Um funcionário da OpenAI foi preso e acusado de usar um dispositivo oculto de gravação em um dos escritórios da empresa em São Francisco, segundo comunicados da companhia de inteligência artificial e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.Abdulrahman Alfozan, cidadão da Arábia Saudita, foi preso em 9 de outubro, mais de uma semana após funcionários da OpenAI encontrarem um dispositivo de gravação de áudio atrás de uma televisão em uma sala executiva de reuniões, informou o Departamento de Justiça na terça-feira. Alfozan, acusado de ter instalado o equipamento, está sob custódia federal e compareceu ao tribunal em São Francisco também na terça-feira.Alfozan havia ingressado na OpenAI em julho de 2025 e trabalhava na equipe de produtos da empresa. Ele foi demitido no mesmo dia de sua prisão, segundo a companhia.O episódio tende a aumentar as preocupações com a segurança nas principais empresas de tecnologia em um momento em que países disputam de forma agressiva a liderança no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial cada vez mais poderosos.“Neste momento, não temos indícios de que esse indivíduo tenha acessado ou extraído de forma inadequada pesos de modelos, código-fonte ou dados de clientes”, publicou a OpenAI na rede social X na terça-feira.Leia tambémIA nas vendas B2B: o que automatizar e onde o fator humano pesa maisProspecção ganha escala com a tecnologia, mas negociações complexas exigem confiança, destacam executivos no podcast É Mais que TechASML eleva guidance pela 3ª vez em 2026 com demanda de IA puxando máquinas de chipsA companhia holandesa passou a estimar vendas anuais entre 44 bilhões e 45 bilhões de euros, acima da orientação anterior de 43 bilhões a 45 bilhões de eurosWilliam Pernik, advogado de defesa de Alfozan, afirmou que a equipe jurídica “aguarda a oportunidade de apresentar todas as defesas cabíveis no tribunal”.Segundo Pernik, Alfozan chegou aos Estados Unidos ainda jovem e passou anos estudando e trabalhando no setor de tecnologia.“O local onde uma pessoa nasceu não é prova de nada”, disse o advogado, acrescentando que seu cliente não foi acusado de roubo de segredos comerciais nem de atuar como agente de um governo estrangeiro.“Essas acusações parecem totalmente incompatíveis com seu histórico”, afirmou Pernik. “Vamos investigar minuciosamente todas as evidências apresentadas pelo governo para entender o que realmente aconteceu, quem foi o responsável e quais podem ter sido as motivações.”A OpenAI informou que uma de suas equipes de segurança encontrou o dispositivo em 30 de setembro durante uma inspeção de rotina em uma sala de conferências da empresa. Segundo detalhes e imagens divulgados pelo Departamento de Justiça, o equipamento estava conectado a uma porta USB na parte traseira da televisão e coberto com papel higiênico para disfarçá-lo.Uma imagem divulgada pelo órgão mostrava um pequeno dispositivo preto com a inscrição “Seeed Studio”. De acordo com as autoridades, a OpenAI concluiu que ele havia sido instalado por volta de 28 de setembro.A empresa afirmou que utilizou seus próprios modelos de inteligência artificial para analisar o dispositivo e identificar quem o havia colocado no escritório.Segundo a denúncia, Alfozan não tinha autorização para acessar a sala de conferências, normalmente utilizada para reuniões envolvendo “informações técnicas, comerciais e estratégicas altamente confidenciais”.A OpenAI disse ainda ter encontrado evidências de que ele planejava usar outros dispositivos de gravação para registrar secretamente reuniões em diferentes áreas do escritório. No início de outubro, de acordo com o Departamento de Justiça, funcionários da segurança da empresa encontraram outro aparelho semelhante dentro de uma bolsa deixada por ele em um dos prédios corporativos.De acordo com um perfil no LinkedIn atribuído a Alfozan, ele trabalhava como líder de engenharia na OpenAI em softwares de agentes de IA. O perfil também informa que, desde 2025, ele atua em tempo parcial como sócio da gestora de venture capital saudita Raed Ventures e que anteriormente foi engenheiro sênior de sistemas na Meta Platforms.Ainda segundo o perfil, Alfozan estudou ciência da computação e engenharia no Massachusetts Institute of Technology (MIT) entre 2011 e 2016 e concluiu um mestrado em ciência de dados na Universidade da Califórnia, Berkeley, entre 2023 e 2025.A OpenAI afirmou ter acionado o FBI e disse que a investigação permanece em andamento.Segundo a denúncia criminal do FBI, o dispositivo utilizado seria um Seeed Xiao ESP32-S3 Sense, descrito como uma “placa de desenvolvimento do tamanho de um polegar com sensor de câmera removível, microfone digital e armazenamento via cartão microSD”. Um equipamento com essa descrição era vendido por US$ 14 no site da fabricante até terça-feira.Lennart Koopmann, fundador da empresa de cibersegurança Nzyme, afirmou que o dispositivo supostamente usado por Alfozan parece ser baseado em “uma placa eletrônica para hobbyistas”. Ele destacou recursos como microfone, armazenamento das gravações em cartão de memória e transmissão sem fio de áudio por Wi-Fi a curtas distâncias.“Isso o torna barato e fácil de esconder. Detectar um dispositivo assim exige equipamentos capazes de monitorar sinais sem fio em busca de aparelhos desconhecidos ou, caso a transmissão esteja desligada, uma inspeção física dos ambientes”, afirmou Koopmann.Alfozan deverá voltar a comparecer perante o juiz Alex G. Tse, do Tribunal Distrital Federal do Norte da Califórnia, em São Francisco, no dia 19 de outubro.© 2026 Bloomberg L.P.The post FBI prende funcionário da OpenAI acusado de instalar escuta clandestina em escritório appeared first on InfoMoney.
