A Apple está passando por sua transformação de liderança mais profunda desde a morte do visionário CEO e cofundador Steve Jobs, em 2011, com uma onda de saídas nas áreas de inteligência artificial, design, jurídico, operações e finanças que vai remodelar uma das empresas mais valiosas do mundo.A fabricante do iPhone anunciou na semana passada que Lisa Jackson, vice-presidente de meio ambiente, políticas e iniciativas sociais, vai se aposentar em janeiro, enquanto Kate Adams, que atua como conselheira-geral desde 2017, se aposentará no fim do ano que vem. Essas saídas se somam a uma série de recentes desligamentos, incluindo o do chefe de IA John Giannandrea, que anunciou sua aposentadoria neste mês, e o de Alan Dye, responsável pelo design de interface do usuário desde 2015, que deixou a empresa para trabalhar na Meta.Leia também: Após 14 anos, Apple prepara troca no comando e novo sucessor de Tim Cook; veja quem éA Bloomberg também informou que Johny Srouji, principal arquiteto de chips da Apple para o Apple Silicon, está cogitando sair, mas o executivo de 61 anos esfriou esses rumores na segunda-feira, dizendo: “Eu amo minha equipe, eu amo meu trabalho na Apple”, em um memorando enviado aos funcionários.Falando em Meta, o império de redes sociais de Mark Zuckerberg tem sido o maior beneficiado pelo êxodo da Apple. Billy Sorrentino, outro diretor sênior de design, decidiu sair da Apple rumo à Meta junto com Dye, e Ruoming Pang, que liderava a equipe de modelos fundamentais de IA da Apple, também deixou a empresa em julho para ir à Meta, levando cerca de 100 engenheiros com ele.Ke Yang, que comandava a busca da Siri na web movida por IA, e Jian Zhang, líder de robótica com IA na Apple, também foram para a Meta neste ano.Mas talvez a mudança mais significativa no topo em 2025 tenha sido a saída do diretor de operações Jeff Williams, que decidiu se aposentar em julho após 27 anos na Apple.Ele foi por muito tempo considerado o principal candidato a suceder o CEO Tim Cook. Também neste verão, o diretor financeiro Luca Maestri deixou seu cargo para, a partir do novo ano, supervisionar serviços corporativos, enquanto Kevan Parekh assumiu como CFO.Planejamento sucessório e o futuro de Tim CookA dimensão das saídas é impressionante, mas o momento parece estar ligado ao planejamento de sucessão. Tanto a Bloomberg quanto o Financial Times noticiaram que a Apple está intensificando esforços para se preparar para que Cook, que completou 65 anos em novembro, possivelmente se aposente em 2026. Ele lidera a empresa desde 2011 e fez seu valor de mercado saltar de cerca de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões.John Ternus, vice-presidente sênior de engenharia de hardware, desponta como o principal candidato interno para substituir Cook. Ternus, 50 anos, entrou para a equipe de design de produtos da Apple em 2001 e supervisionou a engenharia de hardware de todas as gerações do iPad, da última linha de iPhones e dos AirPods. Ele teve papel crucial na transição do Mac para o Apple Silicon.A escolha de Ternus marcaria uma mudança em relação ao foco operacional recente da Apple sob Cook. Enquanto Cook e Williams tinham formações voltadas a operações, com expertise em cadeias globais de suprimento, Ternus traz conhecimento técnico de hardware.Sua escolha sinalizaria que a Apple está priorizando inovação em produtos ao enfrentar desafios em novas categorias, como o Vision Pro, e a concorrência em inteligência artificial.A nova liderança de IA A Apple está trazendo Amar Subramanya, veterano tanto do Google quanto da Microsoft, para comandar seus esforços em IA. Subramanya passou 16 anos no Google, chegando a chefe de engenharia do assistente de IA Gemini, antes de uma breve passagem na Microsoft como vice-presidente corporativo de IA.Ele supervisionará os Apple Foundation Models, a pesquisa em aprendizado de máquina e segurança em IA, respondendo ao chefe de software Craig Federighi.A contratação de Subramanya sinaliza a determinação da Apple em acelerar suas capacidades de IA depois de ficar atrás de concorrentes como Google e OpenAI.Sua experiência na construção de modelos de linguagem de grande porte no Google o coloca em posição de ajudar a Apple a desenvolver produtos competitivos de IA generativa, um campo crítico para as empresas de tecnologia nos próximos anos.Novos caminhos no designNo front do design, Stephen Lemay está substituindo Dye como chefe de design de interface do usuário. Lemay está na Apple desde 1999 e desempenhou papel essencial na criação de todas as principais interfaces da empresa, do iPhone original aos sistemas operacionais mais recentes.A promoção de Lemay teria sido recebida com entusiasmo dentro da Apple. O blogueiro e podcaster John Gruber, que cobre a Apple há décadas e possui fortes conexões dentro da empresa, escreveu que os funcionários estão quase “eufóricos” com a chegada de Lemay ao comando.