Magalu (MGLU3) segue como maior aposta? As varejistas com espaço para subir após rali

Blog

O varejo tem sido um dos grandes protagonistas do rali da Bolsa brasileira após o primeiro turno das eleições, mas, depois de valorizações de dois dígitos em apenas algumas sessões, a questão entre investidores mudou: em vez de simplesmente procurar as ações mais sensíveis à queda dos juros, passou a ser necessário identificar onde ainda existe espaço para valorização.A leitura conjunta de Goldman Sachs, Itaú BBA e BTG Pactual sugere que o movimento pode ter novos capítulos, mas também que a seleção de ações ganha importância. Magazine Luiza (MGLU3) e Assaí (ASAI3) estão entre as empresas mais beneficiadas diretamente por juros menores, enquanto nomes como Pague Menos (PGMN3), Smart Fit (SMFT3), C&A (CEAB3), Grupo SBF (SBFG3) e Lojas Renner (LREN3) aparecem entre as oportunidades destacadas nas análises.Na segunda-feira (5), primeiro pregão depois da votação, o Ibovespa disparou 7,70%, aos 206.911,89 pontos, maior alta diária desde março de 2020. Magazine Luiza liderou o índice com avanço de 24,18%, enquanto C&A chegou a registrar alta superior a 20% durante a sessão. A reação refletiu a expectativa de investidores de um cenário fiscal mais favorável após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A percepção dos profissionais do mercado é de que uma virada no segundo turno, marcado para 25 de outubro, é pouco provável. Flávio é visto como um nome mais propenso a priorizar o ajuste das contas públicas, ainda que seus planos para a área não estejam claros, enquanto Lula enfrenta a desconfiança de uma parcela relevante do mercado.Foi justamente na manhã daquela segunda-feira, antes da abertura do mercado, que o Goldman Sachs publicou sua análise sobre quais varejistas poderiam se beneficiar mais de um cenário de juros menores. Portanto, as cotações e avaliações daquele relatório ainda não incorporavam a disparada ocorrida ao longo daquele pregão.Magalu é maior aposta, mas não a preferidaO Goldman Sachs apontou Magazine Luiza (MGLU3) e Assaí (ASAI3) como as empresas de sua cobertura com maior sensibilidade aos juros. Na simulação do banco, uma redução de 1 ponto percentual na curva de juros aumentaria em cerca de 20% o lucro líquido projetado do Magalu para 2027 e em 6% o do Assaí, mantidas as demais variáveis.Na tabela de sensibilidade do próprio relatório, que utiliza lucro por ação, o efeito calculado para MGLU3 chega a 22%, muito acima das demais varejistas analisadas.Isso ajuda a explicar por que MGLU3 respondeu de maneira tão violenta à queda dos juros futuros após o primeiro turno. Mas o Goldman Sachs mantém recomendação neutra para Magazine Luiza, enquanto Assaí recebe recomendação de compra. O banco também classifica C&A (CEAB3), Vivara (VIVA3), Lojas Renner (LREN3), Azzas 2154 (AZZA3), Smart Fit (SMFT3), RD Saúde (RADL3) e Totvs (TOTS3) como compra.Leia também12 ações que caíram no rali pós-1º turno: quais ainda são oportunidades?Suzano, Embraer e Vale lideraram perdas enquanto Ibovespa disparava; real forte explica boa parte do movimento, mas analistas recomendam separar rotação de oportunidadeA explicação está na diferença entre sensibilidade macroeconômica e preferência fundamental, já que um papel pode subir muito quando os juros caem sem necessariamente ser a ação favorita do banco para um horizonte mais longo.O Goldman Sachs ainda vê um ambiente difícil para o consumo, diante do nível recorde de endividamento e comprometimento da renda das famílias, enfraquecimento do mercado de trabalho e riscos de inflação de alimentos. Por isso, para além do “trade eleitoral”, prefere empresas com demanda relativamente defensiva: Assaí (ASAI3), RD Saúde (RADL3), Smart Fit (SMFT3) e Totvs (TOTS3).Itaú vê potencial superior a 40% em grupo de açõesEm relatório de