Starlink pode virar 4ª operadora do Brasil? TIM e Vivo caem após movimento da gigante

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A SpaceX fechou, na última quinta-feira (8), um acordo para adquirir um portfólio nacional de espectro de banda baixa, representando um desafio ​direto às gigantes do setor de telefonia móvel dos EUA. Segundo a companhia, o acordo permitirá que a rede de internet via satélite da subsidiária Starlink se transforme em uma importante operadora de telefonia móvel no mercado americano.Com isso, as empresas de telecomunicações negociavam em queda, com a ​T-Mobile US chegando a ter queda de quase ⁠11%, a AT&T recuando mais de 7% e a Verizon registrando queda superior a 7%. Na B3, as ações de teles caem seguindo a baixa do setor no exterior, com Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) registrando as maiores baixas em um dia positivo para a Bolsa brasileira. Por volta das 15h (horário de Brasília) desta sexta-feira (9), VIVT3 caía cerca e TIMS3 tinha baixa de cerca de 4%. A operação feita pela SpaceX nos Estados Unidos também reacendeu uma discussão relevante para investidores do setor de telecomunicações brasileiro: a companhia de Elon Musk poderia replicar no Brasil a estratégia de telefonia móvel que começa a ser construída no mercado americano?Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe e renova máxima histórica, aos 209,7 milBolsas dos EUA sobem com otimismo com IA e queda no petróleoEm relatório divulgado nesta sexta-feira, o UBS BB avalia que ainda não há uma resposta conclusiva. O banco vê evidências robustas de que a companhia está expandindo suas iniciativas de conectividade móvel no Brasil por meio da Starlink, mas afirma não encontrar sinais concretos de que a SpaceX tenha decidido reproduzir no país o modelo completo de operadora móvel que vem sendo montado nos Estados Unidos.Segundo o UBS BB, o Brasil é um caso particularmente relevante porque está entre os maiores mercados da Starlink no mundo e provavelmente figura entre os três mais importantes globalmente. Por isso, se a estratégia americana for internacionalizada, o país aparece entre os candidatos naturais a receber esse movimento.O que a SpaceX está construindo nos EUA?Para entender o que poderia acontecer no Brasil, o banco argumenta que primeiro é preciso entender a estratégia nos Estados Unidos. Na visão do banco, a recente aquisição de espectro de 800 MHz pela SpaceX não deve ser vista isoladamente. A empresa já possui uma constelação dedicada à conectividade móvel, capacidades de comunicação direta entre satélite e celular (D2D), aquisições pendentes de espectro da EchoStar e aprovações regulatórias para a nova geração da rede Starlink Mobile.A importância do espectro de baixa frequência está na capacidade de ampliar cobertura e melhorar o sinal em ambientes onde a conectividade exclusivamente via satélite enfrenta limitações, especialmente áreas urbanas densas e ambientes internos.Leia tambémMenos juros, mais lucro: Morgan Stanley aponta quais ações ganham mais nesse cenárioBanco vê espaço para mais compressão de prêmio de risco e afirma que small caps brasileiras podem ser as maiores beneficiadas por uma nova queda da SelicPara os analistas, a discussão nos Estados Unidos deixou de ser apenas sobre comunicação direta entre satélite e celular, com o foco passando agora pela capacidade da empresa de construir gradualmente uma plataforma mais completa, combinando satélites, espectro terrestre e, eventualmente, infraestrutura própria.O que já existe no Brasil?Algumas das peças centrais já existem no mercado brasileiro, enquanto outras continuam ausentes. O UBS BB aponta que o Brasil já possui: constelação da Starlink em operação;desenvolvimento de capacidades D2D e iniciativas ligadas ao uso de espectro para comunicação móvel via satélite.Por outro lado, ainda faltam: espectro terrestre de baixa frequência; espectro terrestre voltado à capacidade de rede; infraestrutura terrestre e um modelo integrado de operadora móvel. O Brasil já possui a camada satelital da estratégia, mas ainda não conta com boa parte da arquitetura terrestre que está sendo montada nos Estados Unidos.Entre os temas regulatórios monitorados, o mais importante é o processo envolvendo a faixa de 850 MHz. O banco avalia que essa frequência seria o equivalente mais próximo, no Brasil, ao papel desempenhado pelo espectro de 800 MHz recém-adquirido pela