“Empreender é coisa de louco”, segundo o fundador da Cacau Show

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“Empreender é coisa de louco.” É assim que Alê Costa, fundador e CEO da Cacau Show, define a disposição de quem decide transformar uma ideia em negócio, enfrentando obstáculos e continuar investindo mesmo quando tudo parece dar errado. Diante de milhares de empresários reunidos no G4 Valley, neste sábado (31), no São Paulo Expo, o executivo brincou que deveria ser criado um “Conselho Regional dos Loucos”, uma espécie de entidade para representar os empreendedores brasileiros.“Somos do mesmo time e temos problemas muito parecidos”, afirmou, lembrando que quem estava participando de um evento de negócios em pleno sábado de feriado certamente compartilhava dessa “maluquice e da vontade de fazer mais e melhor”.A brincadeira deu o tom de uma palestra marcada por histórias de superação, decisões arriscadas e uma convicção que acompanha Costa desde os 17 anos, quando começou a produzir chocolates em casa. Quase quatro décadas depois, aquela iniciativa se transformou na Cacau Show, que reúne mais de 4,7 mil lojas, 25 mil funcionários, três fábricas que operam em três turnos e uma receita de R$ 9 bilhões em vendas.Leia também“Uma invenção só faz sentido quando oferece algo de valor às pessoas”, diz WozniakCofundador da Apple, Steve Wozniak encerrou o G4 Valley contando como a parceria com Steve Jobs e paixão pela engenharia conduziu sua vidaChilli Beans pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões em dívidasO plano foi estruturado com a participação do Itaú, da Akron e da Vega, apontados pela empresa como financiadores centrais da operaçãoMas, para o empresário, a trajetória não foi construída apenas com boas ideias. O que fez a diferença foi a capacidade de encontrar alternativas quando os planos originais deixaram de funcionar. Foi assim logo no início, quando conseguiu uma encomenda de 2 mil ovos de Páscoa e precisou encontrar uma maneira de produzi-los para entregar. A solução foi assumir a fabricação, mesmo sem contar com uma estrutura industrial. “Se não dá para comprar, vamos fabricar”, resumiu.Naquela época, segundo Costa, chocolates de boa qualidade eram caros no Brasil. Ele enxergou nisso uma oportunidade de oferecer produtos competitivos em preço, sem abrir mão da qualidade. A estratégia foi tão eficiente que a empresa conquistou os consumidores e já detém mais de 50% do mercado, segundo ele.  Da pandemia ao incêndioAo relembrar os momentos mais difíceis de sua trajetória, Costa contou que a Cacau Show precisou superar situações que colocaram à prova sua capacidade de reação. Desde problemas com fornecedores de equipamentos até o fechamento de todas as lojas durante a pandemia de Covid-19, culminando com um incêndio que atingiu a fábrica da empresa em Linhares, no Espírito Santo.A pandemia representou um dos maiores testes. Com as lojas fechadas em março, nas vésperas da Páscoa, um dos períodos mais importantes para as vendas de chocolates, a empresa precisou lidar com o impacto da paralisação e a sobra de produtos. Costa contou que estava fora do Brasil quando a crise se agravou. Diante das dificuldades, decidiu doar 1 milhão de ovos de Páscoa, iniciativa que acabou se tornando uma tradição da companhia. Todos os anos, desde então, a empresa destina o primeiro milhão de ovos produzidos para doação.O episódio do incêndio também foi um dos mais marcantes para Costa. Ao receber a notícia de que a unidade estava em chamas, em 2023, sua primeira preocupação foi saber se alguém estava ferido. Quando foi informado de que não havia vítimas, embarcou para acompanhar a situação de perto e rapidamente começou a organizar a recuperação da operação.A fábrica foi reconstruída, e Costa transformou o episódio em exemplo da importância de manter relações de confiança com fornecedores, parceiros e até com suas concorrentes no setor. Segundo ele, até o presidente da Nestlé chegou a telefonar para oferecer ajuda. O empresário também destacou o apoio recebido no processo de indenização do seguro, que atribuiu à credibilidade construída pela companhia ao longo dos anos. “Isso é reputação”, afirmou.Para Costa, os