terça-feira (6), o Itaú BBA fez um teste de estresse utilizando três variáveis: queda de 300 pontos-base na curva de juros, potencialmente levando os juros reais para 6%; diferentes cenários de PIB; e normalização dos múltiplos em um ambiente de juros mais baixos.O resultado apontou potencial de valorização superior a 40% para Pague Menos (PGMN3), Smart Fit (SMFT3), C&A (CEAB3), Grupo SBF (SBFG3), Magazine Luiza (MGLU3), Lojas Quero-Quero (LJQQ3) e Allied (ALLD3).O Itaú BBA destaca que a normalização dos múltiplos pode ser um dos motores mais fortes nesse ambiente. Entre as ações da lista, Pague Menos negociava a 7,5 vezes o lucro estimado para 2027, Smart Fit a 11,5 vezes, C&A a 7,5 vezes, Grupo SBF a 5 vezes, Magazine Luiza a 9 vezes e Allied a apenas 3,5 vezes.Pague Menos, Magalu e Lojas Quero-Quero também se destacam pela alavancagem e, dessa forma, aparecem entre as empresas que mais poderiam se beneficiar diretamente de juros menores.Em uma segunda faixa, RD Saúde (RADL3), Vivara (VIVA3), Lojas Renner (LREN3) e Riachuelo (RIAA3) aparecem com potencial de alta entre 30% e 40%. O banco avalia ainda que RD Saúde, Vivara e Renner podem se beneficiar de uma retomada do fluxo estrangeiro em um cenário de taxas mais baixas.Assaí: boa tese, mas parte do ganho já ficou para trás?Os analistas também olham ações para as quais a forte valorização recente já reduziu a assimetria. O Itaú BBA cita especificamente Assaí (ASAI3), Natura (NATU3) e Vulcabras (VULC3) entre os casos com potencial restante mais limitado em seu exercício.No Assaí, a questão não é uma deterioração da tese. O banco ainda enxerga a empresa como candidata relevante a receber fluxo estrangeiro e beneficiária clara de juros menores. O problema é o preço depois da disparada: no momento do relatório, a ação já havia acumulado alta de 51% no mês e 56% nos 30 dias anteriores.Leia tambémCom lances de quase R$3 bi, Petrobras arremata 12 blocos na Bacia de CamposPetrobras respondeu por quase todo o bônus arrecadado pelo governo com a venda de 48 blocos ao todoNa Natura (NATU3), revisões para baixo nos lucros aproximaram o papel do valuation que o banco considera normalizado. Já a Vulcabras enfrenta um cenário de curto prazo considerado mais complicado.Enquanto isso, os analistas do BTG Pactual apontam que o rali do varejo pode ter três atos e apenas o primeiro começou a ser precificado.Desde o fim da semana anterior ao relatório, o setor havia avançado aproximadamente 12%. O múltiplo mediano passou de cerca de 8 vezes o lucro esperado para 2027 antes da eleição para 9 vezes. Mas, segundo o BTG, o principal motor não foi uma revisão das perspectivas de lucro. Foi a redução da percepção de risco macroeconômico e político, que diminuiu o retorno exigido pelos investidores para carregar as ações.O banco estima que o movimento observado seja compatível com uma redução entre 100 e 150 pontos-base no custo de capital próprio. Em seu exercício, uma queda de 100 pontos-base nessa variável elevaria em aproximadamente 14%, na média, o valor das empresas cobertas.A segunda etapa viria da própria queda dos juros atingindo os resultados financeiros das companhias. E a terceira, mais adiante, ocorreria caso condições financeiras melhores passassem a estimular crédito, acessibilidade ao consumo, vendas e alavancagem operacional. Na avaliação do BTG Pactual, essas duas últimas etapas ainda estão “largamente à frente”.Quem mais ganha diretamente com uma Selic menor?Nesse ponto, os cálculos do BTG Pactual reforçam o protagonismo do Magazine Luiza. Para cada corte de 1 ponto percentual na Selic, o banco estima aumento de aproximadamente 19% no lucro do Magalu. O efeito seria de 9,9% no Assaí, 5,7% na Pague Menos e 5,1% no Grupo SBF.Azzas teria impacto estimado de 3,5%; Smart Fit, de 2,4%; Natura, de 1,9%; Grupo Mateus, de 1,8%; Panvel, de 