Negociação entre Lula e Trump pode incluir minerais críticos e regulação de big techs

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que, do ponto de vista comercial, tudo está sobre a mesa com a possibilidade real de diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, incluindo o acesso dos americanos a minerais críticos e a regulação das grandes plataformas digitais. A parte política das reivindicações americanas, que pede uma interferência no Judiciário para favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro, está totalmente fora de questão.Trump e Lula conversaram pela primeira vez, por menos de um minuto, nesta terça-feira, em uma sala reservada durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Uma reunião entre os dois líderes deve acontecer, provavelmente de forma remota, nos próximos dias. Segundo interlocutores do governo Lula, por enquanto, o que existe são suposições sobre as prioridades dos americanos. Desde o anúncio do tarifaço de Trump, nenhuma autoridade dos Estados Unidos formalizou nenhum pleito econômico por parte dos americanos. Na noite de terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que Lula e Trump devem começar a discutir sobre “coisas que realmente importam”, como integração econômica e investimentos mútuos. “Nós temos muitos termos de acordo que já estavam em processo e podem ser retomados se as coisas voltarem à normalidade. As tratativas até o governo anterior eram no campo basicamente de transformação produtivas, envolvia energia limpa, minerais raros, biocombustíveis”, disse Haddad.No Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que está a cargo das negociações, trabalha-se com a hipótese de que o governo Trump paute o tema da regulação das plataformas digitais. A gestão de Trump está alinhada ao interesse das big techs em resistir a qualquer moderação de conteúdo, que é vista pelo republicano como possível censura. Após Lula ter dito publicamente que o governo trabalhava num projeto para regular as big techs, o governo recuou na última semana e desistiu de enviar o texto que estava sendo produzido ao Congresso. Em vez disso, decidiu enviar um projeto com regras econômicas para as plataformas. O movimento pesou, entre outros fatores, o ambiente político considerado hostil à proposta da regulação no Congresso. O entorno de Lula considera a sanção da lei que busca coibir casos de violações graves contra menores de 18 anos em plataformas digitais e o entendimento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de que as plataformas são responsáveis legalmente por conteúdos ilícitos publicados pelos usuários, avanços que podem coibir crimes e desinformação no ambiente digital.Ao anunciar que os produtores brasileiros seriam sobretaxados em 50%, Trump citou como principal motivo o processo contra Bolsonaro no STF e mencionou tarifas supostamente abusivas cobradas pelo Brasil a produtos americanos, apesar de a tarifa de oito dos dez principais produtos de pauta de exportações dos EUA ao Brasil já terem tarifa zero na entrada ao país.Reservadamente, uma pessoa familiarizada com as missões que o setor privado tem realizado aos Estados Unidos disse que a indústria vê com bons olhos a sinalização do começo de uma negociação comercial de fato entre os dois países. Disse, no entanto, que há o temor de que o lado americano tenha pleitos que sejam absurdos ou francamente desvantajosos para o Brasil.Como O GLOBO publicou, o governo dos Estados Unidos está interessado em realizar acordos com o Brasil para a aquisição dos chamados minerais críticos e estratégicos, a exemplo de lítio e nióbio, bem como acordos envolvendo as chamadas terras raras, um conjunto de minerais importantes para a transição energética e usados, por exemplo na fabricação de baterias, turbinas eólicas e telas de LED. Em julho, o encarregado de negócios da embaixada americana em Brasília, Gabriel Escobar, transmitiu a mensagem a representantes do setor de mineração brasileiro, entre eles o ex-ministro da Justiça e presidente do Instituto Brasileiro de Mineração, Raul Jungmann. Escobar é o principal representante dos EUA em Brasília, uma vez que a representação americana no país está sem embaixador. À época, Jungmann relatou a demanda ao vice-presidente Geraldo Alckmin. No mês passado, Lula admitiu, em uma entrevista à agência de notícias Reuters, a possibilidade de negociar minerais críticos.“Nós vamos começar a fazer, estou criando um conselho que será ligado à presidência e será tratado como questão de soberania nacional. Isso não significa que a gente não pode negociar com outros países do mundo, que a gente possa fazer parceria de empresas estrangeiras virem para o Brasil explorar minerais críticos”, disse Lula à época. A declaração ocorreu dias após o presidente brasileiro ter dito, em um discurso, que “ninguém põe a mão” nos minerais brasileiros.The post Negociação entre Lula e Trump pode incluir minerais críticos e regulação de big techs appeared first on InfoMoney.

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