episódios mostram que as crises podem provocar perdas importantes, mas também oferecem oportunidades para rever processos, fortalecer relações e encontrar novas soluções.QualidadeApesar de transformar a Cacau Show em uma das maiores redes de franquias do país, Costa afirmou que continua envolvido diretamente com as operações industriais. Na palestra, contou que havia visitado uma das fábricas na véspera do evento para acompanhar a obtenção de uma certificação de segurança de alimentos. A unidade tem capacidade de produzir 8 mil panetones por hora, segundo o empresário.Ele ressaltou que a busca por certificações e melhorias faz parte de uma cultura de aperfeiçoamento permanente, mesmo quando a empresa já atende aos requisitos necessários para comercializar seus produtos. Para o fundador da Cacau Show, crescer não significa apenas ampliar o número de unidades ou aumentar o faturamento. É preciso garantir que a experiência oferecida ao cliente acompanhe essa expansão.A Disney dos chocolatesE foi justamente essa preocupação com a experiência do consumidor que levou o empresário a embarcar em um projeto muito diferente da fabricação de chocolates. A ideia de construir um parque temático começou a nascer durante a primeira viagem de Costa à Disney, quando a Cacau Show já tinha 15 anos de existência.Na época, o empresário ainda não tinha recursos para realizar uma viagem internacional com tranquilidade financeira. Para levar a família, parcelou os custos em 12 vezes com a Tia Augusta Turismo e ficou hospedado em um hotel simples. Mas o que encontrou nos parques mudou sua maneira de pensar sobre a experiência que uma empresa poderia proporcionar aos consumidores.Costa contou que ficou impressionado com a capacidade daquele ambiente de transportar as pessoas para um universo de fantasia, fazendo com que, por alguns momentos, esquecessem as preocupações do cotidiano. Ao perceber a emoção da mulher durante a viagem, fez uma promessa: se um dia tivesse condições, gostaria de oferecer algo semelhante aos brasileiros.Décadas depois, aquele sonho começa a tomar forma na sua “fantástica fábrica de chocolates e felicidade”, chamada de Cacau Park. O parque temático está sendo construído em Itu, no interior de São Paulo, e representa uma nova etapa da estratégia da companhia, que pretende ir além da produção e comercialização de chocolates para explorar o entretenimento e a experiência, reunindo atrações e o universo da marca. “Começamos com o cacau e agora chegamos ao show”, brincou Costa.Ele reconheceu que um investimento dessa dimensão exige planejamento financeiro e análise de viabilidade, mas afirmou que sua decisão também está ligada a uma convicção pessoal. “Quando uma empresa se dedica a entregar o melhor produto ou serviço possível, os resultados tendem a aparecer como consequência”, disse.Propósito é o que sustentaAo falar sobre liderança e gestão, Costa defendeu que o sucesso de uma empresa depende da existência de um propósito capaz de mobilizar o fundador e seus funcionários. Na Cacau Show, esse propósito foi traduzido na ideia de tocar a vida das pessoas por meio do compartilhamento de momentos especiais.Segundo ele, essa visão ajuda a orientar decisões que vão desde a criação de produtos até a maneira como a empresa se relaciona com consumidores e colaboradores. A cultura de uma empresa, para o empresário, não nasce apenas de apresentações institucionais ou discursos sobre valores. “Ela é construída diariamente, por meio das atitudes de seus líderes e da maneira como as equipes trabalham juntas. Eu só consigo enxergar sucesso no lugar onde a gente consiga se dedicar profundamente ao que está fazendo”, afirmou.Prestes a completar 56 anos, Costa decidiu fazer uma experiência com o ChatGPT, pedindo à inteligência artificial que descrevesse sua personalidade. A resposta, segundo ele, resumiu de maneira divertida sua obsessão por criar experiências ligadas ao chocolate: “Alê, tu é o único cara que olha para a Disney e diz: bonitinho, mas falta uma fábrica de chocolate”.The post “Empreender é coisa de louco”, segundo o fundador da Cacau Show appeared first on InfoMoney.

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