A Polícia Federal (PF) identificou uma movimentação de R$ 1,4 milhão cuja origem primária não foi esclarecida nas contas do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), preso nesta quinta-feira durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. Segundo os investigadores, o dinheiro foi transferido pela Brumar Empreendimentos e Participações, empresa da qual o político é sócio, em 21 operações bancárias realizadas entre maio de 2025 e abril de 2026. A instituição financeira que comunicou as movimentações suspeitas não conseguiu identificar de onde vieram originalmente os recursos.Unha e Carne: Ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim são presos pela PFInvestigação: PF afirma que Márcio Canella é ‘patrono político’ e ‘articulador’ de organização criminosa ligada ao Comando VermelhoOs dados constam da representação encaminhada pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF), que embasou a decisão do ministro Alexandre de Moraes de decretar a prisão preventiva de Canella, deputado estadual eleito e segundo mais votado do Rio nas eleições deste ano. No documento, os investigadores apontam o político como articulador de uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita.De acordo com a representação, Canella recebeu aproximadamente R$ 2.594.294,49 em créditos bancários no período analisado. Desse total, R$ 1.402.294,90 tiveram origem na Brumar, sociedade dividida em partes iguais entre o ex-prefeito e o empresário Bruno Viana de Souza. A PF afirma que os valores chegaram à conta do político após passarem por movimentações da empresa em outra instituição financeira, o que dificultou a identificação de sua procedência original.Prisão de Canella e Amim: veja como funcionava esquema de lavagem de dinheiro em postos que movimentou R$ 7,6 bilhões, segundo a PFPara os investigadores, esse padrão constitui indício de possível lavagem de dinheiro, já que a circulação de recursos entre contas e instituições pode dificultar o rastreamento dos valores. A ausência de identificação da origem primária, no entanto, não comprova, por si só, que o dinheiro seja proveniente de atividade criminosa.A investigação também identificou transferências posteriores a familiares, integrantes do círculo político de Canella e empresas ligadas ao próprio grupo. Entre os destinatários mencionados estão Mariana Malta Monteiro da Silva, sucessora de Canella na prefeitura de Belford Roxo, que recebeu R$ 50 mil; Patrícia Stampini de Oliveira, mulher do ex-prefeito, com R$ 15 mil; e Maria José Correia da Silva, mãe do político, com R$ 5 mil.A PF também registra pagamentos de R$ 100 mil à MCO Participações e de outros R$ 100 mil à G.A.D.U. Automóveis. Os investigadores consideram que a circulação de dinheiro entre pessoas físicas e jurídicas relacionadas pode representar um mecanismo de dispersão patrimonial. Os registros, isoladamente, não demonstram irregularidades por parte dos destinatários das transferências.Lavagem de dinheiro: PF aponta movimentação de R$ 7,6 bi em esquema investigado em operação que prendeu Marcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil do RioSociedade com empresário ligado a postos de combustíveisOutro elemento examinado pela PF é a participação de Bruno Viana de Souza no setor de combustíveis. Segundo a representação, o sócio de Canella na Brumar também possui vínculo societário com o Posto de Gasolina São Sebastião de Belford Roxo, estabelecimento que registrou mais de R$ 10 milhões em depósitos em espécie comunicados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).Veja também: Quem é Márcio Canella, segundo deputado estadual mais votado do Rio, preso em operação da PFQuem é Marcus Amim: delegado que comandou a Polícia Civil e teve nomeação articulada com Bacellar foi preso pela PFA própria Brumar já havia chamado a atenção das instituições financeiras. Entre agosto e outubro de 2021, a empresa movimentou aproximadamente R$ 264,8 mil em créditos e R$ 264,2 mil em débitos. Nesse período, Canella transferiu R$ 100 mil à sociedade, enquanto Bruno Viana realizou um saque de R$ 48 mil em dinheiro.Segundo a PF, a instituição financeira apontou que o valor sacado estava próximo do limite regulamentar de comunicação automática ao Coaf, circunstância considerada indicativa de possível fracionamento de operações.Leia tambémFlávio oscila para baixo no Datafolha; o que mudou na disputa contra Lula?Pesquisas mostram disputa apertada, mas eleitorados seguem divididos por renda, região e religiãoMesmo preso, Canella pode ser diplomado como deputado; entenda o casoPartidos, candidatos e o Ministério Público podem recorrer contra o resultado do segundo candidato mais votado para a Alerj Além das transações bancárias, os investigadores encontraram anotações manuscritas na residência de outros suspeitos com referências a pagamentos destinados a Canella. Os registros mencionam repasses de R$ 51 mil, R$ 31 mil e R$ 57 mil, este último associado ao codinome “Amigo”. As quantias aparecem relacionadas aos postos Jardim Ubá e LP Francis, integrantes da rede investigada.Prisão de Canella e Amim: PF identifica grupo criminoso que recebia avisos de servidores estaduais sobre fiscalizações em postos de combustíveisA representação sustenta que esses pagamentos, sem lastro contratual aparente, reforçam a suspeita de que o político seria beneficiário recorrente de valores provenientes do núcleo econômico da organização. Para a PF, embora Canella não tenha sido identificado como operador direto das movimentações financeiras do grupo, os registros indicariam sua participação na distribuição dos recursos.Investigação levou à prisão de seis suspeitosAs movimentações financeiras integram uma investigação mais ampla sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, comercialização irregular de combustíveis e formação de cartel. Um relatório do Coaf identificou aproximadamente R$ 7,6 bilhões em movimentações envolvendo 835 pessoas físicas e jurídicas interligadas entre maio de 2020 e março de 2026. O montante representa o conjunto das transações analisadas, e não dinheiro comprovadamente desviado.Esposas ‘laranjas’: investigação da PF mostra como policiais civis usavam mulheres em esquema de lavagem de dinheiro com postos de combustíveisEleições 2026: Ao contrário de São Paulo e Minas Gerais, Rio de Janeiro não teve fenômeno de votação nas urnas; especialistas analisam as razõesA apuração avançou após as buscas realizadas em julho, quando a PF apreendeu documentos, celulares e registros financeiros em endereços ligados aos investigados. A análise desse material embasou novos pedidos de prisão preventiva apresentados ao STF em setembro.Além de Canella, foram alvos das ordens de prisão o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim e quatro policiais civis: Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo; José Carlos Alves de Souza Júnior; e os irmãos Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes. Segundo os investigadores, o grupo teria mantido uma estrutura empresarial e política destinada à exploração de postos de combustíveis e à ocultação de recursos.Unha e carne: relembre todas as fases da operação da PF que tem revelado ligações de políticos com o crime organizadoPor meio de sua advogada, Sheila Lustoza, Márcio Canella afirmou que “confia em Deus, na Justiça e tem certeza de que tudo será esclarecido”. The post PF diz que Canella movimentou R$ 1,4 milhão sem origem esclarecida; veja transações appeared first on InfoMoney.
