Como ações de estatais se comportaram durante as eleições e depois do 2º turno?

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Os anos eleitorais tendem aumentar a volatilidade de companhias estatais mais do que de companhias privadas. Em 2026, no entanto, as principais estatais federais subiram mais do que outras companhias privadas durante o resto do ano, mas valorizaram menos após o 1º turno. As informações são de estudo realizado pela Economatica, a pedido do InfoMoney.O levantamento reuniu 19 empresas estatais listadas na B3, controladas pela União, governos estaduais, Distrito Federal ou pelo município de São Paulo, abrangendo setores como bancos, energia elétrica, saneamento, seguros e telecomunicações. Entre as companhias incluídas estão nomes de maior peso no mercado brasileiro, como Petrobras, Banco do Brasil, BB Seguridade, Caixa Seguridade e Cemig, além de empresas regionais, como Banestes, Banrisul, Celesc e Sanepar. HistóricoA média das seis eleições presidenciais concluídas entre 2002 e 2022 mostra que as estatais brasileiras tendem a apresentar desempenho superior ao das empresas privadas em períodos eleitorais. Do início do ano até a véspera do primeiro turno, as estatais registraram valorização média de 8,6%, enquanto as privadas recuaram 2,5%, uma diferença de 11,2 pontos percentuais. Em 2026, essa vantagem está ainda mais acentuada: as estatais acumulam desempenho 15,1 pontos percentuais superior ao das companhias privadas na mesma janela.Os dados também indicam que o comportamento das estatais varia ao longo do calendário eleitoral. Entre o primeiro e o segundo turno, por exemplo, as estatais avançaram, em média, 3,0%, ligeiramente acima dos 2,6% das privadas. Já a reação ao segundo turno costuma ser mais desafiadora para esse grupo, com queda média de 1,5%, contra recuo de 0,4% das companhias privadas. Esse movimento sugere que boa parte dos ganhos associados às expectativas eleitorais pode ser parcialmente devolvida após a definição do resultado das urnas, em especial quando já há definição sobre como será a atuação do candidato eleito. No horizonte mais amplo, entretanto, o desempenho relativo das estatais permanece expressivo. Considerando o ano completo das seis eleições analisadas, as empresas sob controle estatal entregaram retorno médio de 17,5%, mais de três vezes superior aos 5,6% observados entre as privadas. Em 2026, até o momento, a diferença acumulada entre os dois grupos já alcança 15,2 pontos percentuais. O desempenho, sem dúvida, é ajudado pela Petrobras (PETR4; PETR3), que sobe 99% em 2026 até quinta-feira (22). No pregão seguinte ao 1º turno, a petroleira, no entanto, não foi a maior alta da sessão. O Banco do Brasil subiu +11%. O movimento de estatais perdendo para o desempenho de companhias privadas não é estranho em anos eleitorais, no mercado brasileiro.No entanto, as estatais ficaram atrás das privadas no dia seguinte ao 2º turno em 5 das 6 eleições (média de -1,1 p.p.). A ação preferencial da Petrobras caiu nesse pregão em 5 das 6 disputas, com as maiores quedas em 2014 (-12,3%) e 2022 (-8,5%). O Banco do Brasil também recuou em 5 das 6.Desempenho superior em 2026Em 2026, as empresas estatais vêm apresentando desempenho significativamente superior ao das companhias privadas listadas na B3. Do início do ano até a véspera do primeiro turno, a mediana de retorno das estatais avançou 10,2%, enquanto as empresas privadas acumularam queda de 4,9%, resultando em uma vantagem de 15,1 pontos percentuais para o grupo controlado pelo setor público. Entre as estatais federais, o desempenho foi ainda mais expressivo, com valorização média de 28,2% no período.A reação imediata ao primeiro turno, porém, mostrou um movimento diferente. As empresas privadas subiram 5,0%, superando o ganho de 1,6% das estatais. O mesmo ocorreu no intervalo entre o primeiro e o segundo turno, até 20 de outubro, quando as companhias privadas registraram alta de 6,6%, contra avanço de 5,4% das estatais.Considerando todo o ciclo eleitoral entre a véspera do primeiro turno e o período anterior ao segundo turno, as privadas também lideraram os ganhos, acumulando valorização de 13,4%, ante 7,2% das estatais.No acumulado do ano até 20 de outubro, contudo, o desempenho das estatais segue amplamente superior. O grupo apresenta valorização mediana de 22,8%, frente a ganho de 7,5% das empresas privadas, uma diferença de 15,2 pontos percentuais. O destaque fica para as estatais federais, que acumulam alta média de 45,5% no período, indicando que companhias como Petrobras, Banco do Brasil, BB Seguridade e Caixa Seguridade têm concentrado boa parte da valorização observada no segmento estatal ao longo de 2026.Metodologia adotada no estudoA metodologia utilizou dados da Economatica com cotações diárias ajustadas por proventos entre 2 de janeiro de 2002 e 20 de outubro de 2026. O universo de estatais foi composto por 19 empresas listadas na B3 controladas pela União, estados, Distrito Federal ou pelo município de São Paulo, considerando o maior acionista com direito a voto informado na base. Para evitar distorções, foi considerada apenas uma classe de ação por companhia, selecionando-se sempre o papel de maior liquidez. Empresas já privatizadas foram excluídas da amostra, assim como a Telebras antes de 2010, período em que a companhia estava inativa.O grupo de empresas privadas foi formado pelas demais companhias listadas na base da Economatica, também com apenas uma classe de ação por empresa. Foram excluídas da carteira as companhias com controle estatal ou compartilhamento de controle com governos, como Eletrobras, Sabesp, Copel, Copasa, Taesa e CPFL. Para garantir representatividade, uma ação só foi incluída nos cálculos anuais quando apresentou negociação em pelo menos 80% dos pregões do respectivo ano. Nas análises de janelas curtas ao redor das eleições, foi exigida a existência de negócios nas duas datas extremas avaliadas.The post Como ações de estatais se comportaram durante as eleições e depois do 2º turno? appeared first on InfoMoney.

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