Netanyahu sem maioria, Eisenkot demanda votos: o impasse da eleição em Israel

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Uma semana depois da eleição de 27 de outubro, Israel continua sem saber quem vai governar o país. O Likud, de Benjamin Netanyahu, voltou a ser o partido mais votado, mas o primeiro-ministro perdeu a maioria que sustentava o seu governo. O principal adversário, Gadi Eisenkot, ainda não reúne votos suficientes para substituí-lo e não foi indicado para formar o novo gabinete. Em 2022, o bloco de Netanyahu, formado pelo Likud, por partidos ultraortodoxos e pela extrema-direita, elegeu 64 dos 120 deputados do Knesset, o Parlamento israelense.Agora, o número caiu para 53, oito a menos que os 61 necessários para governar. A coalizão de oposição, liderada por Eisenkot, ficou com 48, e as duas listas árabes (a Lista conjunta e o Ra’am), chegaram a 19 cadeiras.Nesta quarta-feira (4), o presidente Isaac Herzog começa a receber os partidos que vão dizer a ele quem preferem ver no cargo de primeiro-ministro. As consultas seguem até quinta-feira (5), e Herzog tem até 11 de novembro para escolher não necessariamente o líder do maior partido, mas o político com mais chances de reunir 61 votos. O indicado terá 28 dias, prorrogáveis por mais 14, para fechar a coalizão. Leia tambémDerrota de Trump no Congresso pode abrir espaço para Brasil negociar tarifasDemocratas ampliam poder no Congresso, mas governo brasileiro mantém estratégia e aguarda proposta comercial americana para os próximos diasTrump reconhece papel da guerra com Irã em vitória esmagadora dos democratasA guerra, agora em seu ‌nono mês, tem sido ​impopular entre os norte-americanos desde o inícioAs 19 cadeiras árabes devem decidir a conta. Se as duas listas recomendarem Eisenkot, o candidato passaria a ter o apoio de 67 deputados e tenderia a ficar com a indicação, mesmo que esses partidos não ocupem ministérios. A Lista Conjunta já disse que não quer que isso aconteça. Só um partido árabe integrou um governo israelense até hoje: o Ra’am, na coalizão de Naftali Bennett e Yair Lapid, em 2021. Netanyahu tentou tirar legitimidade desse apoio, acusando as legendas árabes, sem apresentar provas, de “roubarem” a eleição com suborno e financiamento estrangeiro. A Comissão Eleitoral Central revisou 9.069 urnas e encerrou o assunto horas antes das consultas. “A auditoria foi concluída. Todas as reclamações apresentadas pelas facções políticas foram revisadas e não foi encontrado nada que indique qualquer dano à integridade das eleições”, afirmou o órgão. Oposição ensaia união, mas se divide sobre os árabesOs cinco partidos do bloco de Eisenkot, que vão da esquerda à direita nacionalista, se reuniram na terça-feira (3) em Herzlyia e se comprometeram a negociar um “governo de emergência nacional” para evitar que o país volte às urnas. “Não temos tempo, precisamos agir com grande urgência”, disse Bennett.O obstáculo está nas quatro indicações que Eisenkot impôs a qualquer parceiro. Entre elas, reconhecer Israel como Estado judeu e democrático, e classificar o Hamas como organização terrorista, comprometendo-se a destruir seu poderio militar e de governo em Gaza. A lista conjunta rejeita a definição de Estado judeu e o Ra’am, que a aceita, não deu a resposta categórica que Eisenkot exige sobre o Hamas, embora os líderes árabes tenham condenado os ataques de 7 de outubro de 2023. Dentro do bloco, Bennett e Avigdor Liberman, do Yisrael Beiteinu, recusam o acordo formal com as listas árabes, enquanto Yair Golan, dos democratas, defende a aliança e considera racista excluí-las. Yousef Jabareen, líder da lista conjunta, cobrou da oposição que aceite a “realidade política” para tirar Netanyahu do poder.O premiê leu o resultado de outro modo, argumentando que o Likud segue como maior partido e propondo um “amplo governo nacional” sob seu comando, que nenhum líder opositor aceitou discutir. Quem é Eisenkot e o que está em jogo para Netanyahu? Eisenkot, de 66 anos, fez carreira na Brigada Golani e comandou as Forças Armadas de 2015 a 2019, nomeado pelo governo Netanyahu. Ele entrou na política em 2022 pelo partido de Benny Gantz e participou como observador do gabinete de guerra após os ataques do Hamas, período em que perdeu um filho em combate em Gaza. Finalmente, Eisenkot rompeu com Gantz em 2025 e fundou o Yashar, fazendo da sigla o segundo maior partido do Knesset, com 21 cadeiras. Para Netanyahu, deixar o cargo significaria enfrentar fora do governo duas frentes que tentou conter enquanto governava. A primeira tem a ver com a promessa da oposição de criar uma comissão estatal de inquérito sobre as falhas do 7 de Outubro. Netanyahu resiste ao modelo independente e diz que seu governo tentou substituir a proposta por uma comissão com membros indicados pela coalizão e pela oposição.A outra frente é o julgamento por corrupção, que ele enfrenta desde 2020 e no qual nega todas as acusações. Uma das denúncias aponta suposta prática de suborno por benefícios regulatórios à operadora Bezec, em troca de cobrança favorável no site Walla. Outras denúncias apontam que Netanyahu teria cometido fraude e quebra de confiança sobre negociações com o dono do jornal Yedioth Ahronoth. A expectativa é que os julgamentos avancem. O interrogatório da promotoria terminou em junho, mas várias audiências foram encurtadas ou suspensas por compromissos de segurança e diplomacia do premiê, como durante a guerra com o Irã. O pedido de perdão que Netanyahu apresentou à Herzog em novembro de 2025, com apoio de Donald Trump, segue sem resposta. Em abril, o presidente adiou a decisão e defendeu que defesa e procuradoria tentem antes um acordo judicial.The post Netanyahu sem maioria, Eisenkot demanda votos: o impasse da eleição em Israel appeared first on InfoMoney.

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