Após acordo sobre diesel russo, Trump enfrenta nova crise em relação à Ucrânia

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O novo atrito diplomático do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à Ucrânia começou na sexta-feira no exclusivo clube de golfe de Steve Witkoff, nos arredores de Miami.Altos funcionários ucranianos e europeus viajaram até o clube, o Shell Bay, para reuniões com os enviados de paz de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner. O plano era discutir propostas atualizadas para encerrar a guerra na Ucrânia antes de uma nova viagem de Witkoff e Kushner à Rússia.Mas os dois americanos logo fizeram um anúncio que deixou os visitantes e, pouco depois, grande parte do mundo perplexos quando a notícia veio a público. Os Estados Unidos, disseram eles, suspenderiam as sanções ao diesel russo. Além disso, transmitiram um pedido firme de Trump: que a Ucrânia parasse de atacar refinarias de petróleo russas.Um dos representantes ucranianos perguntou o que receberiam em troca.Os americanos responderam que os Estados Unidos já estavam fazendo muito pela Ucrânia, segundo três pessoas familiarizadas com a reunião, e que não deveriam precisar oferecer algo em troca para que Kiev interrompesse os ataques às refinarias. Eles então mencionaram a assistência de inteligência americana, considerada vital para o esforço de guerra ucraniano.Leia tambémTrump defende acordo de diesel com Rússia enquanto parlamentares reclamamTrump defende acordo de diesel com Rússia enquanto parlamentares de ambos partidos reclamamComandante da Otan alerta que eventual ataque da Rússia será “totalmente fútil”Alexus Grynkewich, Comandante Supremo Aliado da Otan na Europa, fez essas declarações em um momento de crescente tensão entre as nações ​europeias e a RússiaAlguns presentes interpretaram isso como uma ameaça velada, segundo duas das fontes. Um funcionário americano, falando sob condição de anonimato devido à sensibilidade das negociações, negou qualquer sugestão de ameaça de retirada desse apoio. Ainda assim, afirmou que Trump estava tão irritado com a Ucrânia que era difícil prever o que poderia fazer.Agora, a disputa se transformou na maior crise entre Washington e Kiev desde o confronto ocorrido no Salão Oval com o presidente da Ucrânia no ano passado. O futuro do apoio americano à Ucrânia voltou a parecer incerto. A escalada das tensões mostrou como o esforço de Trump para reduzir os preços da energia antes das eleições legislativas do próximo mês ameaça desestabilizar as frágeis negociações sobre a Ucrânia.Witkoff e Kushner agora sinalizam que adiaram a esperada viagem à Rússia até que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, restabeleça uma relação mais estável com Trump, disseram duas pessoas a par das conversas.Para os ucranianos e seus apoiadores europeus, os ataques às refinarias de combustível russas são a forma mais eficaz de responder aos bombardeios da Rússia contra a infraestrutura energética da Ucrânia. Zelensky já afirmou que a Ucrânia está preparada para parar de atacar instalações energéticas caso a Rússia faça o mesmo.A Rússia rejeitou esse acordo. Mesmo assim, para Trump, os ataques ucranianos representam uma afronta a um governo americano que continuou fornecendo inteligência e algum apoio militar à Ucrânia, apesar das duras críticas do presidente dos EUA a Zelensky. Os preços do diesel, em particular, tornaram-se um problema político para Trump, elevando os custos dos agricultores justamente quando a temporada de colheita se aproxima e as eleições estão a poucas semanas de distância.