Os líderes do movimento de protesto liderado por jovens na Índia, o Cockroach Janta Party (CJP), prometeram seguir adiante com a exigência de renúncia da principal autoridade eleitoral do país após serem libertados de uma detenção temporária neste domingo.Partes de Nova Déli permaneceram sob forte esquema de segurança pelo segundo dia consecutivo, depois que milhares de manifestantes foram detidos no sábado. Apesar da repressão, ocorreram protestos esporádicos liderados por organizações estudantis no centro da capital neste domingo, rapidamente dispersados pela polícia. Também houve relatos de manifestações em outras regiões do país.A maioria dos manifestantes foi liberada ainda na noite de sábado, enquanto a Justiça determinou neste domingo a soltura dos três líderes do CJP: Abhijit Dipke, Ashutosh Ranka e Saurav Das. Partidos de oposição liderados pelo Congresso Nacional Indiano, que organizou uma marcha até a sede da Comissão Eleitoral na semana passada, planejam retomar os protestos na segunda-feira.“O Estado está em guerra contra seus próprios cidadãos”, disse Das em entrevista coletiva após ser libertado ao lado dos outros líderes do movimento. “Não vamos recuar.”A Suprema Corte realizou uma sessão extraordinária neste domingo para analisar ações que contestam as amplas restrições impostas pelas autoridades, as detenções e os bloqueios de internet na capital. Um colegiado de dois juízes decidiu que pessoas pacíficas e desarmadas não podem ser detidas em áreas onde não haja ordens de restrição em vigor.Leia tambémÍndia prende líderes do movimento ‘Baratas’ e detém mais de mil manifestantesAto pedia a renúncia do comissário eleitoral Gyanesh Kumar, acusado pela oposição de favorecer o partido de Modi na revisão das listas de eleitoresA Corte determinou ainda que o governo mantenha os serviços de internet funcionando normalmente, permita a circulação de pessoas e veículos dentro das regras de trânsito e garanta a operação regular dos sistemas de metrô e ferrovias.A escala das detenções e das medidas de segurança evidencia as tensões enfrentadas pelo governo do primeiro-ministro Narendra Modi diante de uma rara e persistente onda de insatisfação liderada por jovens. Os protestos também levantaram questionamentos sobre a forma como as autoridades lidam com manifestações e protegem o direito à livre reunião, após o escritório de direitos humanos das Nações Unidas expressar preocupação com as detenções em massa.O Ministério das Relações Exteriores da Índia rejeitou as críticas, classificando-as como uma “interferência indevida nos assuntos internos da Índia”, afirmando que as autoridades agiram dentro da lei.A polícia de Nova Déli informou na sexta-feira que o CJP não havia obtido autorização para realizar protestos e que qualquer concentração de pessoas seria considerada ilegal, alertando para medidas judiciais contra quem descumprisse as restrições.As tensões foram desencadeadas por uma investigação publicada por um jornal local no fim de setembro. A reportagem acusou o chefe da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar, de ignorar preocupações levantadas por dois funcionários da própria instituição sobre uma controversa revisão das listas eleitorais que resultou na exclusão de mais de 130 milhões de nomes.A Comissão Eleitoral negou as acusações, afirmando que as decisões foram unânimes e que divergências de opinião fazem parte do processo deliberativo.A exigência de renúncia de Kumar surge às vésperas de importantes eleições estaduais, incluindo a votação do próximo ano em Uttar Pradesh, o estado mais populoso da Índia, elevando os riscos políticos para o partido governista de Modi e seus adversários.Neste domingo, a polícia de trânsito alertou para possíveis interrupções em dezenas de avenidas e cruzamentos importantes da capital, recomendando que a população evitasse deslocamentos desnecessários. Os serviços ferroviários voltaram a operar normalmente, enquanto as estações de metrô reabriram após o fechamento no sábado.Cerca de 30 mil policiais, apoiados por forças paramilitares, permaneceram mobilizados em toda a cidade enquanto manifestantes tentavam se reunir pelo segundo dia consecutivo, segundo a imprensa local.“O aparato policial é sem precedentes, mas reflete a falta de compreensão sobre como lidar com esta crise”, afirmou Ramu Manivannan, professor e ex-chefe do departamento de política e administração pública da Universidade de Madras.Segundo ele, ao contrário das manifestações políticas tradicionais, nas quais as autoridades conseguem prever trajetos e pontos de concentração, os movimentos atuais utilizam formas menos previsíveis de mobilização.Manivannan alertou que as tentativas de sufocar os protestos por meio de prisões e restrições podem acabar espalhando as manifestações para outras regiões do país. Para ele, o governo deveria buscar uma solução política em vez de responder com medidas de segurança cada vez mais rígidas.Os protestos representam o mais recente desafio para o governo Modi após milhares de estudantes tomarem as ruas em julho para protestar contra irregularidades em exames nacionais, movimento que acabou forçando a renúncia do ministro da Educação. Na ocasião, a polícia também foi criticada pelo uso excessivo da força.Diversos centros comerciais permaneceram fechados durante o fim de semana no centro de Nova Déli.A nova onda de manifestações ocorre ainda em um momento delicado para a economia. O governo tenta reforçar a confiança dos investidores e estimular o crescimento, mas as ações indianas recuaram e a rúpia está entre as moedas com pior desempenho da Ásia neste ano.No sábado, o Banco Central da Índia ampliou suas medidas de defesa da moeda para estabilizar a rúpia, adotando algumas das ações mais contundentes desde o chamado “taper tantrum” de 2013. Ainda assim, permanecem dúvidas sobre até onde a autoridade monetária está disposta a ir diante do aumento das pressões externas.© 2026 Bloomberg L.P.The post Líderes de movimento estudantil prometem manter protestos após libertação na Índia appeared first on InfoMoney.
