O período entre o primeiro e segundo turno eleitoral costuma ser marcado por movimentos opostos para a Bolsa e câmbio, como mostra levantamento da Elos Ayta, a pedido do InfoMoney, sobre o comportamento dos principais ativos financeiros brasileiros em anos de eleição presidencial.Enquanto o Ibovespa e o índice Small Caps frequentemente registram ganhos nesse intervalo, o dólar e o euro apresentam trajetórias mais irregulares, refletindo a incerteza dos investidores diante das disputas eleitorais.Leia tambémPor que Ibovespa caiu 1,15% hoje? Os fatores que explicam – além da cautela eleitoralO foco no dia fica voltado para levantamento do Datafolha, mas cenário externo negativo também contribuiu para queda dos mercadosNa eleição de 2002, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva, o mercado acionário teve forte desempenho entre os turnos. O Ibovespa avançou 8,15%, enquanto o dólar PTAX subiu 3,89% e o euro ganhou 3,48%. O movimento refletiu a elevada volatilidade daquele período, marcado por preocupações com a transição de governo e o cenário macroeconômico brasileiro.Quatro anos depois, na reeleição de Lula, o comportamento foi diferente. O dólar caiu 1,67% e o euro recuou 1,22% entre os turnos, enquanto o Ibovespa acumulou alta de 7,9%. O destaque ficou para o índice de small caps, que avançou 5,47%, indicando um ambiente de maior apetite por risco.Em 2010, quando Dilma Rousseff venceu a disputa presidencial, os ativos apresentaram desempenho predominantemente positivo entre os turnos. O dólar avançou 1,2%, o euro subiu 2,15% e as small caps tiveram valorização de 4,78%. O Ibovespa, entretanto, registrou ganho mais modesto, de apenas 0,63%.Na eleição de 2014, entre o primeiro e o segundo turno, o Ibovespa recuou 4,77% e o índice de small caps caiu 5,75%. O dólar também teve leve queda de 0,51%, enquanto o euro registrou alta de 0,7%, em um ambiente dominado por forte polarização política e preocupações com a economia.O melhor desempenho das ações entre turnos ocorreu em 2018, ano da eleição de Jair Bolsonaro. As small caps lideraram os ganhos, com alta de 7,64%, seguidas pelo Ibovespa, que avançou 4,13%. Ao mesmo tempo, houve forte valorização do real perante as principais moedas: o dólar caiu 5,03% e o euro recuou 5,96%.Na eleição de 2022, que marcou o retorno de Lula à Presidência, o comportamento foi novamente positivo para a renda variável. O Ibovespa subiu 4,09% entre os turnos e as small caps avançaram 3,63%. O dólar caiu 1,13%, enquanto o euro teve leve alta de 0,39%.Em cinco das seis eleições analisadas, o Ibovespa registrou valorização nesse intervalo. Apenas em 2014 o principal índice da Bolsa brasileira encerrou o período no campo negativo.O comportamento das empresas de menor valor de mercado foi ainda mais consistente. As small caps apresentaram ganhos em cinco dos seis pleitos observados, indicando que momentos de maior definição eleitoral costumam beneficiar ativos mais sensíveis ao ciclo econômico doméstico.Após segundo turnoJá o cenário muda quando se observa o desempenho dos ativos entre o segundo turno e o encerramento de cada ano. Nesse período, os resultados mostram maior dispersão e dependência do ambiente econômico que sucede a eleição.Em 2002, por exemplo, o Ibovespa acumulou alta de 12,52% entre a eleição e o fim do ano, enquanto o dólar caiu 7,06%. Em 2006, o movimento positivo foi ainda mais intenso para as small caps, que dispararam 20,32%, e para o Ibovespa, que avançou 13,08%.Em contraste, 2010 e 2014 registraram desempenhos mais fracos. Após a eleição de Dilma Rousseff em 2010, o Ibovespa caiu 1,94% até dezembro, enquanto em 2014 o índice recuou 3,72%. As small caps também fecharam esses períodos no negativo, com quedas de 2,51% e 5,75%, respectivamente.O ano de 2018 voltou a apresentar forte recuperação dos ativos brasileiros após o pleito. Entre o segundo turno e o fim do ano, as small caps avançaram 10,58%, o Ibovespa ganhou 4,88% e tanto dólar quanto euro registraram valorização frente ao real, de 6,54% e 7,16%, respectivamente.Já em 2022, o comportamento foi mais desafiador para a Bolsa. O Ibovespa recuou 4,19% entre a eleição e o encerramento do ano, enquanto o índice de small caps caiu expressivos 10,84%. No mercado de câmbio, o dólar perdeu 2,39%, mas o euro avançou 4,86%.The post O que aconteceu com a Bolsa e dólar após o segundo turno, nas últimas eleições? appeared first on InfoMoney.