1,6%; e C&A e RD Saúde, de 1,3% cada.Mas o BTG Pactual alerta que juros menores, sozinhos, não garantem uma retomada forte do consumo. O endividamento das famílias está em aproximadamente 49,8% da renda disponível e o comprometimento da renda com dívidas continua elevado. Assim, parte da renda liberada pela queda dos juros pode inicialmente ser utilizada para desalavancagem, e não para compras.O crédito passa a ser uma peça fundamental já que, na base histórica analisada pelo banco entre 2006 e 2025, há correlação de aproximadamente 0,51 entre o crescimento do volume do varejo e a variação anual do crédito às famílias como proporção do PIB. Para confirmar uma segunda etapa mais fundamental do rali, o BTG recomenda acompanhar concessões, índices de aprovação, limites dos cartões e padrões de crédito.Não basta esperar volta aos múltiplos de antigamenteO BTG Pactual também coloca um freio em uma das teses mais otimistas para o setor: a ideia de que uma grande queda dos juros automaticamente levaria as varejistas de volta aos valuations históricos.Nos últimos 15 anos, o varejo brasileiro negociou a uma mediana de aproximadamente 15,4 vezes o lucro futuro. O banco, contudo, não considera adequado simplesmente utilizar esse múltiplo como objetivo para o novo ciclo. O comércio eletrônico brasileiro passou de R$ 65 bilhões em 2016 para cerca de R$ 390 bilhões em 2025, ou R$ 476 bilhões incluindo o comércio transfronteiriço. Sua fatia equivalente das vendas totais do varejo subiu de 4% para 12,4%. Ao mesmo tempo, Mercado Livre, Shopee e Amazon concentram aproximadamente 84,5% do tráfego consolidado de marketplaces.Isso significa competição maior, transparência de preços e barreiras geográficas menores. Assim, na visão do BTG, o múltiplo estrutural do varejo deve permanecer inferior ao observado em ciclos anteriores, aumentando a importância de empresas com vantagens reais de marca, escala, rede ou execução.Onde ainda estão as oportunidades?Assim, para os analistas, Magazine Luiza (MGLU3) é praticamente o “puro-sangue” do trade de queda dos juros. Goldman Sachs e BTG Pactual calculam impactos próximos de 20% nos resultados diante de uma redução de 1 ponto percentual nos juros, enquanto o Itaú BBA ainda encontra mais de 40% de potencial em seu cenário normalizado. O contraponto é que o Goldman segue neutro na ação.Pague Menos (PGMN3) chama a atenção pela combinação entre valuation e sensibilidade financeira: está no grupo com mais de 40% de potencial calculado pelo Itaú BBA e teria alta de 5,7% nos lucros para cada 100 pontos-base de queda da Selic, segundo o BTG Pactual.C&A (CEAB3), Smart Fit (SMFT3) e Grupo SBF (SBFG3) também aparecem no grupo de mais de 40% de upside do Itaú BBA. A C&A ainda recebe recomendação de compra do Goldman Sachs, assim como Smart Fit.RD Saúde (RADL3), Lojas Renner (LREN3) e Vivara (VIVA3) oferecem uma combinação diferente: menor benefício direto sobre os lucros vindo dos juros, mas potencial relevante de reprecificação e, segundo o Itaú BBA, entre 30% e 40% de upside no cenário analisado. As três têm recomendação de compra do Goldman Sachs.Já Assaí (ASAI3) ilustra o dilema criado pelo próprio rali: é um dos maiores beneficiários de juros menores e continua entre as preferências defensivas do Goldman Sachs, mas o Itaú BBA entende que a valorização recente já reduziu significativamente o potencial restante.Após o rali, a tese deixou de ser só “juros caem, varejo sobe” uma vez que o primeiro movimento foi uma queda do prêmio de risco e uma expansão dos múltiplos mas, para haver um segundo impulso, os juros precisarão chegar aos lucros e, posteriormente, melhorar efetivamente o crédito e o consumo. The post Magalu (MGLU3) segue como maior aposta? As varejistas com espaço para subir após rali appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *