A oposição no Senado mudou de estratégia e passou a indicar apoio à PEC que reduz a jornada semanal e acaba com a escala 6×1. A tendência aumenta as chances de aprovação da proposta antes do segundo turno da eleição presidencial.Até a semana passada, senadores de direita discutiam formas de adiar a votação para depois de 25 de outubro. Entre as alternativas estavam obstruir as sessões ou aprovar alguma emenda que obrigasse o texto a voltar para a Câmara. A avaliação mudou nos últimos dias. Interlocutores da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a considerar que uma posição contrária à PEC poderia gerar desgaste maior do que uma eventual aprovação que beneficiasse politicamente Lula (PT) na reta final das eleições. Votação deve ocorrer nesta semanaO presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu manter a proposta na pauta. A votação em primeiro turno estava inicialmente prevista para quarta-feira (14), mas líderes governistas e de oposição avaliam que pode ocorrer apenas na quinta (15). A PEC precisa de pelo menos 49 votos, em dois turnos, para ser aprovada no Senado.O texto já passou pela Câmara e pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A proposta reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, estabelece duas folgas por semana e proíbe redução salarial.Leia tambémLula ou Flávio: como a eleição brasileira pode redesenhar a América LatinaContinente vive ascensão de programas políticas de direita e modula política externa à Casa BrancaLula: fim da 6×1 será apoiada por maioria dos senadores; cobra posição de FlávioO petista voltou a cobrar um posicionamento do opositor na corrida à presidência em segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), que é senador, sobre o temaCálculo eleitoral mudouAntes do primeiro turno, a principal preocupação da oposição era entregar a Lula uma bandeira de forte apelo popular durante a campanha.Na semana passada, senadores de PL, PP e Republicanos ainda discutiam adiar a votação. A avaliação era de que a aprovação poderia ajudar Lula, embora já admitissem que a maioria da oposição era favorável ao mérito da proposta. Agora, a avaliação predominante é que bloquear a PEC pode produzir um custo próprio para Flávio.O candidato evitou até o fim de semana declarar como votaria. Na semana passada, classificou a discussão como eleitoreira e disse ser favorável a mais tempo de descanso para os trabalhadores, mas defendeu que mudanças considerem efeitos sobre emprego e renda. No domingo, voltou a não responder diretamente se apoiaria a PEC.Campanha de Lula muda tom e adota “estratégia do medo” contra Flávio BolsonaroDivergências podem migrar para o textoA mudança de postura não significa que as críticas da oposição desapareceram. Senadores de direita questionam principalmente a obrigação de duas folgas semanais e os efeitos da regra sobre setores com jornadas específicas. Tereza Cristina (PP-MS), por exemplo, afirmou que a redução da carga horária está praticamente pacificada, mas defendeu ajustes para preservar regimes especiais. Lula perde apoio no Centrão e vê PP e União Brasil fecharem com FlávioRogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, apresentou uma proposta alternativa baseada em remuneração por hora e maior liberdade para acordos individuais sobre a jornada. A disputa, portanto, tende a sair da tentativa de impedir a votação e se concentrar no formato da mudança. Para o governo, a aprovação antes do segundo turno continua sendo uma oportunidade de colocar a redução da jornada no centro da campanha. Para a oposição, o novo cálculo é evitar que a votação transforme o PL em alvo de uma agenda com apoio popular expressivo.The post Direita muda posição e fim da escala 6×1 deve avançar no Senado appeared first on InfoMoney.
