Apesar da ação da Copasa (CSMG3) já ter subido 125% nos últimos 12 meses, o JPMorgan promoveu uma dupla elevação na recomendação da companhia de saneamento de Minas Gerais, passando de underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra). Os papéis fecharam com ganhos de 2,40%, a R$ 52,38, em alta, apesar de longe das máximas.A mudança reflete a revisão de duas premissas que sustentavam a avaliação anterior do banco. Primeiro, a privatização da companhia, que antes parecia distante, passou a ser esperada para o primeiro semestre de 2026. Em segundo lugar, a percepção de que a valuation já refletia boa parte das melhorias regulatórias e operacionais, quando o JPMorgan vê espaço para novos avanços capazes de atrair cerca de R$ 10 bilhões em capital necessários para o processo.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta segundaÍndices futuros dos EUA começam fevereiro em queda Vale, Caixa Seguridade, Tupy, Vamos, Raízen e mais ações para acompanhar hojeConfira os principais destaques do noticiário corporativo desta segunda-feira (2)No cenário-base, o JPMorgan estima retorno total próximo de 30%, com taxa interna de retorno (TIR) real de 10,4% e duração de fluxo de caixa de 13,4 anos. O cálculo parte de uma nova tese construtiva segundo a qual a Copasa poderia ser avaliada a 1,9 vez e 1,7 vez o múltiplo EV/RAB (Valor da Firma sobre Base Regulatória de Ativos) em 2026 e 2027, respectivamente, refletindo retorno sobre capital investido acima do custo de capital e crescimento da base regulatória de ativos.No cenário otimista, o potencial de alta chega a 90%, seria impulsionado pela privatização com: 1) corte de custos de 50%, 2) retornos permitidos em linha com a última revisão (9,8% real pós-impostos), 3) menor custo de capital, 4) maior crescimento de volume.Por outro lado, no cenário negativo a queda poderia alcançar 40%, refletindo um cenário sem privatização e sem corte de custos. Segundo o banco, a probabilidade de um cenário adverso diminuiu após a aceleração recente das etapas do processo de privatização e uma revisão tarifária melhor do que a esperada.Termos regulatóriosO governo de Minas Gerais está negociando a prorrogação das concessões com os municípios. Na avaliação do JPMorgan, os novos contratos devem incluir termos regulatórios semelhantes aos adotados na privatização da Sabesp (SBSP3), capazes de estimular investimentos e iniciativas de eficiência.Esses ajustes devem se somar a uma revisão tarifária já considerada positiva, concluída em dezembro de 2025, que estabeleceu: 1) um WACC regulatório acima do de pares para a Copasa, em 9,8% reais após impostos; 2) o reconhecimento anual de investimentos em relação à RAB; e 3) a possibilidade de manter o benefício fiscal do pagamento de juros sobre capital próprio.No cenário-base, o banco assume a criação de um novo mecanismo de compartilhamento de ganhos de eficiência com os consumidores, prevendo o repasse de 25% das economias a partir de 2030, 50% no período entre 2035 e 2039, 75% entre 2040 e 2044 e 90% no longo prazo.Superação de entraves políticos Desde outubro de 2025, contrariando previsões anteriores, o governo mineiro conseguiu aprovar mudanças constitucionais e um projeto de privatização, conduzir uma revisão tarifária favorável e iniciar negociações para estender concessões com municípios. Segundo o JPMorgan, esses contratos devem incorporar novos termos regulatórios capazes de sustentar o potencial de valorização para um futuro operador, como mecanismos que permitam reter parte dos ganhos obtidos com cortes de custos.Modelo de privatizaçãoA Copasa divulgou os termos de privatização aprovados pelo governo de Minas Gerais, que devem envolver uma oferta secundária de até 45% do capital da companhia. Desse total, 30% seriam vendidos a um investidor estratégico, que ficaria sujeito a período de lock-up, com 100% das ações bloqueadas por quatro anos e 50% até 2033 ou até a universalização dos serviços. Os 15% restantes seriam destinados a investidores institucionais, percentual que pode chegar a até 50% caso não haja acionista estratégico. O modelo também prevê limite de 45% dos direitos de voto para qualquer acionista.The post Ações da Copasa sobem 2,4% após dupla elevação de recomendação pelo JPMorgan appeared first on InfoMoney.
