Há três anos, em 7 de outubro de 2023, combatentes do Hamas apoiados pelo Irã lideraram o ataque considerado o mais mortal já feito contra Israel. Após dispararem foguetes no sul do país, eles atravessaram a fronteira da Faixa de Gaza, matando mais de 1,3 mil pessoas, feriram outras 3,3 mil e fizeram centenas de reféns. A represália israelense que se seguiu é considerada por especialistas como o evento geopolítico mais significativo do conflito israelense-palestino em várias décadas.As consequências e os impactos humanitários da guerra são renovados a cada mês. A última contagem informou que 74 mil palestinos foram mortos em Gaza, praticamente destruída por bombardeios e combates entre as tropas de Israel e milícias do Hamas.Leia tambémIsrael e Gaza marcam três anos do 7 de Outubro entre luto, trauma e divisõesIsraelenses homenagearam vítimas do ataque do Hamas que desencadeou a guerra, enquanto palestinos relembraram a vida antes do conflito; aniversário ocorre às vésperas de uma eleição que pressiona NetanyahuO Escritório Central de Estatísticas da Palestina (PCBS) calcula que aproximadamente 82% de todos os edifícios na Faixa de Gaza foram completamente ou parcialmente destruídos nesses três anos.Do lado de Israel, houve impactos econômicos significativos: com o esforço de guerra, o país foi forçado a aumentar sua dívida, que subiu de 60% antes de 2023 para mais de 70% do PIB. Ao mesmo tempo, o orçamento de defesa de Israel triplicou, subindo de 4% do PIB para mais de 12%.O Produto Interno Bruto (PI) sofreu um baque a partir de 2024, com o crescimento saindo de um patamar de 5% para cerca de 2%. Mas a economia passou a se recuperar mais fortemente em 2025 – a projeção feita pelo FMI para este anos já está em 3,5%.Um dado importante é que mais de 150 mil palestinos de Gaza e da Cisjordânia trabalhavam em Israel – especialmente nos setores de turismo e agricultura. Como a maioria foi impedida de entrar no país, hoje, menos de 30 mil palestinos continuam trabalhando em Israel.O trauma dos ataques de 2023 e dos conflitos contra Hamas, Hezbollah e Irá nos últimos três anos também estão cobrando um preços alto na sociedade israelense. O jornal The Times of Israel informou que quase um milhão de pessoas ligaram para a linha direta de apoio à saúde mental da Emotional First Aid (ERAN) em busca de ajuda no período.Segundo relatório do serviço sem fins lucrativos de primeiros socorros emocionais, foram atendidas 774.604 ligações telefônicas e feitos 154.307 contatos digitais via WhatsApp, chat, SMS e e-mail de adolescentes e jovens adultos, envolvendo pensamentos, intenções ou ações suicidas.Confirma abaixo uma breve linha do tempo, elaborada com dados do Conselho de Relações Exteriores (CFR, na sigla em inglês):Outubro de 2023 (ataques e represália)O Hamas, apoiado por outros grupos armados palestinos, lança um ataque surpresa sem precedentes contra Israel, que mata aproximadamente mil e duzentas pessoas, a maioria civis. Militantes também fazem 251 reféns. É o ataque mais mortal da história de Israel, que responde imediatamente lançando ataques aéreos em Gaza. Depois, em 27 de outubro, as Forças de Defesa de Israel lançam uma ofensiva terrestre chamada Operação Espadas de Ferro para destruir o Hamas em Gaza. Dezenas de milhares de palestinos — civis e combatentes — foram mortos nesses três guerra, enquanto Israel perdeu cerca de mil soldados em Gaza.Novembro de 2023 – 1º cessar-fogoIsrael e Hamas concordam com um cessar-fogo temporário mediado pelos Estados Unidos, Egito e Catar. A trégua inicialmente dura quatro dias e depois é estendida para cerca de uma semana. Sob seus termos, o Hamas liberta 105 reféns, principalmente mulheres e crianças, enquanto Israel liberta cerca de 240 prisioneiros palestinos em troca. Ambos os lados também permitem