O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) deve adotar uma postura mais moderada em um eventual debate contra Lula (PT) na TV Globo, previsto para sexta-feira (23). A avaliação é do cientista político Murilo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB), que considera o confronto um dos últimos momentos capazes de influenciar o eleitorado ainda indeciso antes do segundo turno.Em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, nesta quarta-feira (21), Medeiros afirmou que a vantagem conquistada por Flávio no primeiro turno tende a levar o senador a evitar confrontos desnecessários. Lula, por sua vez, precisaria assumir mais riscos para tentar reverter o resultado.Debate 2º turno: quando será o próximo embate entre Lula e Flávio Bolsonaro?“Qualquer deslize, qualquer interpretação mal compreendida sobre algum tema popular, pode custar votos para Flávio nessa reta final. Então, Flávio tende a jogar mais parado. Eu acredito, inclusive, que o tom dele no debate da TV Globo vai ser mais moderado”, afirmou.O professor avalia que o senador deve buscar uma imagem mais presidencial, deixando de lado parte da agressividade utilizada no primeiro debate do segundo turno, realizado pela Band no domingo (18).“Ele vai tentar se apresentar como um nome já presidenciável, mais dentro de uma caixa do que exatamente um atirador, até porque quem precisa correr atrás do resultado é o presidente Lula”, disse.Leia tambémEconomist trata Lula como ‘azarão’ no 2º turno mais acirrado desde a redemocratizaçãoA publicação lembra que “nenhum candidato que perdeu o primeiro turno conseguiu, até hoje, vencer o segundo”Lula pode encerrar carreira política com derrota para Flávio, diz The New YorkerRevista americana vê eleição brasileira como parte de avanço da direita na América Latina e afirma que presidente enfrenta dificuldades para mobilizar eleitoresO risco de um erro na reta finalPara Medeiros, a disputa chegou a um estágio em que os dois candidatos têm pouco espaço para conquistar novos eleitores. Isso aumenta a importância de evitar declarações que possam provocar rejeição entre os segmentos menos identificados com os dois campos políticos.Na avaliação do cientista político, Lula pode se beneficiar especialmente de um erro do adversário, de integrantes de sua campanha ou de sua equipe econômica.“O que pode vir a beneficiar Lula é uma frase mal colocada de Flávio, ou de algum aliado seu, ou da sua própria equipe econômica, por exemplo”, afirmou.A preocupação ganhou importância depois do debate da Band. Embora Medeiros considere que Flávio demonstrou maior preparo para o formato do confronto, o senador também adotou comportamentos que podem gerar resistência entre eleitores independentes.“Tesouraço”: como é o plano de Flávio Bolsonaro para corte de gastos e impostosO professor avaliou que Lula, apesar de sua experiência política, mostrou irritação durante o encontro e teve dificuldades para responder a algumas provocações.“No debate da Band, o Flávio parecia estar mais bem treinado para o modelo do debate, por mais que algumas vezes tenha se esquivado em responder, algumas vezes com deboche. Lula, um pouco mais irritado, mesmo com sua experiência, foi nítido que ele estava muito estressado com aquela situação”, disse.Debate pode afastar indecisosO risco, segundo Medeiros, não se limita à perda de votos para o adversário. Um confronto excessivamente agressivo também pode desestimular a participação de eleitores que já demonstram pouco interesse pela disputa.“Se for um debate muito belicoso, repleto de denúncias de lado a lado, esse eleitor pode simplesmente abrir mão de sair de casa para votar”, afirmou.O professor considera que o comportamento dos eleitores independentes será especialmente importante em uma eleição marcada por margens estreitas nas pesquisas.Na Quaest divulgada nesta quarta-feira, Flávio apareceu com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula, em situação de empate técnico. A pesquisa também mostrou rejeição de 52% ao senador e de 47% ao presidente.Exército do Lula e Tropa do Flávio: como lógica do BBB chegou na eleição presidencialPara Medeiros, esses números indicam que Flávio precisa evitar novos fatores de desgaste, enquanto Lula tenta transformar a resistência ao adversário em votos.“O tom de Lula e de Flávio vai importar muito, além das ideias que vão ser lançadas. O tom, a forma como eles vão se apresentar ao eleitor”, afirmou.Participação ainda era incertaAté a noite de quarta-feira, as campanhas ainda não haviam confirmado definitivamente a participação dos candidatos no encontro da Globo.Durante o programa, foi lembrado que dirigentes do PT condicionavam a presença de Lula à adoção de mecanismos de checagem de informações em tempo real. A campanha de Flávio também avaliava a estratégia para um eventual novo confronto.O debate está previsto para ocorrer apenas dois dias antes do segundo turno, marcado para domingo (25), o que reduziria o tempo disponível para as campanhas responderem a uma eventual repercussão negativa.Nesta reta final da eleição, o Mapa de Risco terá edições especiais ao vivo, de segunda a sexta-feira, às 18h, no canal do YouTube do InfoMoney.The post Flávio deve moderar tom no debate da Globo para evitar perda de votos, diz analista appeared first on InfoMoney.