“É melhor ele parar imediatamente”, disse Trump a jornalistas no sábado, referindo-se a Zelensky e aos ataques às refinarias russas, sem mencionar os ataques russos à rede energética ucraniana. “Ele quer criar problemas para o mundo. Quer criar problemas para nossos agricultores e pecuaristas.”Estatísticas de exportação indicam que o aumento dos preços do diesel e da energia decorre principalmente do confronto de Trump com o Irã, embora os ataques da Ucrânia à Rússia também tenham contribuído.No domingo, Trump afirmou nas redes sociais que Rússia e Ucrânia haviam concordado com um “CESSAR-FOGO ENERGÉTICO” com efeito imediato. Nenhum dos lados confirmou o acordo. Uma pessoa familiarizada com seu pensamento disse que Trump se referia apenas a uma trégua envolvendo refinarias nos dois países, embora a capacidade de refino da Ucrânia tenha sido praticamente destruída no início da guerra.Na segunda-feira, líderes europeus e ucranianos disseram que estariam abertos a um cessar-fogo energético, mas demonstraram ceticismo quanto ao cumprimento do acordo pela Rússia. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, observou que a Rússia atacou infraestrutura energética ucraniana na noite de domingo, “apenas algumas horas depois” do anúncio.“Estamos prontos para um cessar-fogo energético. Estamos prontos para qualquer formato mútuo, para qualquer coisa que não seja unilateral”, disse Sybiha a jornalistas ao chegar a uma reunião de ministros das Relações Exteriores em Luxemburgo.Seis horas de conversasA reunião de sexta-feira no clube de golfe de Witkoff durou cerca de seis horas, segundo duas pessoas familiarizadas com ela. Grande parte do encontro foi dedicada a discutir como futuras negociações de paz poderiam funcionar, e o foco esteve em temas já conhecidos.Entre eles estavam a adesão da Ucrânia à União Europeia e a questão do controle territorial.Em determinado momento, Witkoff deixou a sala para participar de uma ligação entre o presidente russo, Vladimir Putin, e Trump, segundo uma das pessoas presentes. Além da equipe negociadora ucraniana, composta por três integrantes, participaram da reunião conselheiros de segurança nacional do Reino Unido, da Alemanha e da França, além de autoridades da União Europeia e da OTAN.Mas o acordo sobre diesel entre Trump e Putin rapidamente eclipsou o restante das discussões. Na sexta-feira, Zelensky classificou como uma “decisão fraca” o acordo de Trump com Putin para permitir importações de diesel russo com o objetivo de reduzir os preços. Com a disputa se intensificando, Trump afirmou no sábado que a Ucrânia precisava de “um novo presidente”.Líderes europeus, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, divulgaram declarações de apoio a Zelensky. Membros do Congresso americano criticaram o acordo sobre diesel, afirmando que ele ajudaria a financiar a máquina de guerra russa.“Os Estados Unidos não deveriam fornecer a Putin uma tábua de salvação financeira enquanto a Rússia continua matando civis ucranianos”, disseram em nota, no domingo, seis senadores de ambos os partidos, entre eles Susan Collins e John Curtis. “O governo deve reverter imediatamente essa decisão.”Material adicionalBjörn Seibert, alto funcionário da União Europeia que participou da reunião de sexta-feira na Flórida, apresentou um relatório sobre o encontro aos embaixadores dos 27 países do bloco no domingo, segundo um representante europeu e três diplomatas informados sobre o assunto.O funcionário e dois dos diplomatas afirmaram que os europeus presentes na Flórida foram pegos de surpresa pelo anúncio sobre o diesel. Segundo eles, os embaixadores ficaram chocados.Uma das principais conclusões da reunião, disse Seibert aos embaixadores, foi que os americanos estavam se envolvendo mais com os russos do que admitem publicamente. Nenhum detalhe adicional sobre esses contatos foi divulgado durante a apresentação, que durou cerca de 20 minutos.O governo Trump argumenta que acordos energéticos com Putin, além de ajudar a reduzir os preços da energia, poderiam abrir caminho para uma solução negociada para a guerra ao demonstrar ao Kremlin que a reintegração da Rússia à economia global seria possível caso Moscou aceitasse fazer concessões no conflito.c.2026 The New York Times CompanyThe post Após acordo sobre diesel russo, Trump enfrenta nova crise em relação à Ucrânia appeared first on InfoMoney.

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