SpaceX nos Estados Unidos.Leia tambémJPMorgan: fluxo “gringo” recorde abriu rali na B3 – investidor local é próxima apostaEntrada recorde de R$ 10 bilhões por estrangeiros marcou o pós-primeiro turno, mas JPMorgan vê o investidor local como principal combustível para sustentar uma nova etapa da altaSegundo o relatório, não existe barreira regulatória óbvia que impeça a SpaceX de participar de futuros leilões promovidos pela Anatel, desde que atenda aos requisitos exigidos dos demais participantes. Isso significa que a companhia não precisaria necessariamente comprar frequências de Vivo, TIM ou Claro para obter espectro terrestre.Ainda assim, ressalta que um eventual acesso ao 850 MHz resolveria apenas parte da questão. Diferentemente dos Estados Unidos, onde a empresa está montando várias camadas de espectro simultaneamente, o banco não identifica no Brasil um portfólio equivalente de frequências de média e alta capacidade.Sobre se a SpaceX já trabalha para oferecer serviços móveis, a instituição afirma ter identificado evidências substanciais de que a empresa busca expandir a conectividade móvel no Brasil.Isso porque a SpaceX solicitou direitos adicionais de espectro S-Band à Anatel; discutiu serviços de voz, mensagens e banda larga via D2D com reguladores; manteve esforços regulatórios dedicados ao projeto Starlink Mobile e informou ter obtido autorizações necessárias para iniciar serviços D2D utilizando espectro de uma operadora parceira local.O banco interpreta esses movimentos como indícios claros de uma expansão além da banda larga tradicional via satélite.Parceria com teles parece caminho mais provávelApesar disso, o UBS BB acredita que a rota mais provável para a SpaceX continua sendo baseada em parcerias com operadoras locais. Segundo o relatório, as evidências disponíveis apontam para acordos envolvendo espectro licenciado por teles brasileiras. O banco também menciona que conversas envolvendo a Vivo já foram reportadas repetidamente pela imprensa especializada.Por isso, a avaliação atual é que o modelo mais provável se parece mais com a parceria original entre Starlink e T-Mobile do que com a atual estratégia americana baseada na acumulação de espectro terrestre próprio.O que o UBS não encontrouO banco faz uma distinção importante entre fatos observados e hipóteses de mercado. Segundo a instituição, não há evidências identificadas de que a SpaceX: tenha manifestado interesse em futuros leilões de 850 MHz; tenha solicitado espectro móvel terrestre; possua planos anunciados de implantação de rede terrestre e pretenda competir diretamente com Vivo, TIM ou Claro.Leia tambémEleições nos EUA podem levar a novo rali em Wall Street? JPMorgan aponta vencedoresO pano de fundo histórico, de um modo geral, é favorável para a Bolsa, mas rali recente do mercado americano pode ser um fator limitanteO banco ressalta que a ausência de evidência não significa que esses movimentos não possam ocorrer futuramente, mas afirma que eles não aparecem hoje nos registros públicos analisados.O que investidores devem acompanhar?O banco aponta já haver evidências de que a conectividade D2D chegará ao Brasil. O que realmente precisa ser monitorado agora são os sinais de expansão para uma estratégia móvel mais ampla, entre eles: participação da SpaceX em processos envolvendo faixas de baixa frequência, principalmente 850 MHz; aquisição de ativos de espectro terrestre;investimentos em infraestrutura terrestre e mudanças regulatórias consistentes com uma estratégia de operadora móvel mais completa.Leia tambémSetor de IA deve impulsionar maior parte dos ganhos nos balanços dos EUA no 3º triAnalistas esperam, em média, que os lucros do S&P 500 aumentem cerca de 31% em relação ao mesmo período do ano anterior no terceiro trimestre, com dois terços desse salto provenientes do setor de tecnologia e das gigantes da IACom isso, a empresa já demonstra interesse claro em ampliar seus serviços móveis no Brasil, mas ainda está distante de reproduzir integralmente a arquitetura de telecomunicações que começa a ser construída nos Estados Unidos. Por enquanto, a transformação da SpaceX em uma quarta grande operadora nacional, por enquanto, continua sendo apenas um cenário possível e não uma estratégia comprovada.The post Starlink pode virar 4ª operadora do Brasil? TIM e Vivo caem após movimento da gigante appeared first on InfoMoney.

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