A decisão do governo de prorrogar até o fim de 2026 a alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo aumenta a percepção de risco para o setor de óleo e gás, embora o impacto financeiro imediato para as empresas já estivesse amplamente incorporado às estimativas do mercado, segundo avaliação do JPMorgan. A medida foi aprovada pela Camex na quinta-feira, atendendo a um pedido do Ministério da Fazenda para preservar o abastecimento doméstico de combustíveis e ajudar a financiar subsídios aos derivados.Em relatório divulgado após a decisão, os analistas liderados por Milene Clifford Carvalho afirmam que muitos investidores já trabalhavam com a hipótese de uma extensão do tributo e, por isso, não esperam mudanças relevantes nas projeções de lucro para as companhias do setor. Ainda assim, o banco ressalta que a manutenção da taxação amplia as incertezas regulatórias, fator que pode continuar pressionando o sentimento dos investidores.O imposto foi criado em março deste ano por meio da Medida Provisória 1.340, dentro de um pacote elaborado para conter os impactos da disparada do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. Após a perda de validade da MP, o governo recorreu a sucessivas resoluções da Camex para manter a cobrança, em meio a disputas judiciais sobre a legalidade da medida.Na avaliação do JPMorgan, a empresa mais exposta ao tributo continua sendo a PRIO (PRIO3), seguida por Brava Energia (BRAV3), enquanto a Petrobras (PETR3; PETR4) aparece em posição relativamente mais confortável.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta sextaÍndices futuros dos EUA operam de forma mista à espera de dados de empregoA PRIO é considerada a companhia mais vulnerável porque praticamente toda sua receita está ligada à exportação de petróleo bruto. No terceiro trimestre deste ano, a petroleira registrou US$ 120 milhões em despesas relacionadas ao imposto, montante equivalente a cerca de 8% da receita FOB reportada no período.A Brava Energia surge como a segunda empresa mais afetada, já que entre 30% e 40% de sua produção é destinada ao mercado externo, especialmente nos campos de Atlanta e Parque das Conchas. Já a Petrobras possui exposição menor, com aproximadamente 20% de suas receitas associadas a exportações de petróleo. Para a PetroReconcavo (RECV3), o efeito tende a ser pouco relevante devido ao maior peso do gás natural e ao foco no mercado doméstico.Apesar do impacto, o JPMorgan argumenta que a forte geração de caixa das petroleiras continua sustentando as teses de investimento. Em um cenário de estresse, no qual a cobrança de 12% fosse mantida durante todo o ano de 2027 e o Brent permanecesse em US$ 82 por barril, o banco estima rendimento de fluxo de caixa de 27% para a PRIO e de 15% para a Petrobras. Sem o imposto, esses retornos seriam de 32% e 19%, respectivamente.Por isso, o JPMorgan afirma que continuaria comprador de ações da PRIO em eventuais quedas provocadas pela notícia, argumentando que mesmo a empresa mais penalizada pelo tributo continua apresentando geração de caixa considerada robusta.A principal preocupação dos analistas está relacionada à sinalização para o mercado. Segundo o banco, a combinação entre preços elevados do petróleo, necessidade de financiamento dos subsídios ao diesel e pressão arrecadatória do governo tem levado investidores a questionar se o setor poderá ser alvo de novas medidas tributárias no futuro.O relatório ressalta ainda que a falta de visibilidade sobre o destino do imposto após 31 de dezembro pode aumentar a percepção de risco regulatório e eventualmente desestimular investimentos em novos projetos de exploração e produção, além de reduzir o interesse de potenciais novos operadores no mercado brasileiro.Em meio às incertezas, o JPMorgan mantém recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para PRIO (PRIO3) e Petrobras (PETR3; PETR4), enquanto tem recomendação neutra para Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3).O Goldman Sachs também vê a notícia como negativa, embora não seja uma surpresa total.“Com base nas nossas interações recentes com clientes, a maioria já pressupunha uma prorrogação da sobretaxa tributária, dada a persistência de um cenário de preços elevados do petróleo. Ressaltamos também que nosso cenário-base já considerava que os impostos sobre exportação permaneceriam em vigor até o final do ano. Por fim, observamos que o governo poderia utilizar a prorrogação dos impostos sobre a exportação de petróleo bruto para compensar, ao menos parcialmente, o ônus fiscal decorrente dos subsídios aos preços do diesel. Em nossa cobertura, destacamos PRIO, Petrobras e Brava como as empresas mais expostas a essa sobretaxa”, apontou. The post Imposto de exportação de petróleo é prorrogado: como afeta Petrobras, Brava e PRIO? appeared first on InfoMoney.