“Fontes com quem conversei e que trabalharam com Lemay na Apple falam muito bem dele, especialmente da sua atenção aos detalhes e do seu acabamento impecável”, escreveu Gruber. “Essas qualidades fizeram muita falta na era Dye.”Essa promoção interna contrasta fortemente com a forma como a saída de Dye foi recebida. Ele comandou o design de interface por uma década, mas enfrentou críticas internas sobre rumo de design e qualidade de produto.A nomeação de Lemay representa um retorno à filosofia de design em primeiro lugar que caracterizou as fases de inovação anteriores da Apple.Operações e cadeia de suprimentosSabih Khan, que está na Apple há 30 anos, assumiu como diretor de operações em julho, substituindo Williams. Khan entrou na equipe executiva como vice-presidente sênior de operações em 2019 e comandou a cadeia global de suprimentos da Apple nos últimos seis anos.Ele também supervisionará iniciativas ambientais e sociais, assumindo parte das responsabilidades que eram de Lisa Jackson.A nomeação de Khan representa continuidade nas operações, ao mesmo tempo em que consolida funções na cúpula executiva. Seu profundo conhecimento das redes de manufatura e logística da Apple o coloca em posição de enfrentar os desafios contínuos da cadeia de suprimentos, especialmente à medida que a empresa diversifica a produção para além da China.Liderança jurídica e regulatóriaJennifer Newstead, atual diretora jurídica da Meta e ex-conselheira jurídica do Departamento de Estado dos EUA, será a nova conselheira-geral da Apple em 1º de março de 2026.Em uma consolidação de funções, Newstead supervisionará tanto jurídico quanto relações governamentais, unificando, na prática, os cargos antes ocupados por Adams e Jackson.Newstead traz grande expertise em direito internacional e regulação em um momento crítico para a Apple. A empresa enfrenta crescente escrutínio de autoridades antitruste em todo o mundo, especialmente na União Europeia e nos Estados Unidos.O Departamento de Justiça e 16 procuradores-gerais entraram com uma ação antitruste contra a Apple em março passado, alegando que suas políticas prejudicam a concorrência e dificultam que consumidores troquem de celular. O julgamento ainda não tem data, mas é certo que Newstead terá muito trabalho assim que começar.Sua nomeação reforça o foco da Apple em navegar ambientes regulatórios complexos, enquanto enfrenta desafios relacionados ao desenvolvimento de IA e à privacidade de dados.Sua experiência em relações governamentais na Meta, onde gerenciou a interlocução com formuladores de políticas no mundo inteiro, a torna bem preparada para lidar com as crescentes obrigações regulatórias da Apple.Área financeiraKevan Parekh assumiu o cargo de diretor financeiro em 1º de janeiro de 2025, substituindo Luca Maestri, que ocupava a função desde 2014. Parekh chegou ao posto com profundo conhecimento das operações financeiras da Apple, já que trabalhou anteriormente na divisão financeira da companhia.Sua ascensão a CFO mantém o padrão da Apple de promover talentos experientes de dentro da própria empresa, embora sua gestão também reflita a necessidade de estabilidade financeira diante da volatilidade do mercado e de expectativas de investidores em transformação.O ponto de inflexão da AppleAs saídas abrangem áreas críticas para a competitividade da Apple. Além das baixas visíveis, a empresa perdeu talentos importantes em pesquisa de IA para concorrentes do Vale do Silício, principalmente Google, Microsoft e OpenAI.A Apple tenta responder a isso com contratações de destaque como Subramanya, mas a escala das perdas sugere atritos internos ou mudanças estratégicas que levaram executivos a buscar oportunidades em outros lugares.A consolidação de responsabilidades — especialmente com Newstead supervisionando jurídico e relações governamentais, e Khan comandando operações e iniciativas ambientais — indica que a Apple também está enxugando sua estrutura executiva.Isso pode ter sido motivado por questões de custo ou pelo desejo de criar linhas de comando mais claras conforme a empresa se prepara para possíveis mudanças de liderança.Apesar da turbulência, a Apple apresenta essas mudanças como estratégicas, não reativas. As transições de Williams, Maestri e outros foram descritas como “sucessões planejadas há muito tempo” nos comunicados oficiais.Cook elogiou publicamente os novos líderes e enfatizou a continuidade, mesmo enquanto a Apple monta o que equivale a uma equipe de liderança inteiramente nova para seu próximo capítulo.O próprio Cook permanece uma incógnita. Embora algumas reportagens indiquem que ele poderia se aposentar em 2026, o executivo tem sido incisivo sobre seus planos.Em janeiro, Cook disse à CNBC que nunca se aposentaria, ao menos não “do jeito tradicional”, acrescentando que sempre gostaria de trabalhar. Ainda assim, todas as reportagens confiáveis desde essa entrevista apontam para cenários nos quais Cook se afastaria das operações do dia a dia.Olhando adianteSe essa nova geração conseguirá manter o ritmo de inovação da Apple ao mesmo tempo em que enfrenta a concorrência em IA, a pressão regulatória e a eventual saída do próprio Cook continua sendo a grande questão para o futuro da empresa.O sucesso de Ternus, Newstead, Lemay, Khan e Subramanya determinará se a Apple conseguirá acelerar suas capacidades em IA, manter a excelência em design, superar desafios regulatórios e sustentar sua posição como uma das principais empresas de tecnologia do mundo.As mudanças também refletem uma alteração nas prioridades estratégicas da Apple. Sob Cook, a empresa se destacou em eficiência operacional e gestão de cadeias globais de suprimento.Mas sob Ternus — caso ele realmente assuma como CEO — a Apple pode passar a enfatizar mais a inovação em hardware e a diferenciação de produtos, especialmente em categorias emergentes onde IA e design se encontram.A nomeação de Subramanya para liderar IA, combinada com a ascensão de Lemay no design, indica que a Apple está dobrando a aposta naquilo que sempre a diferenciou: produtos inovadores com tecnologia de ponta e design cuidadoso.Tudo indica que 2026 será um ano decisivo para a Apple, que deve acelerar seus esforços em IA, lançar novos designs de iPhones e enfrentar reguladores para garantir seu posicionamento de longo prazo em um cenário que muda rapidamente.Para esta reportagem, jornalistas da Fortune usaram IA generativa como ferramenta de pesquisa. Um editor verificou a precisão das informações antes da publicação.2025 Fortune Media IP LimitedThe post A Apple não será a mesma em 2026: conheça a nova geração de líderes em ascensão appeared first on InfoMoney.
