviam sido fechadas.O jornalista local Pavel Stepanov publicou em seu canal no Telegram que uma jovem assistente de laboratório teria quebrado um frasco de testes e morrido. A informação não pôde ser verificada de forma independente.Em uma publicação posterior, na segunda-feira, Stepanov defendeu sua reportagem e questionou por que algumas agências governamentais e veículos alinhados ao Kremlin apagaram comunicados e reportagens sobre o caso.Segundo ele, as autoridades deveriam investigar “se tudo isso não seria uma sabotagem de inimigos que atuam com métodos cada vez mais sofisticados”.Há motivo para preocupação?Autoridades dos Estados Unidos e da União Europeia afirmaram que estão acompanhando os relatos envolvendo Irkutsk.A possibilidade de um vazamento de laboratório e de uma doença potencialmente perigosa levou alguns observadores a compararem o caso à pandemia de Covid-19. Especialistas, porém, observam que, mesmo que a peste seja confirmada, os riscos seriam limitados.Casos humanos de peste continuam ocorrendo todos os anos e a doença é considerada relativamente simples de tratar.Ian Jones, professor e especialista em vírus da Universidade de Reading, no Reino Unido, afirmou por e-mail que o caso de Irkutsk “parece ser um raro acidente de laboratório e dificilmente terá consequências mais amplas”.Este artigo foi publicado originalmente pelo The New York Times.The post Rússia tenta conter especulações sobre suposto caso de peste na Sibéria appeared first on InfoMoney.

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