O Citi promoveu uma ampla revisão em sua cobertura do setor financeiro brasileiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ajustando suas recomendações para um cenário de juros elevados por mais tempo e maior incerteza fiscal. Em relatório divulgado nesta terça-feira, o banco reforçou uma postura defensiva, priorizando companhias com geração de caixa previsível, lucros resilientes e menor sensibilidade ao aumento do custo de capital.Entre as seguradas, foram elevadas as recomendações de Caixa Seguridade (CXSE3) e Porto Seguro (PSSA3) para compra. Na avaliação do Citi, as duas empresas oferecem um perfil mais defensivo em um ambiente macroeconômico adverso, combinando resultados previsíveis, elevada geração de caixa e dividendos atrativos.Segundo os analistas, a Caixa Seguridade se destaca por seu modelo de negócios leve em capital e pela elevada previsibilidade dos resultados, enquanto a Porto Seguro deve se beneficiar não apenas da diversificação de suas operações, mas também do aumento das receitas financeiras em um contexto de juros mais altos.Leia tambémBBAS3: ação do Banco do Brasil sobe após “tombo” de quase 30%; mercado mantém cautelaAnalistas também ficam de olho nos resultados do banco estatal, a serem divulgados dia 11 de novembroPor outro lado, o banco reduziu sua exposição a empresas mais ligadas ao mercado de capitais e ao crescimento econômico. O Citi rebaixou as recomendações de XP (XP), B3 (B3SA3), Bradesco (BBDC4), BR Partners (BRBI11) e PagSeguro para neutra, argumentando que o novo cenário tende a pressionar o apetite por risco, as emissões no mercado de capitais, a atividade de negociação e os fluxos para produtos de investimento.Embora reconheça a qualidade dos negócios de XP e B3, o banco avalia que o ambiente operacional se tornou menos favorável para empresas dependentes de volumes de negociação, captações e expansão da base de investidores.Itaú segue favorito; BB vira vendaEntre os grandes bancos, o Itaú Unibanco (ITUB4) permaneceu como a principal recomendação do Citi. Os analistas destacam a qualidade dos lucros, a disciplina na concessão de crédito e a robusta posição de capital do banco, características consideradas especialmente importantes em um momento de maior deterioração das condições financeiras.Na direção oposta, o Citi rebaixou Banco do Brasil (BBAS3) para venda, com aumento das preocupações com a qualidade dos ativos, especialmente na carteira ligada ao agronegócio, além de maior exposição a riscos políticos e de eventuais mudanças de política pública.O relatório também trouxe um rebaixamento para o Bradesco (BBDC4), que passou a ter recomendação neutra. O Citi também reiterou uma visão mais conservadora para bancos digitais e empresas financeiras com perfil de crescimento.Segundo o banco, o atual ambiente favorece companhias com rentabilidade já comprovada, em detrimento de modelos mais dependentes de expansão futura. Por isso, a instituição manteve cautela com os bancos digitais e destacou que empresas como PagSeguro e Stone tendem a ser mais vulneráveis ao enfraquecimento das condições de crédito, ao aumento dos custos de captação e às taxas de desconto mais elevadas usadas pelos investidores para avaliar empresas de crescimento.Na avaliação do Citi, apesar de grande parte do ajuste de valuations já ter ocorrido após a forte reação negativa do mercado à eleição, a combinação de incerteza fiscal e juros elevados justifica prêmios de risco mais altos para os ativos brasileiros. Nesse contexto, o banco recomenda priorizar empresas com geração de caixa no curto prazo, capacidade de distribuição de dividendos e menor dependência de um ciclo econômico mais favorável.Veja as recomendações:EmpresaTickerRecomendação AnteriorNova RecomendaçãoPreço-alvo anteriorNovo preço-alvoB3B3SA3CompraNeutraR$ 20,00R$ 15,00Banco do BrasilBBAS3NeutraVendaR$ 22,40R$ 15,00BradescoBBDC4CompraNeutraR$ 21,00R$ 16,00ItaúITUB4CompraCompraR$ 51,00R$ 51,00The post BBAS3 agora é venda, BBDC4 neutro e ITUB4 preferido: Citi revisa bancões após eleição appeared first on InfoMoney.
