A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) muda o ponto de partida para o pregão desta segunda-feira (26). Depois de semanas em que parte relevante do mercado financeiro passou a precificar uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), investidores agora terão de ajustar posições ao resultado das urnas — movimento que pode provocar um gap expressivo na abertura e forte volatilidade nos primeiros negócios.Lula venceu o segundo turno depois de reverter a desvantagem registrada na primeira votação. Para o day trader, porém, mais importante do que tentar antecipar até onde Bolsa, dólar e juros podem se deslocar será controlar o risco em um pregão no qual preços podem mudar muito rapidamente.A principal orientação é simples: diante de movimentos extremos, ficar de fora também pode ser uma decisão de trading.Leia também: Primeiro pregão após as eleições terá Pam e Kyn ao vivo na Casa ClearMercado terá de reprecificar resultado da eleiçãoO desafio desta segunda-feira começa antes mesmo do primeiro negócio.O resultado do segundo turno contraria parte do movimento observado nos ativos brasileiros desde a primeira votação. Após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente, Bolsa, real e juros reagiram fortemente à perspectiva de mudança na condução da política econômica.Agora, a vitória de Lula exige uma nova rodada de ajustes de posições e expectativas.Essa reprecificação pode tornar a abertura particularmente difícil para quem opera no curtíssimo prazo. Em poucos segundos, o mercado pode percorrer distâncias que normalmente levariam vários minutos — ou mesmo horas — para serem alcançadas.Para Rafael Perretti, analista e economista da Clear Corretora, o tamanho dessa oscilação torna o gerenciamento de risco ainda mais importante.“Esse seria o fator essencial para o trader acompanhar, principalmente se o mercado aumentar seu range de oscilação”, afirma.Stop pode ficar mais caro — e até ser ultrapassadoUma abertura com range muito acima do normal muda também a matemática da operação.Se o mercado estiver percorrendo centenas ou milhares de pontos rapidamente, um stop que funciona em um pregão convencional pode se tornar pequeno demais. Ampliá-lo, por outro lado, aumenta a perda potencial caso a operação dê errado.Há ainda outro risco: o preço simplesmente ultrapassar o nível em que o trader pretendia sair.Marcelo Carvalho, desenvolvedor de robôs, trader e influenciador da Clear Corretora e da OnTick Invest, alerta que movimentos muito rápidos podem dificultar a execução das ordens de proteção, fazendo com que a saída aconteça em um preço pior do que o planejado.“Então tem que tomar cuidado, porque pode pular stop”, afirma.A situação se torna ainda mais delicada se a volatilidade provocar leilões. Nesses momentos, as negociações de determinado ativo são temporariamente interrompidas, e quem já está posicionado pode não conseguir encerrar imediatamente a operação.“Dependendo da volatilidade que tiver, pode acontecer de o mercado entrar em leilão no momento em que estiver posicionado em uma operação, e aí tu pode se prejudicar, não vai conseguir stopar na hora certa”, diz Carvalho.Vale operar a abertura?Mesmo traders experientes podem optar por não participar dos primeiros movimentos.Carvalho diz que pretende mudar sua própria rotina nesta segunda-feira. Apesar de normalmente operar a abertura, desta vez a estratégia será observar.“Eu, particularmente, não vou fazer o trade da abertura na segunda-feira”, afirma.A ideia é esperar que parte da reprecificação inicial aconteça antes de procurar uma entrada.“Imagino que vai ter uma alta volatilidade, então eu prefiro ficar só observando”, acrescenta.Mari Damaceno, trader e analista, faz recomendação semelhante, especialmente para quem ainda não viveu uma abertura de mercado após uma eleição presidencial.Segundo ela, o problema não está apenas em saber se o mercado vai subir ou cair. O trader precisa lidar com a velocidade e com a amplitude dos movimentos.“A movimentação pode ser muito grande e gerar movimentos muito bruscos”, afirma.Para iniciantes, sua recomendação é ainda mais conservadora.“O trader iniciante não deve fazer nada pelo menos na primeira hora de pregão”, aconselha.Primeiros minutos podem enganarEsperar a abertura passar não significa necessariamente abrir mão de todo o pregão.Perretti recomenda acompanhar inicialmente como o mercado absorve o resultado eleitoral e buscar operações somente quando o comportamento dos preços estiver mais claro.“Aguardar a interpretação do mercado e aguardar o passar de alguns minutos para o mercado se acalmar. Mas o trader tem que entender que tem dias que se faz necessário ele ficar fora do mercado”, afirma.A recomendação ganha importância porque um grande gap na abertura não determina necessariamente o comportamento do restante da sessão.Depois da primeira reação, investidores começam a avaliar outras informações: composição do Congresso, sinalizações do governo reeleito, perspectivas para a política fiscal, nomes da equipe econômica e eventuais declarações políticas.Isso pode reforçar o movimento inicial, reduzi-lo ou até provocar mudanças bruscas de direção.Para quem opera day trade, portanto, tentar antecipar cada uma dessas etapas aumenta o risco de entrar justamente quando o mercado apresenta menor previsibilidade.Para o iniciante, segunda-feira pode ser dia de simuladorPara quem está começando, Carvalho vê o pregão pós-eleição como uma oportunidade de aprendizado antes de ser uma oportunidade financeira.A sugestão é acompanhar a abertura em ambiente simulado e observar como preços, stops, spreads e ordens se comportam em uma sessão fora do padrão.“O trader iniciante, que nunca pegou um momento de eleição, o certo é ir para o simulador, observar e aprender. É muito interessante que ele tenha isso como aprendizado”, recomenda.Damaceno reforça o alerta a partir do comportamento do mercado depois do primeiro turno, quando houve sucessivos leilões em alguns ativos.“Para mim, de longe, a maior recomendação é fique de fora. Porque eu tenho certeza de que principalmente o iniciante vai estar tentado a fazer alguma operação por causa do movimento”, afirma.Leia também: Além das operações: networking ganha destaque na estreia da Casa ClearVolatilidade pode ajudar — desde que haja direçãoMovimentos grandes não são necessariamente ruins para o day trader. Em determinadas situações, maior amplitude cria oportunidades.O problema aparece quando volatilidade e ausência de direção caminham juntas.Perretti diferencia um mercado direcional, no qual uma tendência pode ser explorada com gerenciamento de risco, de uma sessão marcada por movimentos rápidos para os dois lados.“A volatilidade é amiga do trader quando a gente tem um mercado direcional. Porém, quando temos um mercado incerto, é necessário ter um pouco mais de cautela”, afirma.É justamente essa distinção que pode definir a atuação nesta segunda-feira.Depois de uma eleição que exige uma reprecificação relevante dos ativos, o primeiro movimento da Bolsa pode ser grande sem necessariamente oferecer uma entrada de boa relação entre risco e retorno.Por isso, mais importante do que tentar acertar o tamanho do gap ou antecipar o primeiro movimento será avaliar se o mercado oferece condições compatíveis com o método e o gerenciamento de risco de cada trader.“Eu tenho uma frase para mim que é: quando você tem incerteza e está incerto, não operar também é operar”, conclui Perretti.Os traders participam essa semana da Casa Clear, evento de monitoria e desenvolvimento de operadores do mercado.Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. 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