um aumento de ajuda humanitária em Gaza. Os combates recomeçam em 1º de dezembro, com mais de cem reféns ainda mantidos em Gaza.Setembro/novembro de 2024 – Israel x HezbollahFumaça sobe em Mansouri após explosões israelenses reportadas pela agência de notícias estatal libanesa NNA, vistas de Hinniyeh, sul do Líbano – 28/09/2026 (Foto: REUTERS/Stringer)Quase um ano após os ataques de 7 de outubro, as tensões aumentam entre Israel e o grupo militante libanês Hezbollah, que apoia Hamas em Gaza e atua como o grupo aliado mais importante do Irã na região. O Hezbollah já vinha trocando ataques aéreos com Israel desde 8 de outubro de 2023, mas o conflito se intensifica em setembro, após Israel lançar um ataque coordenado contra operativos do Hezbollah usando dispositivos pager com explosivos. Nas semanas seguintes, Israel lança ataques aéreos que matam o líder de longa data do grupo, Hassan Nasrallah, além de outros membros seniores do Hezbollah. Em outubro, as forças israelenses organizam uma invasão terrestre no sul do Líbano para desmantelar o grupo. Em apoio ao Hezbollah, o Irã lança mais de cento e cinquenta mísseis balísticos contra Israel, levando Israel a retaliar. Foram as hostilidades diretas entre os dois países. Israel e Hezbollah concordam com um cessar-fogo no final de novembro, mas o conflito retorna em definitivo em 2026Janeiro/março de 2025O governo israelense e o Hamas concordam com mais um cessar-fogo, que entra em vigor em janeiro de 2025. Sob seus termos, o Hamas concorda novamente em libertar reféns adicionais, enquanto Israel liberta prisioneiros palestinos em troca. Israel também concorda em admitir ajuda humanitária para enfrentar a grave situação social dos moradores em Gaza. Embora o cessar-fogo inicialmente apontasse para um fim definitivo da guerra, em poucos meses ambos os lados começam a se acusar mutuamente de violar os termos do acordo. Em março, Israel lança novos ataques aéreos e bloqueia a ajuda e energia que entram em Gaza – em maio, voltam as operações terrestres em larga escala.Outubro de 2025Uma bandeira palestina em meio às ruínas de prédios destruídos durante a guerra, na Cidade de Gaza – 07/10/2026 (Foto: REUTERS/Mahmoud Issa)No final de setembro de 2025, a administração Trump revela um plano de vinte pontos para acabar com a guerra. Duas semanas depois, Israel e Hamas concordam com sua primeira fase, que prevê o fim das hostilidades, a retirada parcial das forças israelenses e o aumento significativo da ajuda humanitária a Gaza. Além disso, determina que o Hamas liberte e devolva todos os reféns em troca da libertação por Israel de 250 prisioneiros palestinos cumprindo sentenças perpétuas, 1.700 outros detentos de Gaza e os corpos de 15 palestinos por cada refém falecido recebido.A segunda fase do acordo exige que o Hamas se desmobilize e concorde com um governo de transição em Gaza, além de uma força internacional de estabilização para manter a segurança. Para apoiar o acordo, a administração Trump também exige um Conselho Internacional de Paz, composto por autoridades de mais de sessenta países convidados e presidido por Trump.A administração Trump anuncia o início da segunda fase em janeiro de 2026, após a recuperação dos restos mortais do último refém. A implementação avança lentamente, no entanto; meses após o anúncio, o Hamas não se desarmou, um governo de transição e uma força de estabilização ainda não se materializaram, e menos da metade dos países convidados concordou em ingressar no Conselho da Paz. Enquanto isso, tanto Israel quanto o Hamas continuam a relatar violações regulares do cessar-fogo. Apesar desses surtos periódicos, o cessar-fogo tem se mantido em grande parte.The post Três anos da guerra Israel-Hamas: veja linha do tempo e legado do conflito appeared first on InfoMoney.
