Ações “bond proxies”: como devem reagir a diferentes cenários sobre conflito no Irã?

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O Bank of America (BofA) aponta como investidores podem se posicionar em ações brasileiras com comportamento semelhantes a títulos de renda fixa, conhecidas como “bond proxies”, diante da incerteza geopolítica global, especialmente após a escalada do conflito envolvendo o Irã, que elevou os preços do petróleo e reacendeu preocupações com estagflação (cenário econômico que combina estagnação do crescimento com alta inflação).Segundo o banco, esses papéis podem reagir de formas distintas dependendo do desfecho do cenário externo. Em um ambiente de desescalada, a normalização das taxas de juros poderia beneficiar empresas com maior duração de fluxo de caixa e maior sensibilidade ao ciclo econômico. Já em um cenário de tensões prolongadas e crescimento fraco com inflação elevada, algumas companhias poderiam atuar como proteção defensiva para os portfólios.Leia tambémEmbraer depois da queda pós-balanço: houve mudanças na visão sobre as ações após 4T?Ações caíram cerca de 8% na sexta-feira e lideraram as perdas do Ibovespa após balançoGoldman inicia cobertura de Eneva com compra e vê dividendo de 20% a partir de 2029Goldman Sachs também vê catalisadores claros no curto prazo, como o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026, previsto para 18 de marçoUtilities aparecem como destaqueEntre os setores analisados, o BofA vê utilities (utilidade pública, como energia e saneamento) como as principais opções de proteção em um ambiente de estagflação, ao mesmo tempo em que oferecem potencial de revisões positivas de lucros.Nesse contexto, o banco destaca a Axia (AXIA3), apontando que a companhia elétrica possui uma espécie de “hedge” natural contra estagflação, já que os preços de energia apresentam correlação com o gás negociado no hub americano Henry Hub.No segmento de distribuição, a preferência recai sobre a Equatorial Energia (EQTL3), que combina reajustes tarifários ligados à inflação e uma das maiores durações de fluxo de caixa entre as empresas acompanhadas pelo banco. O BofA estima uma taxa interna de retorno (TIR) real próxima de 11% para a companhia.Concessões rodoviárias são preferência em transportesNo setor de transportes, o banco aponta a Ecorodovias (ECOR3) como sua principal escolha entre concessionárias, destacando valuation atrativo, resiliência em cenários adversos e potencial de valorização caso os juros recuem.A Motiva (MOTV3), antiga CCR, também aparece como opção defensiva, embora com menor sensibilidade a cortes de juros. Já o potencial de valorização da Rumo (RAIL3) estaria mais ligado a uma eventual virada no ciclo de grãos, algo que o banco considera incerto no curto prazo.Shoppings Apesar da expectativa de queda nas taxas de juros, o BofA avalia que o setor de shopping centers deve apresentar potencial de valorização moderado, já que as empresas têm longa duração de fluxo de caixa, mas não são altamente alavancadas para capturar ganhos relevantes com juros menores.Entre as companhias, o destaque fica com a Allos (ALOS3), que apresenta a melhor relação risco-retorno do grupo, sustentada por forte visibilidade de dividendos, com dividend yield estimado em cerca de 11,5%. O banco mantém recomendação neutra para Multiplan (MUTL3) e Iguatemi (IGTI11).Visão negativa para operadoras de telefoniaPor outro lado, o banco segue cauteloso com o setor de telecomunicações, mantendo visão pessimista para Telefônica Brasil (VIVT3) e TIM Brasil (TIMS3).Na avaliação do BofA, as ações dessas empresas já refletem grande parte das premissas positivas após a recente valorização e oferecem retorno implícito limitado, além de apresentarem sensibilidade negativa a cenários de inflação mais elevada. Em um ambiente macro favorável para o Brasil, por outro lado, as teles tendem a se comportar como ativos de baixo beta, capturando menos valorização do que setores mais cíclicos.The post Ações “bond proxies”: como devem reagir a diferentes cenários sobre conflito no Irã? appeared first on InfoMoney.

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