ANTANANARIVO (Reuters) – O presidente de Madagascar, Andry Rajoelina, falará à nação nesta segunda-feira, segundo seu gabinete, depois de ter perdido o apoio de uma importante unidade do Exército que se juntou a milhares de jovens que protestam contra a corrupção e a pobreza e exigem sua renúncia.As manifestações na ex-colônia francesa começaram em 25 de setembro por causa da escassez de água e energia, mas rapidamente se transformaram em uma revolta por queixas mais amplas, incluindo má governança e falta de serviços básicos.Após mais de duas semanas de protestos da Geração Z, Rajoelina alertou no domingo sobre uma tentativa de tomar o poder na nação insular na costa do sul da África, depois de perder o apoio da Capsat, uma unidade de elite que o ajudou a tomar o poder em um golpe de 2009.Rajoelina não tem sido visto em público desde a semana passada. A ministra da Segurança Pública do país disse na segunda-feira que não sabia de seu paradeiro.A porta-voz do presidente declarou no domingo que ele ainda estava na capital, Antananarivo, em resposta aos rumores de que ele havia fugido do país.O Capsat disse no fim de semana que estava assumindo o comando das Forças Armadas e nomeou um novo chefe do Exército.O presidente do Senado — foco da ira pública durante os protestos — foi afastado de suas funções, informou o Senado em um comunicado, e Jean André Ndremanjary foi nomeado temporariamente.Na ausência de um presidente, o líder do Senado assume o cargo até a realização de eleições.PROTESTOS DA GEN Z REFLETEM NEPAL E QUÊNIAMilhares de pessoas se reuniram na segunda-feira em uma praça na capital, gritando “o presidente tem que renunciar agora”.Adrianarivony Fanomegantsoa, 22 anos, funcionário de um hotel, disse à Reuters que seu salário mensal de US$67 mal dava para cobrir a alimentação, explicando suas razões para participar dos protestos.“Em 16 anos, o presidente e seu governo não fizeram nada, exceto enriquecer, enquanto o povo continua pobre. E os jovens, a Geração Z, são os que mais sofrem”, afirmou ele.Pelo menos 22 pessoas foram mortas em confrontos entre os manifestantes e as forças de segurança desde 25 de setembro, de acordo com a ONU.A ira reflete as recentes manifestações em países como Marrocos, Nepal e Quênia contra as elites no poder, com os manifestantes usando camisetas e bandeiras com o mesmo símbolo — uma caveira com um chapéu de palha da série de mangá japonesa “One Piece” — usado por seus pares na Ásia e na América Latina.Os protestos se transformaram no mais sério desafio ao governo de Rajoelina desde sua reeleição em 2023.(Reportagem de Lovasoa Rabary e Tim Cocks)The post Presidente de Madagascar falará à nação após alerta de golpe appeared first on InfoMoney.
