A forte disparada das ações do Magazine Luiza (MGLU3) após o primeiro turno das eleições ganhou respaldo do Itaú BBA, que elevou a recomendação da varejista de market perform para outperform (equivalente à compra) e aumentou seu preço-alvo de R$ 10 em 2026 para R$ 16 por ação no fim de 2027, ou potencial de alta de 31% em relação ao fechamento da semana passada. Os analistas apontam uma combinação de queda dos juros, ganho de participação de mercado e revisões positivas de resultados. Assim, para o BBA, “as estrelas se alinham” para a varejista. A mudança ocorre depois de uma semana histórica para o papel. As ações da companhia avançaram cerca de 60% na semana passada, a maior alta do Ibovespa no período, impulsionadas pelo rali eleitoral e pela perspectiva de um ciclo mais favorável para empresas domésticas sensíveis aos juros.Segundo o Itaú BBA, a Magazine Luiza é provavelmente a empresa mais sensível à queda dos juros dentro de sua cobertura. Pelos cálculos do banco, cada redução de 100 pontos-base na curva de juros adiciona cerca de 11% ao lucro por ação da companhia.A equipe liderada por Rodrigo Gastim afirma que a combinação entre juros menores e melhora operacional torna a relação risco-retorno mais favorável no curto prazo.Queda dos juros muda a teseO Itaú BBA passou a trabalhar com um ambiente de juros reais mais próximos de 6%, patamar considerado por muitos investidores como um cenário normalizado para o Brasil. A expectativa de continuidade da flexibilização monetária levou os analistas a reverem suas projeções para a varejista.O efeito é particularmente relevante porque o modelo de negócios do Magalu depende intensamente de crédito ao consumidor.A empresa financia parcela relevante de suas vendas por meio de operações próprias, da joint venture Luizacred e de cartões de terceiros. Além disso, utiliza antecipação de recebíveis, o que torna seus custos financeiros bastante sensíveis ao comportamento dos juros.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta terçaÍndices futuros dos EUA operam mistos à espera de balanços de bancos O relatório estima uma dívida líquida ajustada próxima de R$ 13 bilhões, incluindo recebíveis descontados. Por isso, um ambiente de juros mais baixos tende a beneficiar simultaneamente demanda, despesas financeiras e geração de resultados.Além dos juros, o Itaú BBA vê uma oportunidade relevante de crescimento a partir das dificuldades enfrentadas pelo Grupo Casas Bahia (BHIA3). Segundo a análise, o processo de recuperação judicial e o fechamento de aproximadamente 29% da rede de lojas físicas da concorrente podem abrir espaço para uma transferência expressiva de vendas para o Magalu.O banco afirma que a redução dos estoques e a possível restrição de crédito de fornecedores para a Casas Bahia podem limitar disponibilidade de produtos, variedade e investimento comercial da companhia nos próximos trimestres. Nesse cenário, Magazine Luiza tende a capturar parte relevante da demanda deslocada.A proximidade física favorece esse movimento, já que cerca de dois terços das lojas fechadas pela Casas Bahia possuem uma unidade do Magalu a menos de 400 metros de distância.O Itaú BBA compara a situação ao que ocorreu anos atrás com a Máquina de Vendas. Naquele episódio, à medida que a concorrente se enfraqueceu, o crescimento das vendas nas mesmas lojas do Magazine Luiza acelerou significativamente.R$ 7,5 bilhões adicionais em vendasA estimativa do banco é que a companhia possa capturar cerca de R$ 7,5 bilhões adicionais em vendas até 2027, com impacto potencial de aproximadamente R$ 300 milhões no lucro líquido.Uma parte desse ganho viria diretamente do fechamento de lojas da Casas Bahia. Outra parcela seria capturada em unidades que continuam operando, mas com menor capacidade comercial.Os marketplaces também aparecem como um terceiro vetor, com a entrada recente do Magazine Luiza nas plataformas do Mercado Livre e da Amazon como uma oportunidade adicional de crescimento. Segundo os analistas, a companhia já registrou cerca de 330 mil vendas no Mercado Livre desde o lançamento da operação em setembro, com ritmo diário aproximadamente 25% superior ao observado pela Casas Bahia após sua entrada na plataforma.Leia tambémBolsa dispara e dólar cai 4,64%; o que esperar dos mercados?bovespa avança 8,82% na semana e renova recorde, mas sobrecompra eleva risco de correção; dólar testa os 5 mil pontos e Bitcoin perde médias.As revisões de estimativas refletem essa visão mais otimista, com o Itaú BBA agora projetando lucro líquido de R$ 776 milhões em 2027, contra projeções anteriores de cerca de R$ 266 milhões. Para 2028, a previsão sobe para R$ 1,18 bilhão.A receita líquida estimada para 2027 passou para R$ 45,4 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado foi elevado para R$ 3,7 bilhões.O banco projeta ainda crescimento das vendas mesmas lojas próximo de 18% em 2027, refletindo o efeito combinado de captura de participação de mercado e melhora do ambiente macroeconômico.Apesar da valorização recente, o Itaú BBA argumenta que boa parte do movimento refletiu apenas a primeira etapa da queda dos juros.Na visão dos analistas, uma eventual continuidade da redução das taxas para a faixa de 5,5% a 6% reais e a materialização dos ganhos de mercado ainda não estão totalmente incorporadas às cotações.Ao mesmo tempo, o Itaú BBA reconhece que os desafios estruturais continuam presentes. Os analistas citam o aumento da concorrência no varejo online, a necessidade de transformar crescimento em geração de caixa e os riscos de uma interrupção no ciclo de queda dos juros como fatores que seguirão no radar dos investidores.The post MGLU3: “estrelas se alinham” para o Magazine Luiza e Itaú BBA eleva ações para compra appeared first on InfoMoney.
