Os eleitores de Israel votam nesta terça-feira (27) depois de o presidente americano, Donald Trump, pedir duas vezes votos para Benjamin Netanyahu. O mandatário dos EUA vem associando a reeleição do premiê israelense à retomada da guerra contra o Irã, que os dois países deflagraram em fevereiro.O primeiro apoio veio em 18 de outubro, em publicação na rede Truth Social. Nela, Trump chamou Netanyahu de “grande primeiro-ministro guerreiro e um parceiro ainda maior pela paz”. No domingo (25), Trump voltou à carga com um pedido direito: “votem em Netanyahu para primeiro-ministro”, disse.O principal adversário de Netanyahu, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, evitou confrontar o presidente americano. Chamou Trump de amigo de Israel e disse esperar cooperação com qualquer governo eleito, mas rejeitou interferência. “Os únicos que vão decidir são os cidadãos de Israel”, afirmou. A eleição de hoje é a primeira desde os ataques do Hezbollah ao território israelense, em outubro de 2023. Irã, Cisjordânia, Gaza e PalestinaA guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques conjuntos de EUA e Israel que mataram o líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Os ataques estão parados, mas Trump já prometeu voltar a atacar no marco das eleições de meio de mandato americanas, marcadas para a próxima terça-feira (3).Uma vitória de Netanyahu pode mudar mais o tom do que a direção da empreitada bélica contra Teerã. No que se refere à questão Palestina, o principal eixo passa pela criação do Estado palestino. Nenhum dos dois favoritos aceita discutir o tema, e Eisenkot já declarou oposição aberta à proposta.Leia tambémNYT: interferência de Trump em eleições como a do Brasil prejudica posição dos EUAO jornal aponta que Trump nunca declarou apoio formal a Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas indica que medidas de Washington favoreceram sua candidaturaXi Jinping parabeniza Lula e propõe acelerar parceria estratégica China-BrasilSegundo o líder chinês, a cooperação ganhou maior relevância global, estratégica e de longo prazo, tornando-se um “exemplo de solidariedade e cooperação entre os países do Sul Global”.Netanyahu e Eisenkot, porém, divergem sobre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Uma vitória de Netanyahu reforçaria o peso de ministros como Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, partidários da expansão de assentamentos em lugares como a Cisjordânia.Eisenkot diverge no método. Embora apoie a existência de assentamentos, o candidato da oposição defendem que essas estruturas, que recebem questionamentos da comunidade internacional por violação ao direito internacional, devem estar em conformidade com a legislação israelense. Na prática, o candidato propõe a proibição de assentamentos construídos sem autorização. A repercussão do resultado da eleição desta terça-feira também deverá ser sentida na Jordânia e no Egito, que já rechaçaram qualquer política israelense que possa forçar o deslocamento de palestinos para os seus territórios. The post Eleições em Israel: o peso geopolítico para Trump, Irã, Cisjordânia e Gaza appeared first on InfoMoney.
